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Campeões mundiais se unem e encurtam rota de brasileiros para Mr. Olympia Las Vegas; entenda

Campeões mundiais se unem e encurtam rota de brasileiros para Mr. Olympia Las Vegas; entenda

Natália Coelho conta como foi fazer doutorado junto com a preparação para o Olympia
Preparação, maquiagem, hospedagem, deslocamentos, contratempos. Ser um fisiculturista em alto nível competitivo não é uma tarefa fácil, nem na parte técnica, tampouco do lado financeiro. A necessidade da disputa de seletivas para as maiores competições internacionais torna o processo mais difícil, seja pela logística, competitividade e falta de recursos econômicos. No entanto, uma parceria entre dois multicampeões na modalidade encurtou o caminho dos brasileiros para a maior competição do fisiculturismo mundial.
Campeões no Mr. Olympia, Natalia Abraham Coelho e Luciano Cruz se uniram para buscar chancelas e transformar um evento no interior de Minas Gerais em uma seletiva oficial para duas categorias do Mr. Olympia Las Vegas. Assim, atletas brasileiros ou de países vizinhos não precisam mais sair do país e percorrer grandes distâncias para disputarem a etapa classificatória para a competição nos Estados Unidos.
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Natália Abraham Coelho e Luciano Cruz fizeram parceria que tornou evento em Juiz de Fora uma etapa classificatória para o Mr. Olympia
Natália Abraham Coelho/Arquivo pessoal
O Musclecontest Juiz de Fora acontece na cidade mineira e está previsto para 14 de novembro de 2026, como etapa classificatória para o Mr. Olympia Las Vegas nas categorias Womens´s Physique e Men´s Physique.
— Eu vi de perto o esforço e o potencial de vários atletas brasileiros que ficavam de fora por questões financeiras. É muito difícil e caro manter a rotina de treinos, a disciplina alimentar e ainda ter que arcar com as longas viagens. Trazer essa oportunidade para o Brasil e conseguir reduzir etapas do processo para chegar a Vegas é garantir que o talento fale mais alto.
“Me sinto muito feliz em conseguir contribuir com o esporte que eu amo, que é meu principal objetivo. Quero ver cada vez mais brasileiros e brasileiras representados no Olympia Las Vegas”.
Natalia Abraham Coelho fala com conhecimento de causa. Atual campeã do Mr. Olympia, a atleta sabe de todas as dificuldades possíveis no processo para chegar aos Estados Unidos. A atleta, que também venceu a competição em 2022 e acumula vários títulos importantes no modalidade, afirma que a trajetória profissional dela é um bom exemplo para demonstrar as dificuldades que um atleta que quer competir em alto nível precisa enfrentar.
Fisiculturismo: confira o calendário das principais competições de 2026
— No início da carreira, enquanto cursava a universidade, optei por abrir mão de oportunidades financeiras imediatas, como participações em eventos, camps e personal training, para focar no meu desenvolvimento a longo prazo.
Natália Coelho venceu o Mr.Olympia 2025
Reprodução/Mr. Olympia LLC
— Houve competições em que investi em mim mesma e não tive retorno financeiro equivalente. Em outras ocasiões, competir foi extremamente positivo também do ponto de vista profissional e financeiro. Esse equilíbrio faz parte da realidade do esporte de alto rendimento. A oportunidade está diretamente ligada à preparação, à informação e à forma como o atleta aprende a navegar dentro do sistema. Quem busca orientação correta e faz escolhas conscientes tem mais chances de construir uma carreira sólida — explicou.
A visibilidade e os títulos conquistados por Natália proporcionaram a ela a chance de realizar o sonho de trazer melhorias para as novas gerações de fisiculturistas. O desejo se tornou realidade quando ela se aproximou de outro multicampeão, que havia deixado de praticar o esporte em alto nível anos antes.
Campeão do Mr. Olympia Las Vegas na categoria Men´s Physique em 2019 e com títulos no Mr. Olympia Brasil e Mr. Universe, Luciano Cruz encerrou a carreira como atleta na época da pandemia da Covid-19, mas jamais se afastou do fisiculturismo.
