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Análise: Flamengo vive noite de roteiro impensável e vai recalcular rota às vésperas da final

Análise: Flamengo vive noite de roteiro impensável e vai recalcular rota às vésperas da final

Flamengo 8 x 0 Madureira | Melhores Momentos | Campeonato Carioca 2026
O Flamengo entrou em campo contra o Madureira para cumprir tabela, fazer o dever de casa e tentar ganhar mais confiança antes da final do Campeonato Carioca. A noite que se desenrolou no Maracanã, porém, foi o que nem o mais criativo roteiro de filme poderia prever. Das reações de protesto mesmo depois de um 8 a 0 até a demissão de Filipe Luís à 1h01, duas horas após a classificação para a final.
Qualquer análise sobre o que o Fla apresentou em campo praticamente cai por terra após a decisão, que partiu de Bap e foi comunicada por José Boto. Na ânsia de encontrar o melhor posicionamento para Lucas Paquetá, Filipe deixa o clube depois da exibição mais promissora do camisa 20 em um setor ainda inédito nesse retorno. A vitória, que não precisou de muito esforço, foi uma oportunidade alguns testes que poderiam dar novos caminhos. Não fosse a definição que veio a seguir.
Sem Arrascaeta, desgastado, Paquetá atuou da maneira que geralmente o uruguaio aparece. Por ali, caindo bastante pela esquerda, mas alternando às vezes com Pedro, ele participou intensamente da criação das jogadas e foi bem, marcando dois gols (além de um que não valeu). Foi a melhor atuação desde que chegou ao Flamengo, o que ampliaria o quebra-cabeças para o encaixe perfeito.
Mas tudo isso precisará recomeçar agora. O Flamengo traçou o planejamento de elenco todo com Filipe Luís e às vésperas do encerramento da janela terá um novo comando. O mais cotado é Leonardo Jardim, ex-Cruzeiro. A incredulidade resume o ambiente pós-jogo.
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Posicionamento do Flamengo contra o Madureira
Luiza Sá/ge
Pedro foi outro que deu alguns indícios de respostas. No primeiro jogo o camisa 9 sofreu e foi mal, perdendo lances que geralmente não costuma errar. Desta vez, depois que entrou o primeiro gol, ele começou a se mostrar mais confortável, fez outros três e se ajudou na busca por mais confiança, melhor forma física e mais espaço, agora sob novo comando.
O resultado poderia aliviar de certa forma a pressão, mas não foi isso que aconteceu. O Flamengo deixou o campo ainda sob protestos e cantos de “time sem vergonha”, que se repetiram no aquecimento e antes de a bola rolar. De forma mais tímida, até o treinador foi xingado pouco tempo antes de ser demitido. O vulcão segue perto da erupção.
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Pedro – Madureira x Flamengo – Semifinal – Carioca – Madureira
André Durão
Tranquilidade para jogar
Independentemente do ambiente do lado de fora, o Flamengo tinha uma missão de entregar o dever de casa e carimbar a vaga na final. O time começou a construir o resultado cedo, logo aos quatro minutos. Paquetá apareceu claramente mais confortável no campo em um novo setor, ainda que próximo da área como Filipe Luís esperava, e balançou a rede três vezes, mas só duas valendo.
Reduzindo esforços, o Fla até deixou o Madureira com a bola em certo momento, mantendo a marcação pressão. A estratégia de forçar o erro deu certo, primeiro com Carrascal recuperando no meio-campo, saindo em velocidade e achando Paquetá, que marcou o segundo. Depois, aos 34 e já com um a mais, foi a vez de Cebolinha roubar a bola, acionar o camisa 20 e ver Jean completar contra a própria meta. A partir daí, foi só administrar.
Na organização do restante da equipe, Royal foi bem mais uma vez, dando mais profundidade ao setor ofensivo e possibilitando Carrascal a partir da direita para dentro. Os dois inverteram algumas vezes, mas a partida deu a chance de ambos explorarem características que vão bem. Contestado, o lateral se mostra uma das boas notícias desse início de ano. O meio com Evertton Araújo e De la Cruz também funcionou.
Faixa de protesto da torcida do Flamengo no jogo com o Madureira
Luiza Sá/ge
É preciso levar em conta a fragilidade do adversário, que ficou com um a menos ainda na primeira etapa e tornou a vida do Flamengo mais simples do que já estava. Entretanto, esse é o tipo de resposta que a torcida esperava de uma partida com esse nível de exigência. A goleada sem grandes esforços deveria dar espaço para acalmar os ânimos. A ebulição veio logo depois.
— Sempre quando se perde um jogo o ambiente tem a tendência de ficar triste, quieto, calmo. Eu sempre tento separar as coisas. Que o jogador tenha harmonia para trabalhar, sempre tem aqueles que jogam menos, que acham que não são tão importantes… Meu papel é deixar o ambiente mais leve, mas nunca é leve depois de perder duas finais. O jogador sente a cobrança externa e interna. Ninguém está para brincadeira. Quero que eles se sintam o mais leve possível – disse Filipe.
Com a vitória por 8 a 0, o Flamengo avançou à decisão do Campeonato Carioca para enfrentar novamente o rival Fluminense. Este será o sexto Fla-Flu em finais estaduais nos últimos sete anos.
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