Entenda a briga entre Stabile e Tuma que adiou votação da reforma do estatuto do Corinthians
Presidente do Conselho Deliberativo do Corinthians lamenta postura de Osmar Stabile
A reunião do Conselho Deliberativo do Corinthians para a votação da reforma do estatuto, realizada na última segunda-feira, no Parque São Jorge, acabou encerrada sem um desfecho.
O motivo foi um bate-boca, seguido de troca de empurrões entre conselheiros, em meio a acusações do presidente Osmar Stabile a Romeu Tuma Júnior, presidente do Conselho Deliberativo.
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Os dois trocam queixas sobre uma possível interferência de poderes na administração do Corinthians, além de uma suposta irregularidade na suposta contratação de um antigo funcionário do clube. Isso motivou Stabile a expor Tuma, que rebateu o antigo aliado e encerrou qualquer possibilidade de votação que poderia permitir o direito a voto do Fiel Torcedor e a transformação do Corinthians em SAF (Sociedade Anônima do Futebol).
– Eu pensei que eu me encontrava ali com todos os órgãos do Corinthians. Presidente do CORI (Conselho de Orientação), presidente do Conselho, presidente da Ética, todos estavam ali, era uma forma de eu fazer também e colocar para todos os conselheiros. Eu volto a repetir. Eu disse no Conselho, se alguém me atrapalhasse, eu iria no Conselho dizer isso. E eu ia dar nome e sobrenome. Tive coragem de chegar lá e colocar a minha situação. Eu não posso aceitar que um presidente do Conselho chegue para o presidente do Corinthians e dizer: ou faz o que eu quero ou eu vou te foder. Não posso aceitar.
– Nós temos que entender o seguinte, o Corinthians é uma instituição centenária, nós não podemos utilizar esse tipo de coisa aqui dentro, tem que respeitar o presidente do Corinthians. Não vou aceitar que ninguém chegue e fale dessa forma, entendeu? Não tenho problema nenhum em aceitar as mudanças que foram necessárias a ser feitas, estou aqui representando o Corinthians. A mágoa de alguma coisa que vem do passado não é minha – disse Stábile.
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Conselho Deliberativo do Corinthians não votou a reforma do estatuto
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Presidente do Conselho Deliberativo, Tuma alega que vai levar o caso para a Polícia e que a verdade será esclarecida sobre as acusações feitas por Osmar Stabile.
– Eu não vou entrar muito em detalhe, porque isso vai ser uma apuração na polícia, eu vou provar, porque tenho prova. Ele falou que eu vazei para um repórter, não vazei nada. Eu falei com o repórter, avisei o presidente na sexta-feira, quando fui coagido aqui dentro do clube, e foi uma coisa muito estranha, depois vocês vão saber, porque isso vai se tornar público na investigação.
– Foi surpreendente o que ele fez. Foi surpreendente. A gente, quando é conselheiro, e assim mais ainda o presidente do Conselho, você procura aconselhar, então, assim, aquele que recebe o conselho pode achar que você está forçando, só que isso é muito estranho, porque você tem inúmeros conselheiros que participam e estão em grupos e comitês que o presidente monta na diretoria. Então, talvez eu não seja a pessoa do agrado dele, que fala as coisas que acha que não está certo, que orienta no sentido de fazer o certo, até que nós tivemos recentemente um problema do impeachment, a gente não quer ver o presidente cair no mesmo erro – disse Tuma.
De acordo com Romeu Tuma Júnior, caberá aos associados do Corinthians votarem cada um dos pontos da reforma do estatuto. O item segundo do artigo 45 do atual estatuto do Corinthians diz que a Assembleia Geral dos associados pode ser convocada, extraordinariamente, a qualquer momento para:
– Aprovar a alteração deste Estatuto, nos termos do Código Civil, quando expressamente convocada para esse fim, reconhecida, preliminarmente, pelo Conselho Deliberativo, a necessidade da alteração.
Nos próximos dias, o Conselho Deliberativo do Corinthians convocará os associados para a votação. O tema, porém, pode ser judicializado por supostas irregularidades na condução do processo.
Entenda o caso
Antes do início da votação que poderia determinar o direito ao voto do Fiel Torcedor e a possibilidade de transformação do Corinthians em SAF (Sociedade Anônima do Futebol), o presidente Osmar Stabile pediu a palavra e fez sérias acusações sobre a atuação de Romeu Tuma Júnior nos bastidores do Parque São Jorge.
– Na sexta-feira, enquanto eu jantava, ele (Tuma) disse assim: “ou você faz o que eu quero ou eu vou te foder”. Não posso administrar o Corinthians com pessoas me tratando dessa forma. Tenho testemunhas aqui sobre isso além de outras interferências. Trago aqui documentos sobre ele (Tuma) me pedindo atualizações sobre o que faço. Não posso aceitar mais isso, só colocando uma situação aqui. Assunto do censo do Corinthians, ele me colocou 30 pontos que gostaria de saber. Por que você quer saber? Posso vir aqui e responder o que vocês quiserem. Não vou aceitar isso, trago isso para vocês resolverem – afirmou Stabile, logo no início da reunião.
Osmar Stabile, presidente do Corinthians, em entrevista coletiva
Bruno Cassucci
Em seguida, o presidente do Corinthians convocou Pedro Luis Soares, atual diretor de negócios jurídicos do clube, para confirmar sua versão do relato. O dirigente foi ao púlpito, falou aos conselheiros e relatou o ocorrido com Romeu Tuma Júnior durante jantar na semana passada.
– Infelizmente, houve esse episódio. Ele (Tuma) pegou e falou ao Osmar: “ou vai fazer desse jeito ou vou te foder” – reiterou Pedro Soares.
Antes de Tuma responder a acusação, o conselheiro Hailton dos Santos Cunha pegou o microfone, pediu que a reunião fosse suspensa e a votação adiada.
Romeu Tuma Júnior, presidente do Conselho Deliberativo do Corinthians
José Manoel Idalgo/Agência Corinthians
Na sequência, Romeu Tuma Júnior pediu ordem no plenário do Conselho Deliberativo e reiterou que o motivo da reunião era a votação da reforma do estatuto, não a troca de acusações entre dirigentes.
– Vocês estão querendo tirar o foco da reunião. Há o devido processo legal, não será assim que vocês vão acabar com a reunião – retrucou Tuma.
Enquanto o presidente do Conselho Deliberativo falava ao microfone, dois conselheiros do Corinthians começaram a trocar empurrões, causando tumulto e interrompendo o encontro.
Imediatamente, alguns conselheiros foram ao palco cobrar explicações de Romeu Tuma Júnior.
– Seu arrombado, seu arrombado – gritava o médico Jorge Kalil, ex-diretor adjunto de futebol do Corinthians.
Jorge Kalil, ex-vice-presidente do Corinthians
Reprodução
Após a publicação da matéria, Jorge Kalil entrou em contato com a reportagem e afirmou não ter utilizado as palavras acima descritas: “estes termos não fazem parte de meu dicionário”.
Sem qualquer possibilidade de dar sequência ao debate, o presidente do Conselho Deliberativo encerrou a reunião antes mesmo de apresentar as propostas de votação da reforma do estatuto.
– Declaro encerrada a reunião do Conselho Deliberativo. A votação será encaminhada à Assembleia geral, conforme previsto no artigo 45 do estatuto vigente.
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