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Como o São Paulo pode jogar com Roger Machado? Entenda o modelo de jogo do treinador

Como o São Paulo pode jogar com Roger Machado? Entenda o modelo de jogo do treinador

Veja um trecho da entrevista de apresentação do técnico Roger Machado no São Paulo
O São Paulo surpreendeu ao demitir Hernán Crespo e surpreendeu ainda mais ao anunciar Roger Machado como seu novo treinador.
Apresentado nesta terça-feira no CT da Barra Funda, ele já estreia na quinta-feira, contra a Chapecoense, pelo Brasileirão e herda o Tricolor como vice-líder da competição, com apenas uma derrota nas últimas oito rodadas.
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Lendo as duas matérias do ge, fica difícil entender a demissão de Crespo. Não era um trabalho ruim. Mas agora existe um novo treinador e a pergunta: como esse time vai jogar?
Para entender o que Roger traz ao Tricolor, o ge analisou o trabalho dele no Internacional, seu último clube. O que se viu no Beira-Rio foi muito visto em sua passagem pelo Juventude e no Grêmio, onde encaixou a terceira maior série invicta da história da Série B ao ficar 17 jogos sem perder.
Roger Machado conversa com jogadores do São Paulo
Divulgação/São Paulo
A saída sustentada: bola no chão desde o início
O Inter de Roger jogava com a bola. Não era um time de chutão ou de contra-ataque direto. Os zagueiros iniciavam a jogada, os laterais vinham buscar a bola, e o meio-campo dava apoio constante para quem estava com a posse.
Os treinadores chamam esse comportamento de saída sustentada. O nome diz tudo: a ideia é dar sustento, ou seja, sempre ter uma ou duas opções de passe para quem está com a bola. O time não sai para frente na tentativa. Sai para construir.
Aqui o São Paulo tem boas peças. A dupla de volantes Danielzinho e Marcos Antônio tem qualidade com a bola nos pés e boa leitura de jogo. Marcos Antônio, em especial, é exatamente o tipo de jogador que esse modelo pede: circula bem, conecta linhas e raramente perde a bola em situações de pressão.
Fernando tem importante papel para levar a bola ao ataque
Reprodução
O DNA das triangulações e um time que busca um futebol “vistoso”
Depois que a bola sai da defesa, o Inter atacava de um jeito específico: em triangulações. Sempre três jogadores próximos, dando opção de passe e ultrapassando na sequência. Quem passava a bola entrava na área. Quem estava na área saía para participar da troca de passes.
Esse é o DNA do futebol de Roger, visto muito no Grêmio e no Bahia. A proposta exige mobilidade e colaboração. Não adianta ter jogadores individuais brilhantes se eles não se aproximam para dar suporte.
Alan Patrick: o time joga para ele ter muitas opções de jogo pela frente
Reprodução
Quem ganha pontos é Cauly: exatamente o tipo de jogador que essa função pede: organiza, distribui e aparece perto da área para finalizar ou dar o passe decisivo. No Bahia de Rogério Ceni, ele fazia algo parecido: jogava como camisa 10 clássico na fase ofensiva e, sem a bola, recuava para equilibrar o meio-campo.
E Luciano? Ele gosta de sair da área, participar da construção e chegar para finalizar. Mas não é um meia, e sim um segundo atacante que brilha muito nos clássicos. Pelo histórico de Roger, Calleri tem lugar cativo como referência.
Será que Luciano e Cauly brigam por uma vaga junto de Tapia e Lucas num 4-2-3-1?
Ou Roger monta um time com Cauly em um dos lados e Lucas pela direita, com Luciano e Calleri como dupla de ataque?
Tudo isso imaginando que Marcos Antônio e Danielzinho são intocáveis…motorzinhos do time!
A primeira entrevista coletiva de Roger Machado como técnico do São Paulo
Pressão alta foi o ponto alto (e baixo) do Internacional
O Inter de Roger não defendia da mesma forma em todos os jogos. Dentro do Beira-Rio, o time fechava num 4-4-2 sem a bola e esperava o adversário para roubar e contra-atacar. Fora de casa, o comportamento mudava: o time pressionava mais na frente e tentava recuperar a bola no campo ofensivo.
Pressão alta no Morumbis foi destaque do Inter
Reprodução
Para o São Paulo, isso é uma boa notícia. O Tricolor tem elenco para pressionar quando precisa. Lucas, quando está em bom nível físico, é um dos melhores jogadores do Brasil para esse papel: pressiona, retoma e conduz.
O problema é justamente esse: a condição física de Lucas nunca foi estável o suficiente para garantir presença em todos os jogos. Roger vai precisar gerenciar bem o atacante ao longo de uma temporada densa. No Inter, o treinador foi demitido justamente pela queda de produção ao insistir nessa marcação alta mesmo em jogos contra adversários mais preparados, como o Flamengo na Libertadores.
Roger Machado comandou primeiro treino no São Paulo
Erico Leonan / São Paulo FC
O que o torcedor pode esperar
Roger disse na apresentação que quer que o torcedor se identifique com a forma que o time joga. No Inter, o resultado veio: uma equipe organizada, que saía jogando, triangulava e pressionava no momento certo.
O desafio será manter o gás. A questão é o tempo. Roger levou algumas semanas no Internacional para encontrar o time titular e encaixar os princípios. No Tricolor, o Brasileirão já está na quinta rodada, com um calendário bem cheio pela frente. O futuro dirá.
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