Brasileiro Cristian Ribera é favorito a pódio inédito nas Paralimpíadas de Inverno: “A medalha vai vir”
Cristian Ribera, esperança de medalha nas Paralimpíadas de Inverno, faz último treino antes de estreia
“A medalha vai vir!”. Cristian Ribera esbanja confiança às vésperas de disputar as Paralimpíadas de Inverno de Milão-Cortina. Não à toa. Aos 23 anos, o brasileiro já carrega a experiência de duas edições dos Jogos e chega à Itália como atual campeão mundial do sprint no esqui cross-country da categoria sitting, para pessoas que competem sentadas. O esquiador rondoniense é favorito a um pódio paralímpico inédito para o Brasil. Participará de quatro provas na Itália e entrará em ação pela primeira vez nesta terça-feira, 10 de março, justamente no sprint.
– Vamos chegar voando. Estarei no melhor da minha forma física. Sempre fui me preparando para este momento. De quando escolhi ser atleta até participar dos Jogos, decidi que viraria medalhista paralímpico. Esse sonho nunca mudou e nunca vai mudar – disse o esquiador.
As qualificatórias do sprint começarão às 5h50, e as finais estão marcadas para 9h30 (horários de Brasília). O sportv2 vai transmitir as disputas.
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Cristian Ribeiro ao lado de Fábio, técnico e irmão do atleta
Alessandra Cabral/CPB
Esporte como ferramenta para o tratamento
Cristian começou cedo nos esportes. Aos quatro anos, recebeu indicação médica para praticar natação. Seria uma forma de ajudar no tratamento. O atleta nasceu em Cerejeiras, Rondônia, com prognóstico de apenas duas horas de vida. Logo teve de se mudar para Jundiaí, no estado de São Paulo. Era preciso buscar estrutura para tratar a artrogripose, uma doença congênita que afeta as articulações das extremidades.
– Minha mãe me trouxe com três meses, porque lá (em Rondônia) não tinha recursos. Foi na cara e na coragem. Depois de um tempo, meu pai buscou o resto da trupe (os irmãos). Eu já fiz 21 cirurgias. Era para tentar fazer a correção das pernas, que eram atrofiadas. Eram bem tortinhas. Fiz um monte de cirurgia até os 11 anos. Foi uma batalha. Comecei nesse mundo dos esportes e foi libertador – contou Cristian.
Cristian Ribera é esperança de 1ª medalha para o Brasil nas Paralimpíadas de Inverno
Com incentivo da mãe, Solange, Cristian fez natação, atletismo, tênis, bocha e dança. No esporte, conheceu outras pessoas com deficiências.
– Daí para frente foi só alegria. Ganhei mais autonomia. Eu me perguntava por que eu era diferente. O esporte me mostrou que eu não estava sozinho.
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Do skate para o esqui
Depois de uma das cirurgias pelas quais passou, Cristian experimentou o skate como uma forma de se locomover com autonomia. O atleta diz que foi amor à primeira vista. Adorava a adrenalina de descer ladeiras em Jundiaí. O skate forjou o equilíbrio que o jovem precisava quando, aos 13 anos, foi experimentar uma novidade na cidade: o rollerski, modalidade que adapta o esqui para o asfalto.
– A CBDN (Confederação Brasileira de Desportos na Neve) foi à minha cidade procurar novos atletas. Os professores me falaram que ia ter uma experiência de esporte na neve. Como assim na neve? Fiquei curioso. Fui testar e me dei super bem.
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Cristian Ribera nas Paralimpíadas de Inverno de PyeongChang
Marcio Rodrigues/MPIX/CPB
Talento precoce e bagagem paralímpica
Em menos de três anos no esqui cross-country, Cristian Ribera já estava disputando as Paralimpíadas de Inverno. Foi o mais jovem atleta em PyeongChang 2018, com 15 anos. Na Coreia do Sul, alcançou a sexta colocação na prova de 15km, melhor resultado de um brasileiro nos Jogos de Inverno.
Quatro anos depois, Cristian já figurava entre os melhores do mundo, mas teve seu desempenho em Pequim 2022 prejudicado pela Covid e por uma infecção urinária às vésperas dos Jogos. Foi o nono colocado no sprint, o 13º nos 10km e o 14º nos 18km.
Cristian Ribera em preparação para as Paralimpíadas de Inverno
Alessandra Cabral/CPB
Dono do Globo de Cristal
Cristian despontou na última temporada de inverno. Colecionou tantas medalhas em etapas da Copa do Mundo, que faturou o Globo de Cristal, o prêmio de melhor esquiador do circuito. O ouro no sprint do Mundial de Trondhein colocou definitivamente o brasileiro no hall de favoritos ao pódio em Milão-Cortina. Ele manteve o bom desempenho nesta temporada e conquistou dois ouros na última etapa da Copa do Mundo antes dos Jogos, em janeiro.
– Ter ganho o último sprint desta temporada me dá muita confiança. Sei meu potencial. Minha especialidade é o sprint, mas treino tudo. Bom que o sprint vai ser a primeira prova. Estarei zerado.
Cristian Ribera fatura o Globo de Cristal
Arquivo Pessoal
Cristian disputa o sprint no dia 10 de março. No dia 11, compete nos 10km. Ainda entra em ação no revezamento 4 x 2,5km misto no dia 14. E fecha as Paralimpíadas de Inverno nos 20km, em 15 de março.
Esporte em família
Cristian Ribera tem ao lado na Itália o irmão Fábio, seu treinador. A caçula de cinco irmãos, Duda Ribera, também é esquiadora e defendeu o Brasil nas Olimpíadas de Inverno de Pequim 2022 e de Milão-Cortina 2026.
– Quando eu comecei, a Duda sempre teve de me acompanhar. Minha mãe precisava fazer esse corre conosco. Começamos praticamente juntos. Somos novos, mas é uma longa jornada já.
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