Dorival reclama de possível saída de André, e Paz diz: “Corinthians precisa vender jogadores”
Veja a entrevista coletiva do técnico Dorival Júnior após Novorizontino 1 x 0 Corinthians
A eliminação do Corinthians na semifinal do Campeonato Paulista para o Novorizontino, na noite deste sábado, ficou em segundo plano na entrevista coletiva do técnico Dorival Júnior. Por mais que tenha falado sobre a derrota no estadual, o comandante do Timão fez questão de enfatizar seu descontentamento com a possível saída do volante André para o Milan, da Itália.
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Antes do início da partida em Novo Horizonte, a diretoria do Timão avançou na negociação com os italianos pela venda do garoto formado no terrão do Parque São Jorge. O Milan oferece 15 milhões de euros fixos (R$ 91,14 milhões) mais 2 milhões de euros (R$ 12,15 milhões) condicionados à participação de André em 20 partidas pelo Corinthians com ao menos 45 minutos em campo, até a paralisação do calendário para a disputa da Copa do Mundo.
– Temos que nos definir como equipe, o que nós queremos. Minha opinião foi dada ao presidente. Ele já conhece há muito tempo. Eu vim para cá para montar equipes como possibilidades de vencermos, de chegarmos a título. Eu não quero vir para cá para a todo momento ter que refazer equipes.
– O Corinthians tem que sinalizar ao mercado que vai vender a hora que quiser, no momento adequado. Um jogador deste nível, com apenas oito ou nove jogos realizados com a camisa do Corinthians, ter esse valor é porque vale muito mais no mercado. O Corinthians tem que se estabelecer como uma equipe.
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Dorival Júnior em Novorizontino x Corinthians
Rapha Marques/AGIF
– Quero melhorar ainda mais esta equipe, que já é boa e que pode nos dar uma resposta. Temos que ver qual é o retorno que nós queremos: técnico, de resultados, ou financeiro. Se for financeiro, eu não faço parte deste tipo de processo. Eu quero vir aqui para fazer o melhor pelo Corinthians, buscando todas as finais possíveis em todas as competições – argumentou Dorival.
Por mais que tenha as bases do acordo acertadas com o Milan, o Corinthians ainda não bateu o martelo sobre a negociação. Nas próximas horas ou possivelmente na manhã do próximo domingo, a diretoria se reunirá e tomará uma decisão sobre o futuro do volante.
André antes de Corinthians x Palmeiras
Marcos Ribolli
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Logo após a entrevista de Dorival, o executivo de futebol Marcelo Paz fez um breve discurso aos jornalistas no estádio Jorge Ismael de Biasi, em Novo Horizonte. O executivo detalhou a proposta e explicou que apoiará o presidente Osmar Stabile, independente da decisão.
– Avaliamos o jogador em 24 milhões de euros. O Corinthians tem 70%, receberia 17 milhões de euros (R$ 103,2 milhões na cotação atual). E os outros 30%? São do atleta. Ele se acertaria com o Milan sobre esses 30%, é uma questão entre eles. Se a proposta fosse de apenas 17 milhões de euros, o Corinthians ficaria com um valor menor porque precisaria passar os 30% ao André.
– Estou aqui para ser transparente e passar a vocês para que o torcedor entenda quais são os números dessa possível operação. Seja qual for a decisão do presidente estarei do lado dele, espero que as pessoas entendam porque sempre vamos tomar a melhor decisão para o Corinthians – discursou o dirigente, que também enfatizou o fato de o clube precisar vender jogadores para manter as contas em dia e não fechar o ano no vermelho.
– O Corinthians precisa vender jogadores, isso é muito claro. Sempre foi colocado pela diretoria do clube e pelo presidente Osmar a necessidade de venda do clube para honrar seus compromissos. A venda está finalizada? Não, ainda não. Precisamos de um equilíbrio entre necessidade de caixa, equilíbrio financeiro e manutenção do elenco. Existe uma expectativa da torcida: “será que ele não pode valer mais?”. Sim, pode, mas pode valer menos também. Vamos saber na sequência dos jogos, das competições. É uma decisão difícil de ser tomada.
Marcelo Paz explica negociação com Milan por André: “Corinthians precisa vender jogadores”
Veja outros trechos da entrevista coletiva de Dorival Júnior:
Análise sobre o jogo contra o Novorizontino
– Foi um jogo disputado. Nós enfrentamos a equipe que fez a melhor campanha da competição, uma equipe que tinha a menor valência em posse de bola, só que, ao mesmo tempo, a equipe que mais criava e mais gols fez. Nós tivemos que ter um cuidado muito grande. Nós jogamos de uma maneira correta, sempre por fora do bloco, porque é uma equipe que joga muito em transição, queriam uma bola espetada por dentro, uma retomada. Nós não demos essa possibilidade. Tivemos um erro mínimo que nos causou a derrota, infelizmente. Foi o único erro que tivemos na partida. Tivemos a mesma jogada no primeiro tempo, que a bola caiu no pé do Bidu, uma batida nas costas do último zagueiro ou do lateral do Novorizontino e nós não fomos felizes.
