Endividamento do Grêmio chega a R$ 935 milhões, aponta auditoria; saiba detalhes
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O endividamento do Grêmio está em R$ 935,6 milhões ao fim de 2025, conforme apontou auditoria da empresa Baker Tilly Brasil. O panorama financeiro do clube foi apresentado em reunião do Conselho Deliberativo na noite desta terça-feira, na Arena.
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Valores a serem pagos a curto prazo, o chamado passivo circulante, chegaram a R$ 516 milhões (precisam ser pagos em 2026). Os passivos de curto prazo não são necessariamente dívidas vencidas, mas, sim, obrigações assumidas para serem quitadas em 12 meses, embora existam valores em atraso.
De longo prazo, a cifra é de R$ 419 milhões (para pagar a partir de 2027). Veja alguns dos itens que mais pesam no passivo:
Fornecedores — R$ 37 milhões (a curto prazo)
Instituições financeiras — R$ 80 milhões (R$ 37,1 a curto prazo)
Obrigações fiscais e sociais (parcelamentos) – R$ 154,5 milhões (R$ 39,6 milhões a curto prazo)
Contas a pagar por compra ou empréstimo de atletas – R$ 124,2 milhões (R$ 113,7 a curto prazo)
Antecipações diversas (quadro social e direitos de TV) – R$ 97,5 milhões (R$ 58,4 milhões a curto prazo)
Participações e comissões a empresários — R$ 54,6 milhões (R$ 45,8 milhões a curto prazo)
Acordos (com atletas, por exemplo) — R$ 30 milhões (R$ 26,2 milhões a curto prazo)
Empréstimos com empresários — R$ 169,2 milhões (R$ 57 milhões a curto prazo)
– De uma forma geral, a situação é um pouco preocupante, pois o volume do nosso passivo de curto prazo é quase igual a previsão de receitas no orçamento de 2026. O que demandará ao clube busca por novas receitas, reperfilamento da dívida (necessidade de alongamento de compromissos) e, principalmente, o cumprimento das metas orçamentárias, como a venda de atletas para a temporada, visando possamos buscar o equilíbrio financeiro durante este ano, que é um ano desafiador – afirmou ao ge o presidente da Comissão para Assuntos Econômico-Financeiros, Joel Junior Machado Corrêa.
Reunião do Conselho Deliberativo do Grêmio na noite desta quarta-feira
Lucas Uebel / Grêmio / Divulgação
Contas de 2025 são aprovadas
As contas da gestão Alberto Guerra, referentes ao ano de 2025, foram aprovadas pelos conselheiros. Houve um superávit de R$ 35 milhões. O número positivo, contudo, foi gerado pela doação da gestão da Arena feita pelo empresário Marcelo Marques. O impacto nas contas foi de cerca de R$ 400 milhões em caráter contábil, ou seja, sem ingresso direto de dinheiro ao caixa.
De acordo com a auditoria, o passivo total do Grêmio na gestão anterior, do presidente Alberto Guerra, saiu de R$ 640 milhões, em 2023, para R$ 935 milhões em 2025. O aumento é de R$ 295 milhões, isto é, 46%. Veja a evolução do passivo abaixo.
Passivo total em 2025 — R$ 935 milhões (R$ 516 de curto prazo e R$ 419 de longo prazo)
Passivo total em 2024 — R$ 795 milhões (R$ 306 de curto prazo e R$ 489 de longo prazo)
Passivo total em 2023 — R$ 640 sendo (R$ 325 de curto prazo e R$ 315 de longo prazo)
O que é um passivo?
É um conjunto de obrigações que uma entidade tem a pagar, não necessariamente sendo dívidas já vencidas, mas tudo aquilo que precisa ser pago ao longo de determinado período. Essas obrigações incluem dívidas com fornecedores, instituições financeiras, impostos, (no caso do futebol), outros clubes pela compra ou empréstimo de atletas, salários e encargos a pagar. O passivo pode ser classificado em “passivo circulante”: a ser pago no curto prazo (até 12 meses); e “passivo não circulante”: a ser pago no longo prazo (acima de 12 meses).
Também compõem o passivo a antecipação de receitas e dinheiro recebido como luvas (como nos contratos de TV). Ou seja, o passivo não é apenas composto de valores que o clube vai pagar, mas cifras que o clube deixará de receber em períodos futuros.
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O que disse a gestão Alberto Guerra
No fim da administração, Alberto Guerra publicou uma carta aberta na conta do Instagram e repassou ao ge dados sobre a dívida deixada por sua administração. Na época, argumentou que a dívida do Grêmio cresceu R$ 220 milhões na sua gestão e, na soma com o que foi deixado pelo presidente Romildo Bolzan Junior, ficava em R$ 377 milhões.
Na conta, entrou somente débitos vencidos e sobre os quais incidem juros e correção monetária. O então dirigente não mencionou valores de passivo ou endividamento, que, tecnicamente, são diferentes.
Ao falar desses números, Guerra considerava dívida bancária, tributos e dívidas com os empresários Marcelo Marques e Celso Rigo. Ele não contabilizou, por exemplo, as dívidas com jogadores porque, conforme escreveu na carta aberta, “são parcelas não vencidas e não constitui dívida”. Antecipações de receitas também não foram consideradas como dívida.
Integrantes da gestão Guerra também ressaltaram à reportagem, em novembro do ano passado, que o clube tinha R$ 80 milhões a receber pela venda de atletas. O então vice-presidente Fábio Floriani afirmou que o incremento da dívida equivalia ao valor gasto pela gestão em contratações: R$ 230 milhões. O time, vindo da Série B de 2022, era insuficiente e pedia investimentos, defendeu.
A nova administração, do presidente Odorico Roman, que assumiu em dezembro, informou ter pago R$ 100 milhões em dívidas nos primeiros 60 dias de gestão. Para isso, contou com a entrada de novas verbas no caixa. Saiba mais aqui.
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