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Após polêmica, Tifanny sai do banco, muda o jogo e é campeã da Copa Brasil por Osasco: “Me senti tão acolhida”

Após polêmica, Tifanny sai do banco, muda o jogo e é campeã da Copa Brasil por Osasco: “Me senti tão acolhida”

Melhor em quadra, Tifanny desabafa:”Preocupe-se com o esporte da cidade, não com exclusão”
A semana de altos e baixos para Tifanny terminou com o título da Copa Brasil por Osasco no ginásio Moringão, em Londrina. Liberada pela Justiça para atuar na competição depois de ser vetada pela Câmara da cidade paranaense, a jogadora de 41 anos saiu do banco na final contra o Minas e mudou o jogo para o time paulista. Eleita a melhor atleta em quadra, ela comemorou o bicampeonato da competição pela equipe – o quinto título no total.
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Tifanny Minas Osasco final Copa Brasil
CBV/Divulgação
Após o jogo, Tifanny falou com o repórter do sportv Felipe Bacarin. A atleta celebrou o título e agradeceu pelo apoio que recebeu de torcedores e de dirigentes que atuaram para que ela fosse liberada para jogar.
— Eu fico muito feliz, porque quando eu recebi a notícia [de que não poderia jogar], eu fiquei um pouco cabisbaixa. Mas quando eu vi que eu tinha o Brasil inteiro ao meu lado, que eu tinha a metade do Paraná ao meu lado, CBV, clubes, lutando pelo meu direito, eu me senti tão acolhida — disse Tifanny.
“Eu falei, Senhor, eu vou fazer o que merecer por todas as pessoas que estão ao meu lado. Obrigado a CBV, obrigado Osasco, obrigado a cada um que mandou amor para mim”.
Na sexta-feira, antes da semifinal contra o Sesc-Flamengo, Tifanny foi recebida com festa no ginásio do Moringão. Muitos torcedores gritaram o nome da jogadora na apresentação do time paulista, e a atleta carregou no colo uma criança que segurava um cartaz de apoio à ela.
Tiffany recebe apoio da torcida após decisão polêmica dos vereadores de Londrina 
Um requerimento da Câmara de Vereadores de Londrina havia vetado a participação da jogadora trans na partida, com base em uma lei municipal promulgada em 2024. Na sexta-feira, no entanto, uma liminar concedida pela Justiça liberou a participação da jogadora, apontando a inconstitucionalidade da medida. O STF também foi acionado pela CBV e deu parecer favorável à atleta.
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Com aval para atuar, Tifanny começou a final contra o Minas no banco. No terceiro set, quando a partida estava 1 a 1, ela entrou na posição de ponteira no lugar de Maira e deu ânimo novo ao time paulista. A jogadora marcou 15 pontos e recebeu o troféu Viva Vôlei de melhor em quadra.
Na entrevista, a jogadora também enviou uma mensagem à vereadora Jéssica Ramos Moreno, a Jessicão (PP), responsável pelo requerimento que tentou barrá-la da competição.
— Ao invés de você se preocupar comigo jogando, preocupe-se com o esporte da cidade, porque o vôlei de Londrina precisa de mais incentivo. Vá buscar incentivo para o esporte, ao invés de excluir, porque o seu trabalho é colocar a inclusão, não a exclusão — afirmou.
Entenda o caso
Em abril de 2024, foi promulgada em Londrina a lei municipal 13.770, de autoria da vereadora Jéssica Ramos Moreno, a Jessicão (PP). A legislação afirma ser “expressamente proibida a participação de atleta cujo gênero seja identificado em contrariedade ao sexo biológico de seu nascimento em equipes e times esportivos e em competições, eventos e disputas de modalidades esportivas, coletivas ou individuais, cuja manutenção das atividades ou realização seja vinculada, direta ou indiretamente, à Prefeitura”.
Um dos parágrafos da lei inclui, no rol de proibições, não apenas pessoas transgênero, mas também termos como “gay, lésbica, bissexual” e até “cisgênero”.
Nesta semana, Jessicão protocolou um requerimento em caráter de urgência solicitando o veto à participação de Tifanny. A medida teve 14 votos favoráveis e três contrários.
Já na tarde desta sexta-feira, o juiz Marcus Renato Nogueira Garcia, da Vara da Fazenda Pública de Londrina, no Paraná, concedeu uma liminar para que a jogadora de Osasco participasse da semifinal da Copa Brasil de Vôlei Feminino.
A decisão faz parte do processo iniciado pela Confederação Brasileira de Vôlei (CBV), que contestou um requerimento aprovado pela Câmara Municipal para vetar que a jogadora trans competisse na cidade.
A entidade também protocolou uma contestação no Supremo Tribunal Federal (STF), que está sob relatoria da ministra Cármen Lúcia. A magistrada, que já atuou em casos relacionados ao tema, deu parecer favorável à jogadora. geRead More