Conheça a mulher que é a voz oficial do Mineirão há mais de 25 anos
Pollyanna Andrade é a voz oficial do Mineirão há mais de 25 anos
Há mais de duas décadas, quem frequenta o Mineirão se acostumou a ouvir uma voz firme e inconfundível anunciando escalações, substituições e gols. É a voz da jornalista e locutora Pollyanna Andrade, que se tornou um dos símbolos sonoros do estádio e também uma referência de representatividade feminina no futebol.
No Dia Internacional da Mulher, a locutora vai celebrar o espaço cada vez maior das mulheres no futebol de forma especial. Ela será a voz do Mineirão na grande decisão do Campeonato Mineiro entre Cruzeiro e Atlético-MG, às 18h (de Brasília). A final terá transmissão pela Globo (somente para Minas Gerais), ge TV e Premiere. O ge acompanha os principais lances em tempo real.
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Pollyanna Andrade, voz oficial do Mineirão
Agência I7
Quando Pollyanna começou a trabalhar no Mineirão, o ambiente do futebol ainda era dominado quase exclusivamente por homens. Ser — literalmente — uma voz feminina no estádio foi uma inovação para a época. A trajetória da locutora no estádio começou em 1999, quando ela tinha apenas 18 anos.
— Naquela época não era comum ver mulher exercendo funções ligadas ao futebol, seja na locução, na reportagem, na arbitragem ou até mesmo torcendo — disse.
Naquele período, a administração do Mineirão decidiu inovar ao colocar uma voz feminina na locução oficial dos jogos, algo ainda raro no país.
— Eu nunca sofri preconceito diretamente, mas percebia um olhar diferente. As pessoas olhavam e pareciam se perguntar: será que ela entende? Será que sabe fazer? Eu fui a primeira mulher locutora de um grande estádio de futebol no Brasil. O que me segurou ali foi a dedicação e o comprometimento — afirma.
Pollyanna tem vários Superclássicos no currículo
Fabiane Otoni
Com o passar dos anos, o cenário começou a mudar. Hoje, mulheres ocupam cada vez mais espaço no jornalismo esportivo, na arbitragem, na gestão de clubes e na própria prática esportiva. Nesse contexto, a locutora reconhece o peso simbólico de sua presença.
“Muitas mulheres hoje me dizem: ‘você abriu portas para a gente’.”
Infância e início na profissão
Natural de Carmópolis de Minas Pollyanna conta que o interesse pela comunicação surgiu ainda na infância, vivida na cidade vizinha de Oliveira, ambas na região Centro-Oeste de Minas Gerais.
— Eu nasci em Carmópolis, mas vivi a minha infância em Oliveira, e essa fase foi muito marcante. Tenho muitas lembranças da Rua da Misericórdia, onde a gente morou por muitos anos. A gente brincava muito na rua: rouba-bandeira, queimada, pega-pega, brincava de casinha… e também de showzinho. Eu gostava muito de brincar com microfone, de entrevistar as pessoas. Então ali já havia indícios dessa paixão pela comunicação — relembra.
Pollyanna nasceu e foi criada no Centro-Oeste de Minas
Pollyanna Andrade/Arquivo pessoal
A paixão pela área a levou ao jornalismo e à locução profissional em Divinópolis. Ela seguiu os passos da irmã, Isabel de Andrade, também locutora. Após ser aprovada no vestibular de Jornalismo em Belo Horizonte, mudou-se para a capital mineira. No início da carreira, conciliou diferentes atividades na área, com trabalhos em rádio, televisão e eventos. Foi nesse período que surgiu a oportunidade de participar da seleção para a locução do Mineirão.
Mudança de carreira
A escolha acabou mudando o rumo da carreira. O que começou como um desafio profissional se transformou em uma longa trajetória dentro de um dos estádios mais importantes do país. O Mineirão passou por reforma para a Copa do Mundo e, com isso, a forma de comunicação com o torcedor também mudou.
Pollyanna Andrade trabalha no estádio há mais de 25 anos
Pollyanna Andrade/Arquivo pessoal
— Eu divido a minha história no Mineirão em duas fases. A época do ‘ADEMG Informa’, antes da reforma do estádio, quando a locução era mais linear e informativa. Depois da reforma, passamos a fazer uma locução mais vibrante, mais próxima do torcedor, com interação. Hoje eu falo, espero a torcida responder e falo de novo. A gente vibra junto — afirmou.
O trabalho da locutora é, também, o de dar alma a um espaço que reúne memórias de torcedores de diversos clubes e gerações.
“O Mineirão é muito mais que concreto. O Mineirão é emoção, é paixão.”
Sobre a responsabilidade de ser a voz do “Gigante da Pampulha”, ela afirma que a função vai além da missão de informar.
“A minha voz ali tem a função de informar, mas também de levar emoção para o torcedor. Existe essa interação, e isso é fantástico. Muita gente diz que eu faço parte da festa do Mineirão.”
Mulheres no esporte e o peso de uma voz feminina no futebol
Pollyanna também destacou a conexão criada com outras mulheres que hoje ocupam o microfone em estádios pelo Brasil. Mesmo atuando em cidades diferentes e em arenas de grandes clubes, elas mantêm uma rede de apoio e troca de experiências que fortalece a presença feminina em um espaço ainda predominantemente masculino.
Locutora explicou o peso da voz feminina em um estádio da grandeza do Mineirão
Fabiane Otoni
— Hoje a gente tem, inclusive, um grupo no WhatsApp de locutoras mulheres. Temos a Carlinha (Carla Matera), locutora do Fluminense no Maracanã; a Cris Lima, locutora do Corinthians na Neo Química Arena; a Fernanda Maia, locutora do Botafogo no Nilton Santos; a minha irmã, Isabel de Andrade, que exerceu por 13 anos a função no Independência e agora assume a locução na Arena MRV; e a Kaline Lima, locutora do Ceará, no estádio Presidente Vargas — disse.
A ideia do grupo surgiu a partir de uma iniciativa coletiva para marcar o Dia Internacional da Mulher e acabou aproximando ainda mais essas profissionais.
“A gente criou com esse objetivo de fazer um vídeo juntas para o Dia da Mulher, e a partir dali construímos uma amizade”, conta. Ali a gente troca desafios da função, pede opinião uma para a outra… é muito bacana essa troca”
Para Pollyanna, essa rede de contato mostra que, além de conquistar espaço nos estádios, as mulheres também vêm construindo caminhos coletivos dentro do futebol brasileiro. Sobre o futuro, ela demonstra otimismo.
— Eu vejo uma evolução e um respeito cada vez maior em relação à posição feminina no futebol e no esporte de forma geral. Claro que ainda há muito a ser conquistado, mas acredito que, daqui a 25 anos, o cenário será mais equilibrado. É uma caminhada que precisamos continuar construindo dia após dia, mostrando que podemos alçar voos muito altos — disse.
E o clássico na final?
Pollyanna Andrade considera o clássico entre Cruzeiro e Atlético, pela final do Mineiro, no Dia Internacional da Mulher, muito representativo e disse que espera ter muitas mulheres no Mineirão.
— Clássico é um jogo à parte. Vai ser inclusive no Dia Internacional da Mulher, o que torna ainda mais representativo esse jogo. Eu espero que tenha muitas mulheres na torcida. Teremos um Mineirão dividido, 50% de torcedores de Atlético, 50% do Cruzeiro. Espero que seja um jogo de muitos gols e um jogo de paz — concluiu. geRead More