– O que eu vejo é que estamos no caminho. A equipe jogou de maneira consistente, nós não poderíamos nos abrir excessivamente muito cedo, porque é uma equipe que sabe aproveitar como ninguém os espaços e a transição. Nós não demos essa possibilidade ao Novorizontino, mas infelizmente não tivemos uma noite feliz em termos de conclusões. Mesmo que nós tenhamos tido boa parte do tempo a bola nos pés, nós fomos efetivos. Novorizontino está de parabéns, pela campanha que realizou, merecidamente chega a uma final de Campeonato Paulista, tem um peso e um valor muito grandes. Temos de enaltecer e reconhecer quando o adversário tenha merecimentos. Foi o caso.
O que espera do Corinthians em termos de reforços?
– Justamente isso, você vende, com três dias para contratar. Você contrata quem? Vamos ver. Ou você acha que vamos achar um outro André lá dentro do Terrão neste momento? Não, nós não temos. Não vamos cair nesta história que daqui a pouco aparece. Não é assim. Não é a todo momento. Este garoto estava voltando, ninguém sabia quem era. Ele estava voltando com dez dias de treinamento, depois de uma lesão muito séria, eu o vi jogando e percebi que tinha qualidades e condições. O preparamos quase três meses para o lançamento. Quando nós lançamos o garoto, todo mundo começou a perceber quem era esse menino.
– O que eu penso: ele precisa ficar aqui para amadurecer e crescer, dar um retorno técnico ao Corinthians. Depois do retorno técnico, aí sim proporciona um retorno financeiro. Mas, antes, ele tem, como todo atleta, que passar por esse processo, por amadurecimento, para não bater na Europa e voltar. Isso que nós temos que pensar. Temos que cuidar desses garotos, dessa maneira. O Corinthians vai vender a hora que quiser vender, e não por qualquer proposta que apareça. É a minha opinião apenas. Agora, cada um faz o que acha conveniente. Eu vou até o momento técnico. Depois disso, é só uma opinião.
Como avalia a presença do Novorizontino na final?
– Eu fui vice-campeão com uma equipe que tinha sido rebaixada no Campeonato Brasileiro, da Série A para a Série B. Na abertura de 2007, fui vice-campeão paulista jogando uma decisão contra o Santos, uma equipe que ninguém acreditava e sabia quem era. De repente o São Caetano deu uma bela resposta naquele ano, ganhando de uma equipe, tirando o São Paulo no Morumbi, em um 4 a 1, fazendo uma partida brilhante, uma campanha brilhante, despontando muitos jogadores que foram vendidos para todas as equipes do futebol brasileiro, inclusive o Douglas para o Corinthians. Só quem não percebeu a presença do Novorizontino, que já vem de anos, evoluindo e crescendo, para que não valorizassem essa conquista que tiveram.
– É uma equipe muito capacitada. Se nós jogássemos com os erros de equipes que jogaram aqui dentro, procurando sempre jogar por dentro, forçando passe por dentro, com marcação que eles têm muito bem posicionada e agressiva, um belo trabalho do Enderson, pode ter certeza que nós correríamos um risco muito grande. Nós fizemos o certo. Jogamos da maneira correta. Não foi uma partida brilhante tecnicamente, nem de um lado, tampouco de outro, mas foi uma partida muito disputada, com lisura, com dignidade. Perdemos? Perdemos. Poderíamos ter vencido também, porque criamos algumas oportunidades, mas o adversário se aproveitou da oportunidade que teve, a única, na minha opinião. Eles foram muito felizes nessa condição. Com relação ao posicionamento, ele joga assim na sua seleção. Não vejo problema algum. É um jogador que sabe definir como ninguém, só não teve a bola da partida à sua disposição.
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– Vamos esperar ele ser anunciado para que eu possa me posicionar.
Eliminação no Paulista ajuda no planejamento do Brasileirão?
– Você vai ter tempo de trabalhar, de recuperar, de condicionar a sua equipe, isso é muito importante. A campanha que a equipe vem fazendo é uma campanha digna. Nós estamos na quarta, quinta colocação. É uma campanha digna. Se não fosse o primeiro resultado que tivemos, nós estaríamos muito próximos da liderança da competição. Não é este o objetivo neste momento. É encorparmos ainda mais a nossa equipe e provocarmos um ano muito melhor do que foi o ano anterior, e eu tenho certeza que isso vai acontecer se, tudo aquilo que nós estamos planejando, aconteça para a nossa equipe. E olha que nós não estamos forçando nada. Estamos buscando oportunidades no mercado que têm sido importante para todos nós.
Tempo a mais para recuperar atletas
– É o tempo que nós não tivemos no início do ano. Nós tivemos oito dias para uma estreia, e estreias com jogos decisivos, importantes, não poderíamos bobear no Campeonato Paulista, já enfrentando clássico, abertura do Campeonato Brasileiro, a disputa com Flamengo. Foi bem puxado para uma equipe que descansou apenas dez dias. Eu estou muito satisfeito com aquilo que estou vendo, a entrega que está existindo, e o Corinthians hoje poderia ter tido uma sorte melhor. Eu acho que nós jogamos para isso. Não foi um jogo brilhante, mas nós jogamos, merecendo talvez um outro momento. Não aconteceu. Temos que reconhecer o valor da equipe do Novorizontino e abraçá-los pelo momento que estão vivendo.
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