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“É uma raridade”: como joia do Palmeiras se reinventou para ter chance no futebol profissional

“É uma raridade”: como joia do Palmeiras se reinventou para ter chance no futebol profissional

“Era baixinho, magrinho”: Arthur, do Palmeiras, conta como se reinventou para ter chance
Arthur estava na sala de casa jogando videogame com os amigos quando recebeu a notícia de que treinaria com o profissional do Palmeiras pela primeira vez.
– Pausei o jogo e fui mandar mensagem para meu pai, minha mãe. É uma ansiedade, porque vem do nada e você nem espera – conta o garoto, recordando a mensagem vinda do técnico Lucas Andrade, do sub-20, quase um ano atrás.
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Nem sequer imaginava que oito meses depois estaria ganhando chances no time titular. Elogiado por Abel Ferreira e escalado na vitória sobre o Mirassol, o lateral-esquerdo de 20 anos dedicou metade da vida ao Palmeiras e compartilha como precisou reinventar o próprio jogo para ter chance de vingar como profissional.
– Eu era magrinho, baixinho, os moleques todos maturados, então falava para minha mãe: eles estão indo para o jogo e eu não. Vinham no corpo, mais fortes, e eu não conseguia competir. Acho que senti mais – conta o atleta, sobre o momento mais difícil da ainda curta carreira no futebol.
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Arthur, lateral-esquerdo do Palmeiras, cresceu no clube desde o sub-11
Camila Alves
Desde o sub-11 no Palmeiras, tem contrato até o fim de 2029 e chegou a receber no ano passado procuras do Neom, da Arábia Saudita, que não avançaram por vislumbrar oportunidades no time principal em 2026.
Sentado na recepção do clube após o treino, o lateral-esquerdo conversa por telefone com a mãe, Michele, momentos antes de sua primeira entrevista exclusiva fora do clube.
Divide com ela desde sempre as conquistas, as frustrações e uma frase, tatuada na costela: “que minha coragem seja maior que meu medo, e minha fé seja tão grande quanto minha força”. Tudo que buscou ter para conseguir se realizar como atleta.
Era magrinho, baixinho, foi minha maior dificuldade. Tive que achar outra opção: jogar a um toque. Porque no corpo, eu não ia conseguir, então era tocar e sair. Até hoje acho mais fácil e procuro me destacar dessa forma.
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Tinha cerca de 50kg entre o sub-14 e sub-15. Foi para 68kg na primeira pesagem no profissional e ganhou 5kg de massa muscular desde então. Com o estilo modificado, descreve-se como lateral ofensivo, que gosta do drible, condução e de atacar em profundidade.
Algumas das características que motivaram os elogios do técnico do sub-20, Lucas Andrade, antes mesmo da estreia no profissional.
– É uma raridade, pela capacidade técnica e maneira que consegue resolver os problemas do jogo – disse, em janeiro, prevendo vê-lo ter espaço no elenco principal.
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Desde então, Arthur disputou quatro partidas, sendo duas como titular, foi elogiado por Abel Ferreira, e voltou a ter chance contra o Mirassol como consequência do desempenho no Paulistão. “Arthur não cruza, ele dá passe”, disse o técnico no início do ano.
– Fiquei com um sorriso de orelha a orelha – admite o atleta.
Lateral-esquerdo Arthur em estreia pelo Palmeiras
Fabio Menotti/Palmeiras
Ansiedade, susto e a chegada ao profissional
Criado em Guarulhos, em São Paulo, Arthur recebeu da tia a primeira bola de futebol. Aos seis anos, entrou na escolinha, da Portuguesa, por incentivo do pai, e cinco anos depois, aos 11, chegou ao Palmeiras.
Na ansiedade, esperou seis horas sozinho pelo treino da base em sua primeira semana na Academia de Futebol. E foi ao subir para o teste no sub-12, pouco depois, que viveu o primeiro susto.
– O treino normalmente era a tarde, só que cheguei e o porteiro disse: como assim? Tu não treinou de manhã? Pensei: nossa, já era, me lasquei, não vou nem passar. Pedi desculpa ao treinador, ninguém me avisou. Mas naquele dia meu coração gelou, fiquei com medo. Acho que até chorei em casa – confessa, agora aliviado.
Até porque o lateral-esquerdo, que começou como ponta direita e foi sendo recuado, fincaria raízes como um dos raros atletas a avançarem por todas as categorias até chegar à principal.
Arthur, do Palmeiras, ao lado dos pais, Michele e Eduardo, em sua partida como profissional
Arquivo Pessoal
Depois de lidar com a ansiedade de ver companheiros de base subindo antes dele, Arthur recebeu na metade de 2025 as primeiras chances de treino. Fez 20 anos e em janeiro de 2026 estreou: titular na vitória por 1 a 0 sobre o Mirassol.
– Fiquei sabendo de manhã, quando Abel passou o time, na hora meu coração… A gente foi para o campo, fez bola parada e quando saiu eu já liguei para minha mãe, falando: vou ser titular hoje. Ela ficou toda nervosa, minha irmã e meu pai também – conta o lateral-esquerdo.
Chegou tímido, mantendo contato com atletas como Luighi e Allan, que se criaram no clube, até passar a receber os primeiros conselhos, de Marcos Rocha, hoje no Grêmio, e de Agustín Giay, que se tornou peça principal no processo de adaptação do lateral.
Meses depois, dividiram a titularidade na nova vitória sobre o Mirassol, no domingo passado.
– Estamos aqui para valorizar atletas que vocês pouco conhecem e transformar em jogadores do Palmeiras – disse Abel.
Arthur em treino do Palmeiras no profissional
Fabio Menotti / Palmeiras
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