Comandante iraniano que Israel diz ter matado fazia ameaças a EUA e usava redes para expor ações no Golfo; saiba quem era
Israel afirma que matou comandante da Marinha iraniana
O contra-almirante Alireza Tangsiri, que Israel afirma ter sido morto em um bombardeio, comandava a Marinha da Guarda Revolucionária do Irã — força responsável por operações estratégicas no Golfo Pérsico. A morte dele ainda não foi confirmada pelas autoridades iranianas.
Tangsiri foi a principal figura por trás do bloqueio quase total do tráfego marítimo no Estreito de Ormuz após o início dos ataques conjuntos de Estados Unidos e Israel ao Irã, em fevereiro. Nas últimas semanas, ele passou a usar redes sociais para comentar ações do país no estreito, além de fazer ameaças a instalações petrolíferas ligadas aos Estados Unidos (saiba mais abaixo).
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Trajetória militar
Tangsiri assumiu o comando da Marinha da Guarda Revolucionária em agosto de 2018, após ser nomeado pelo líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, morto em um ataque aéreo no início da campanha conjunta EUA-Israel contra o Irã, em fevereiro.
Sanções dos Estados Unidos
Tangsiri foi alvo de sanções do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos em 2019, sendo classificado como “terrorista global especialmente designado”. As medidas foram ampliadas posteriormente por seu envolvimento com programas militares, incluindo o desenvolvimento de drones.
Declarações e postura
Conhecido por declarações duras, Tangsiri afirmou em 2025 que o Irã poderia perseguir inimigos “até o Golfo do México” caso seus interesses fossem atacados.
No mesmo ano, também declarou que a Marinha dos Estados Unidos seria incapaz de desafiar o domínio iraniano na região do Golfo.
Em 2016, quando militares americanos foram detidos após entrarem em águas iranianas, ele classificou o episódio como uma “rendição” dos Estados Unidos.
Papel no Estreito de Ormuz
Sob seu comando, a Marinha da Guarda Revolucionária ampliou a atuação no Golfo Pérsico, com foco em estratégias de dissuasão contra os Estados Unidos e aliados.
Tangsiri era um dos principais responsáveis pela política iraniana de controle do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo comercializado no mundo.
Na terça-feira (24), Tangsiri ainda publicou na rede social X que “a passagem de qualquer embarcação pelo Estreito exige total coordenação com a autoridade marítima iraniana”.
Em publicações recentes nas redes sociais, o comandante também alertou Washington a não atacar a Ilha de Kharg, considerada o principal centro de exportação de petróleo iraniano.
“Se o controle inteligente do Estreito lhe deu um novo índice de preços, o ataque a Kharg lhe dará outra equação terrível e nova de tarifas e distribuição de energia no mundo”, escreveu.
Comandante da Marinha da Guarda Revolucionária do Irã, Alireza Tangsiri.
Divulgação/Alireza Tangsiri no X
Morte e o contexto da guerra
Nesta quinta-feira (26), o ministro da Defesa israelense, Israel Katz, anunciou que o comandante da Marinha da Guarda Revolucionária do Irã, Alireza Tangsiri, foi morto em um bombardeio.
“Na noite passada, em uma operação precisa e letal, as Forças de Defesa de Israel eliminaram o comandante da Marinha da Guarda Revolucionária, Tangsiri, juntamente com oficiais de alto escalão do comando naval”, disse Katz em uma declaração em vídeo.
Segundo o “Times of Israel”, Tangsiri foi morto em um ataque em Bandar Abbas, no sul iraniano. Katz não mencionou quais nem quantas outras autoridades iranianas foram mortas junto com Tangsiri no ataque aéreo.
Se confirmada oficialmente, a morte de Tangsiri seguirá uma tendência de assassinatos de autoridades de alto escalão do regime iraniano realizada por Israel e EUA desde o início da guerra. Entre as autoridades de Teerã mortas no conflito, as de maior destaque até o momento são o então líder supremo Ali Khamenei e o então chefe do Conselho Supremo de Segurança Ali Larijani.
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