Bearman sofreu impacto de 50G em batida a 262 km/h no Japão
Oliver Bearman bate e deixa o GP do Japão de Fórmula 1
Embora não tenha passado de um susto, o GP do Japão foi marcado pela forte batida de Oliver Bearman na madrugada deste domingo. O inglês da Haas colidiu a cerca de 262 km/h na 22ª volta da corrida e, por causa da alta velocidade, sofreu uma aceleração 50 vezes maior que a força da gravidade (50G). Apesar do impacto, ele saiu inconsciente do carro e passa bem (veja o vídeo acima).
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Oliver Bearman sofreu forte batida no GP do Japão da F1 em 2026
Kym Illman/Getty Images
– Foi um momento assustador, mas está tudo bem, e isso é o mais importante. A adrenalina já está passando um pouco, então a viagem de volta para casa vai ser longa, mas estou absolutamente bem. Houve um excesso de velocidade enorme – cerca de 50 km/h -, o que faz parte dessas novas regras, e precisamos nos acostumar com isso, mas também senti que (Colapinto) não me deram muito espaço, considerando o enorme excesso de velocidade em que eu estava – declarou o jovem de 20 anos.
O inglês da Haas estava em 18º lugar quando, na chegada à curva 13, tentou desviar do argentino Franco Colapinto. O piloto da Alpine desacelerou bruscamente, na frente: a diferença de velocidade entre eles, segundo a telemetria registrada em tempo real pela própria F1, chegou a quase 100 km/h (262 km/h contra 174 km/h).
Bearman puxou para o canto da pista, e nisso, pisou na grama; destruiu duas placas de sinalização, atravessou a pista e e acertou com força a barreira macia do trecho. Ele conseguiu sair do carro com ajuda de fiscais, mas apresentou muita dificuldade para caminhar, mancando com incômodo na perna direita.
Oliver Bearman bate e abandona o GP do Japão de Fórmula 1
Reprodução
O jovem sentou-se no chão e aguardou para ser levado ao centro médico de Suzuka pelo carro de atendimento da F1. O raio-x não apontou fraturas no piloto, que sofreu apenas uma contusão no joelho direito. Ele foi dispensado dos compromissos com a imprensa para descansar e passa bem, segundo a Haas – Bearman chegou a gravar um vídeo para as redes sociais do time após a prova.
A súbita desaceleração de Colapinto se explica porque o argentino estava recarregando sua bateria, algo que se tornou parte da rotina dos pilotos sob o regulamento técnico de 2026. O dispositivo exige, por meio de um sistema de recuperação de energia, que os atletas usem vários métodos de direção para reforçar a potência no motor elétrico dos carros.
Oliver Bearman abandonou o GP do Japão da F1 2026 após batida forte
Jakub Porzycki/NurPhoto via Getty Images
No entanto, essa exigência provoca um fenômeno apelidado de “super clipping”: a súbita perda de velocidade ainda sob aceleração, que ocorre porque o carro, sob recarga, passa a funcionar só com o motor a combustão – que agora representa aproximadamente metade da potência total do veículo.
A recarga das baterias é um processo automatizado por meio de ajustes nos motores, na unidade de controle eletrônica dos componentes; o piloto controla apenas as técnicas de direção para potencializar essa carga extra, como tirar o pé ou reduzir as marchas.
O super clipping é notado especificamente no meio das retas porque é na saída das curvas que a bateria é mais consumida. Assim, é comum que alguns carros mais lentos, sem bateria, acabem no meio do caminho de outros pilotos que estão com mais potência no dispositivo.
Modo híbrido dos motores da Fórmula 1
Em alguns contextos, isso significa uma ultrapassagem fácil; em outros, vai exigir rápido reflexo do carro de trás para desviar, e uma ajudinha do piloto da frente para abrir caminho, se for o mais seguro.
– Foi muito estranho, eu estava meio que à mercê dele. Acho que a diferença de velocidade foi enorme. É quase como se você estivesse na volta de aquecimento e outro piloto estivesse em volta rápida. É uma curva que a gente faz a toda velocidade e ele estava mais de 50 km/h mais rápido do que eu . Não estávamos em uma pista totalmente reta, estávamos meio que virando, e quando olhei pelo espelho ele estava girando na grama. Mas, mesmo girando, ele me ultrapassou, então imagine a diferença de velocidade. Em alguns momentos é realmente perigoso. Fico feliz que ele esteja bem – explicou Colapinto, acrescentando:
– São coisas que estão acontecendo com esses carros. Só precisamos entender como tornar isso um problema um tanto menor.
Oliver Bearman caminha com ajuda de fiscais após bater no GP do Japão da F1 2026
Reprodução/sportv
FIA reforça que vai revisar regulamento
A batida de Bearman, em números, foi uma das mais fortes da última década na F1, superando impactos como os de Fernando Alonso no GP da Austrália de 2016 (46G); de Lewis Hamilton no GP da Bélgica de 2022 e de Andrea Kimi Antonelli nos treinos do GP da Itália (45G); e quase igualando a colisão de Max Verstappen no polêmico GP da Inglaterra de 2021, com 51G.
O sistema de recuperação de energia no atual regulamento já tem sido alvo de críticas de vários pilotos; Verstappen é um dos mais vocais sobre a questão.
A FIA já havia definido a intenção de debater possíveis revisões ao livro de regras após o GP da China, mas depois da batida de Bearman, a entidade publicou uma nota nas redes sociais lembrando já ter reuniões marcadas para discutir a questão ao longo do próximo mês e reforçando que especulações sobre mudanças são “prematuras”.
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Confira tradução do comunicado:
“Na sequência do acidente envolvendo Oliver Bearman no Grande Prêmio do Japão e do papel desempenhado pelas altas velocidades de aproximação no acidente, a FIA gostaria de fornecer os seguintes esclarecimentos.
Desde a sua introdução, o regulamento de 2026 tem sido objeto de discussões contínuas entre a FIA, as equipes, os fabricantes de unidades de potência, os pilotos e a FOM. Por definição, esses regulamentos incluem uma série de parâmetros ajustáveis, particularmente em relação à gestão de energia, que permitem a otimização com base em dados reais.
Tem sido a posição consistente de todas as partes interessadas que uma revisão estruturada ocorresse após a fase inicial da temporada, para permitir que dados suficientes fossem coletados e analisados. Várias reuniões estão, portanto, agendadas para abril a fim de avaliar o funcionamento dos novos regulamentos e determinar se são necessários ajustes.
Quaisquer ajustes potenciais, especialmente aqueles relacionados à gestão de energia, exigem simulação cuidadosa e análise detalhada. A FIA continuará a trabalhar em colaboração estreita e construtiva com todas as partes interessadas para garantir o melhor resultado possível para o esporte, e a segurança permanecerá sempre um elemento central da missão da FIA. Nesta fase, qualquer especulação sobre a natureza de possíveis mudanças seria prematura. Novas atualizações serão comunicadas oportunamente.” geRead More


