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Análise: Antonelli encanta, e F1 se assusta com acidente causado por nova dinâmica das corridas

Análise: Antonelli encanta, e F1 se assusta com acidente causado por nova dinâmica das corridas

Rodrigo França destaca “sorte de vencedor” de Antonelli e “dia difícil” de Bortoleto na F1
O GP do Japão de 2026 será sempre um marco na carreira de Kimi Antonelli. A Fórmula 1 está encantada com o talento do italiano. A vitória em Suzuka deixa o jovem de 19 anos na liderança do campeonato e de quebra o coloca no livro dos recordes como o piloto mais novo a assumir a ponta da tabela na categoria.
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Kimi Antonelli acena após vencer o GP do Japão de F1 2026
Issei Kato/Reuters
Apesar de estar no carro dominante e largar da pole position, o triunfo não veio fácil para Antonelli neste domingo. O italiano perdeu muitas posições na largada, mais até do que o esperado. Pior ainda: ficou atrás de seu companheiro de Mercedes, George Russell.
Recuperar as posições de McLaren e Ferrari, que saltaram à frente, poderia ser uma missão relativamente tranquila, mas o embate com Russell se apresentava bem mais complicado. Só que a “sorte dos vencedores” jogou a favor do italiano, com um safety car logo após o pit stop do britânico, permitindo que Antonelli fizesse uma parada rápida e assim assumisse a liderança.
Na frente, o piloto de 19 anos mostrou todo o talento que agora encanta a principal categoria do automobilismo mundial, mas já era conhecido por quem acompanhava Antonelli nas categorias de base. O fato de ter pulado a Fórmula 3 e estreado na Fórmula 1 já num time grande, a Mercedes, cobrou seu preço em 2025, com performances excelentes (como no Canadá e Brasil) combinadas a momentos ruins, sobretudo na temporada europeia.
Kimi Antonelli cruza a linha de chegada e vence o GP do Japão de Fórmula 1
Em 2026, no entanto, Antonelli está impecável e reforça a cada treino e corrida seu papel de piloto que pode entregar os mesmos ou até melhores resultados do que Russell, mesmo sendo menos experiente. Para Toto Wolff, chefe da Mercedes, cada grande resultado de Kimi é uma satisfação pessoal, por ver sua decisão de promover “cedo demais” o piloto ser menos questionada.
Pelo rádio, Russell reclamou do “azar”, que de fato lhe tirou uma vitória aparentemente certa até a volta 20. Mas a batalha travada contra as McLarens e Ferraris mostrou que a Mercedes pode até não ser “imbatível” em 2026, desde que as circunstâncias certas joguem a favor das rivais, especialmente numa pista com muita incidência de safety car e de difícil ultrapassagem.
A Mercedes segue sendo grande favorita nas próximas corridas. Mas a reação da McLaren em Suzuka (com o segundo lugar de Piastri e o quinto de Norris) mostra que o cenário pode ficar mais equilibrado, até porque a pausa forçada de um mês no calendário será uma ótima forma de os times buscarem melhorias para tirar a diferença de quem está na frente.
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No caso da Ferrari, a preocupação agora também é defender seu status de segunda força, que foi ameaçado em Suzuka como demonstrou Oscar Piastri chegando em segundo, logo à frente de Charles Leclerc.
Para a Audi, foi um dia difícil. Gabriel Bortoleto tinha chance de pontuar, se deu bem na estratégia do safety car, mas não mostrou ritmo de prova. O brasileiro, visivelmente insatisfeito com a performance, não deu detalhes do que aconteceu com o carro. Nico Hulkenberg, companheiro de Borto, se saiu um pouco melhor, também sem marcar pontos.
Gabriel Bortoleto no GP do Japão de F1 2026
Issei Kato/Reuters
A pausa de abril, sem os GPs do Bahrein e da Arábia Saudita, ainda servirá para a Fórmula 1 pensar em formas de evitar acidentes como o de Oliver Bearman em Suzuka. A forte batida, que inclusive provocou a entrada do safety car e alterou a dinâmica da corrida, foi provocada pela enorme diferença de velocidade entre a Haas do britânico e a Alpine de Franco Colapinto. O argentino não teve culpa, já que seu carro naquele momento ficou lento por estar recuperando energia, e a possibilidade de esse tipo de incidente ocorrer já havia sido alertado por pilotos desde os testes de pré-temporada no Bahrein.
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Oliver Bearman bate e deixa o GP do Japão de Fórmula 1
Lembro que, na primeira semana de treinos, entrevistamos Andrea Stella, chefe de equipe da McLaren. Ele ressaltou esse ponto e a largada como grandes preocupações de acidentes graves derivados do novo regulamento de 2026. Fernando Alonso também diz que as “ultrapassagens” por conta da diferença de energia na bateria não são “planejadas” como uma manobra normal, e sim como uma “fuga” de batida. Exatamente como mostrou a onboad de Bearman.
Por sorte, ninguém ficou seriamente ferido no Japão. Mas isso acendeu o alerta para que a FIA e as equipes consigam encontrar uma forma de minimizar os riscos. A pausa de um mês pode ser o período ideal para fazer esse tipo de ajuste.
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