Dirigente crê que Mundial pode fazer de São Paulo referência no skate: “Como Wimbledon no tênis”
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O poder do skate dentro e fora das pistas foi o principal assunto da coletiva de imprensa do Mundial da modalidade – o evento começou no último domingo (1) e se estenderá até 8 de março, no Parque Cândido Portinari, em São Paulo. Autoridades, dirigentes e atletas reforçaram o papel da competição como vitrine esportiva, cultural e social, além do desejo de consolidar a cidade como um polo mundial do skate, nos moldes do que Wimbledon representa para o tênis. Presidente da Federação Internacional, o italiano Sabatino Aracu destacou a força do Brasil e da capital paulista e fez uma comparação emblemática:
— São Paulo é a metrópole do Brasil e pode ser a capital do skate no mundo. O skate é a modalidade que teve mais sucesso nas Olimpíadas, mais que o futebol. Meu nome não é Gianni Infantino (presidente da Fifa), não comando o futebol, mas estou honrado em ser do esporte que atrai mais jovens. Que São Paulo no futuro possa ser referência: como no tênis há Wimbledon, no skate há São Paulo. Espero que tenhamos um bom resultado.
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Participantes da coletiva de imprensa do Campeonato Mundial de Skateboard em São Paulo
Natália Bergonso
A representatividade feminina também teve espaço nas conversas desta segunda-feira. Um dos principais nomes da modalidade, Pâmela Rosa celebrou o retorno de competições da World Skate (a Federação Internacional) ao Brasil.
— É um prazer representar o skate feminino. O último evento foi em 2019 e foi gigantesco. Espero uma semana de muita diversão, sorriso no rosto e muito skate. Para nós, mulheres, é gratificante representar nosso país e nossa cidade. Coloco São Paulo como minha cidade também — disse a atleta de 26 anos, natural de São José dos Campos, no interior paulista.
Pâmela Rosa dá aula de skate para novas promessas de Ribeirão Preto
Fundador do STU, o circuito brasileiro de skate, Diogo Castelão reforçou o crescimento da modalidade no país e cobrou avanços estruturais para acompanhar essa evolução:
— A gente vem investindo no skate desde 2016. Desde que virou olímpica (em Tóquio 2020), a modalidade foi para outro patamar, mas ainda é um desafio colocá-la na primeira prateleira dos esportes mundiais. Não vamos descansar enquanto não fizermos eventos grandiosos como esse. São Paulo é anfitriã do maior evento da história: 365 skatistas, quase 50 países (no Mundial deste ano). Queremos que a cidade seja reconhecida como a meca que já é. E faço uma provocação ao prefeito: São Paulo precisa de um complexo de skate do tamanho que merece.
No aspecto social, Pedro Barros, medalhista de prata nas Olimpíadas de Tóquio, destacou o skate como ferramenta de transformação:
— A missão é colocar o skate no lugar que merece. Ainda olham como brincadeira, mas transforma vidas e espaços. Uma pista muda a comunidade. Buscamos lugares mais justos, e o skate é uma das ferramentas mais potentes para isso. Fazer isso em São Paulo, com esse nível de disputa, é uma alegria.
Pedro Barros em ação nas Olimpíadas de Paris, em 2024
Luiza Mores / COB
O carinho internacional pelo Brasil apareceu na fala do australiano Keegan Palmer, bicampeão olímpico do park, que revelou sua ligação antiga com o território brasileiro:
— Muitas pessoas não sabem, mas eu amo o Brasil. Venho para cá desde os 8 anos, com o Pedro e o pai dele. O Brasil fez muito por mim e pelo meu skate, me fez quem eu sou hoje. Amo voltar, ver as pessoas, a comida, a música. É sempre incrível, é um sonho.
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Pela primeira vez, o skate paralímpico também vai fazer parte do Mundial. Vini Sardi, presidente da Associação Brasileira, destacou o impacto do evento na quebra de preconceitos:
— Muito feliz de representar minha cidade. O skate paralímpico vem para mudar a visão das pessoas sobre deficiência, mostrando que podemos fazer o que quisermos e sonhar até com Paralimpíadas. Esse evento é um passo muito importante. O skate me deu coragem, amigos e sonhos. O final de semana vai ser incrível.
No Mundial de Skate, os dias 1, 2 e 3 de março serão dedicados aos treinos oficiais dos atletas. A competição começará a partir da quarta-feira, 4, com as eliminatórias de ambas as modalidades olímpicas (street e park). A fase classificatória seguirá no dia 5, com as quartas de final realizadas na sexta (6), as semifinais no sábado (7) e as finais no domingo (8). Ao todo, o Brasil terá 34 atletas em ação. Entre os destaques, estará Rayssa Leal. geRead More