Assim, ele criou o Musclecontest Juiz de Fora, que cresceu, evoluiu e agora faz parte do caminho para quem quer estar em Las Vegas
Multicampeões se uniram para encurtar caminho de brasileiros para o M
Natália Abraham Coelho/Arquivo pessoal
— A pandemia abreviou minha carreira de atleta fisiculturista. Deixar de praticar competitivamente o esporte que eu amo me fez muito mal. Depois da pandemia, com o retorno dos campeonatos, decidi patrocinar a realização de um show da Musclecontest em Juiz de Fora como uma forma de me manter ligado ao fisiculturismo. Com isso pude ressignificar e manter viva toda a minha história como fisiculturista, o que me faz muito bem e muito feliz — contou.
Luciano entende que realiza dois de uma vez. Além de se tornar um promotor do esporte que ama, ele se sente feliz pela oportunidade que Natália e ele têm conseguido oferecer a atletas, sobretudo aqueles maiores dificuldades financeiras.
“O físiculturismo é um esporte extremamente dispendioso. Um físiculturista de ponta tem um gasto muito elevado para se preparar, viajar e competir. A imensa maioria dos atletas trabalha 12 ou mais horas por dia como personal trainer, por exemplo, para custear suas despesas. Somente uma minoria da elite do esporte consegue se manter apenas com patrocínios”.
De acordo com Natália Abraham Coelho, o esporte cresceu consideravelmente, o que aumentou a competitividade e a dificuldade para se classificar para os eventos. Ela considera que a criação e chancelamento de seletivas em locais mais próximos, dentro do próprio país, era algo necessário para dar oportunidade a mais atletas.
— O crescimento de novas divisões mudou significativamente o cenário do fisiculturismo. A divisão Wellness, por exemplo, atraiu um grande número de atletas brasileiras e se tornou um dos mercados mais fortes do esporte. O mesmo ocorre com a Men’s Physique, onde muitos atletas evoluem e migram para outras categorias.
Natália Abraham afirma que sucesso no esporte fez com que ela tivesse acesso e conhecimento para buscar chancelas
Natália Abraham Coelho/Arquivo pessoal
“Na minha visão, o maior obstáculo historicamente não foi a falta de dinheiro, mas a falta de oportunidade. Durante muitos anos, havia poucas seletivas de alto nível próximas, o que limitava a participação. Definir um percentual específico de atletas que deixaram de competir apenas por questões financeiras não seria preciso”.
Ela explica que o processo para buscar chancelas que possibilitem um torneio ser seletiva de uma competição como o Mr. Olympia Las Vegas é exigente. No entanto, a experiência dela como atleta e a parceria com um promotor de eventos que também conquistou muito no esporte foram facilitadores.
— O processo seguiu uma estrutura já estabelecida dentro da IFBB Pro League e da NPC Worldwide, com base em um modelo profissional que vem sendo desenvolvido desde o início da década de 1980. A chancela funciona como uma garantia de que o atleta estará competindo em um ambiente seguro, bem organizado e alinhado aos padrões internacionais. Detalhes mais profundos do processo de concessão da chancela ocorrem de forma confidencial e não posso abrir muitas coisas. O que dá para dizer é que o fisiculturismo do Brasil vive seu melhor momento na história e esse prestígio lá fora foi determinante — disse ela, que mantém contato constante com a organização do Mr. Olympia Las Vegas.
E 2026 pode vir com novidades. Natália Abraham Coelho, Luciano Cruz e a equipe do Musclecontest Juiz de Fora trabalham nos bastidores para melhorarem o evento e, quem sabe, conseguirem novas chancelas para outras divisões no evento, programado para 14 de novembro.
— Os planos para 2026 serão divulgados conforme forem confirmados. Cada projeto é analisado com cautela para garantir que atenda aos padrões profissionais exigidos. Desafios sempre existem, sejam eles logísticos ou administrativos. No entanto, com uma equipe experiente de gestão e liderança, há um caminho claro para superar esses obstáculos e manter a qualidade dos eventos sancionados — concluiu. geRead More