Entenda como a disciplina familiar de Allan Aal impulsiona o Londrina na final do Paranaense
Técnico do Londrina, Allan Aal tem paixão pelo futebol que vem de família
Londrina e Operário-PR se enfrentam na final do Campeonato Paranaense no Estádio do Café, mas muito longe dali, uma família toda estará mobilizada na torcida por um personagem central do confronto decisivo: Allan Aal, treinador do Tubarão.
🗞️ Leia mais notícias do Londrina
✅ Clique aqui e siga o canal do ge PR no WhatsApp
Para a família Aal, o futebol não é apenas um esporte ou uma profissão, mas um elemento vital que corre nas veias e atravessa gerações. Atualmente, esse DNA vencedor vive um capítulo decisivo: afinal, o treinador pode levar o Londrina ao sexto título estadual.
Família do técnico Allan Aal em Paranaguá
Jairton Conceição/RPC
O alicerce da dinastia
A semente dessa trajetória foi plantada há décadas por Erwin Walter Aal Junior, o lendário “seu Vivi”. Ídolo nos anos 60 e 70, Vivi escreveu seu nome na história do futebol do estado com passagens marcantes pelo Rio Branco e pelo Coritiba, onde ostentou o prestígio de ser um dos capitães mais jovens da história do Coxa.
Mais do que técnica, ele transmitiu aos filhos o rigor da disciplina. Com um regime de treinamentos intensos, que aconteciam de manhã, tarde e noite, o patriarca moldou o caráter esportivo dos herdeiros, ensinando que o respeito à hierarquia e aos comandantes é a base para qualquer sucesso no esporte.
— Realmente, treinei eles. De manhã, de tarde, de noite. Direto, futebol. E eles aprenderam a respeitar, além do conceito que eles sempre tiveram. Aprenderam a sempre respeitar os comandantes. Fazia treinamentos com eles, direto. E tive o prazer de colocar eles em time grande. Não eu coloquei, mas foi incentivo meu — explicou Vivi.
Erwin Walter Aal Junior (Vivi), pai de Allan Aal
Jairton Conceição/RPC
O peso do sobrenome
Essa herança, no entanto, veio acompanhada de uma responsabilidade silenciosa. Para Netinho, irmão de Allan e também ex-jogador e treinador, o peso do sobrenome sempre foi um desafio e um combustível.
Ele reconhece que as portas abertas no Coritiba foram reflexo direto da “margem de positividade” deixada pelo pai, um legado de liderança que exigia que os filhos fizessem jus à história da família. Ao lado de dona Denise, Vivi construiu em Paranaguá um alicerce sólido onde o futebol sempre foi o tema central da mesa de jantar e dos planos para o futuro.
— Nada é fácil. Porque o pai foi ídolo no Coritiba. Foi considerado um dos capitães mais jovens da história do Coritiba. Então, existia aquele peso. A gente teve oportunidade no Coritiba, em função do que (nosso pai) fez lá atrás. Do que ele deixou. A margem de positividade que ele deixou — falou Netinho, irmão de Allan Aal e ex-jogador de futebol.
Telespectadores mostram paixão pelo Londrina
Responsabilidade antes do desejo
A jornada da família Aal ganha agora novas variações com a ascensão de Allan Aal na carreira de treinador. Após seguir os passos do pai como jogador profissional, ele encontrou na área técnica a sua verdadeira vocação.
A possibilidade de conquistar seu primeiro título estadual como comandante não é apenas uma meta pessoal, mas o coroamento de um estilo de vida baseado na renúncia. A disciplina exigida por Vivi lá atrás ecoa hoje na educação que Allan transmite à filha, Maria Antônia.
Para ela, o pai ensinou que as responsabilidades devem sempre preceder os desejos, uma filosofia que molda não apenas atletas, mas cidadãos preparados para as cobranças da vida.
— Ele ensina a gente a ter muita disciplina. Eu e meus irmãos, eu sou a do meio, a gente sempre teve isso como meta e como uma parte da criação. Ele ensinou que nossas responsabilidades vêm antes dos nossos desejos, então sabemos disso — destacou Maria Antônia.
— A cobrança, ela existe em todas as áreas. Então, (tem que) ser uma boa profissional, uma boa estudante, uma boa filha, uma boa mãe. Graças a tudo que ele me fez ser como mulher e como filha, principalmente — completou a filha do treinador.
Maria Antônia, filha de Allan Aal
Jairton Conceição/RPC
Sacrifício invisível
Emocionado ao falar de suas raízes, Allan Aal não esconde que o futebol exige sacrifícios que o público, do lado de fora, raramente consegue mensurar. O distanciamento da família e a abdicação de uma rotina comum são as “moedas de troca” para quem vive a intensidade dos estádios.
Para o técnico do Londrina, cada momento longe de casa precisa valer a pena através do trabalho e do empenho dentro das quatro linhas.
— Toda vez que eu falo da minha família me emociona muito, porque a gente abre mão de muita coisa e não só nós. Futebol não é fácil. Para todos nós que trabalhamos no futebol, ele é muito difícil — falou Aal.
— Então eu falo para os atletas, todos esses sacrifícios, entre aspas, essas coisas que a gente abre mão da vida na normal, tem que fazer valer a pena dentro de campo, com trabalho, com empenho — finalizou o treinador.
Allan Aal, técnico do Londrina
Rafael Martins/Londrina EC
No jogo de ida, os times ficaram no empate por 0 a 0, em Ponta Grossa. Desta maneira, quem vencer o duelo de volta será campeão estadual. Em caso de nova igualdade, independente da quantidade de gols, a disputa do título vai seguir para a disputa de pênaltis. O ge acompanha a partida em Tempo Real.
Mais notícias do esporte paranaense no ge.globo/pr geRead More


