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Entre taças e traumas: o que os Estaduais deixam para o restante da temporada

Entre taças e traumas: o que os Estaduais deixam para o restante da temporada

Cruzeiro 1 x 0 Atlético-MG | Melhores momentos | Final | Campeonato Mineiro 2026
É surpreendente o efeito que os campeonatos estaduais provocam em um espaço de poucas semanas. No começo do ano, ao menos para os clubes grandes, são tratados quase como uma pré-temporada de luxo, mas quando chegam as fases decisivas transformam-se na Copa do Mundo de cada Estado. Obviamente, na maioria das vezes, essa oscilação de humor tem a ver com os perrengues íntimos diante de rivais de toda a vida. O desfecho, no entanto, muitas vezes reflete no desenrolar do restante da temporada.
A noite vivida pelo Palmeiras sublinha a contribuição histórica dos Estaduais. Ainda que não tenha derrubado um adversário tradicional, ao vencer o Novorizontino os palmeirenses não apenas conquistaram seu 27º título paulista, mas viram dois personagens já célebres estenderem sua mitologia: Abel Ferreira tornou-se o técnico mais vezes campeão pelo clube (onze títulos desde que chegou, em 2020), enquanto o zagueiro Gustavo Gómez se transformou no maior vencedor dentro de campo (treze taças levantadas).
Mosaico da torcida do Cruzeiro, no Mineirão
Foto: Gustavo Aleixo/Cruzeiro
Aos vencedores, além da taça e das batatas, também um pouco mais de tempo e sossego para as grandes competições que logo vão começar a se acavalar. No caso específico do Cruzeiro, um pouco mais do que isso, na verdade. É fato que, com o título, o trabalho de Tite ganha algum respiro após um início marcado pela insatisfação quase geral da torcida estrelada, mas o Mineiro trazia uma dessas rusgas que interferem no próprio curso da história: era preciso interromper a sequência de conquistas do Atlético-MG, que ameaçava conquistar seu sétimo título seguido. A briga generalizada ao fim do jogo, por mais condenável que seja, reflete a gravidade da situação e os rancores nutridos com toda dedicação de ambos os lados.
Fluminense x Flamengo
Alexandre Loureiro/AGIF
Também o Flamengo angaria alguma tranquilidade após vencer, nos pênaltis, o Fla-Flu decisivo pelo Campeonato Carioca. É o caso do time, com recentes atuações e resultados decepcionantes, que pela primeira vez era comandado por Leo Jardim, mas especialmente a diretoria rubro-negra, fortemente questionada após a surpreendente demissão de Filipe Luís, mencionado por grande parte do grupo campeão. É um título carregado de ironia: o mal-estar entre o ex-técnico e a diretoria se acentuou justamente quando houve a ordem de escalar titulares já nas primeiras rodadas, devido ao risco de rebaixamento no Estadual.
Assim como em Minais Gerais, os capítulos finais do Gauchão também sucederam repletos de tensão e gritaria, ainda que com cenas menos explícitas. Não exatamente por um desfecho aberto até os últimos instantes, pois o Grêmio havia encaminhado o título na primeira partida, mas pela atmosfera beligerante que colocou a arbitragem, fortemente criticada pelos colorados, sob todos os holofotes. No segundo jogo, o time de Luís Castro jogou com a cartilha do resultado adquirido debaixo do braço, mas a partida da Arena (assim como havia acontecido contra Botafogo e Atlético-MG pelo Brasileiro) mostrou que o trabalho do técnico português tende a ganhar fôlego, justificando o projeto montado quando de sua contratação.
Grêmio levanta a taça do Gauchão
Rafael Favero
No caso desses três campeonatos específicos, os derrotados vivem realidades bastante distintas. Enquanto o Fluminense apresenta um sólido trabalho e um futuro promissor sob o comando de Luis Zubeldía, os colorados ainda observam o trabalho de Paulo Pezzolano engatinhar, já com a necessidade de se recuperar do tombo no Estadual para começar a pontuar de forma consistente no Brasileiro. Quando se pensa no Galo, será como se o ano começasse apenas agora, pois faz poucos dias que o técnico Eduardo Domínguez chegou para tentar extrair um futebol compatível com a qualidade do elenco.
Esse contraste também pôde ser observado na decisão do Campeonato Baiano, mas atenuado pelo fato de que Bahia e Vitória hoje vivem realidades financeiras muito diferentes. E a verdade é que o time de Jair Ventura desempenhou um papel muito digno na Fonte Nova, sendo superado apenas com boa dose de drama pelos tricolores, deixando uma perspectiva otimista para realizar uma campanha segura no Brasileiro. O resultado oferece certa serenidade para a equipe de Rogério Ceni após a dolorosa e inesperada eliminação na fase preliminar da pré-Libertadores frente ao O’Higgins, e a missão é se restabelecer para novamente conquistar, com título ou não, a vaga na principal competição continental do próximo ano.
Bahia vence o Vitória em final única e é campeão baiano pela 52ª vez
Tratados com alguma displicência nos primeiros dias do ano, os Estaduais novamente servem como norte para projetos que há pouco tempo eram contestados, e também desorientam um pouco a bússola de outros navegantes. O que parece não ter discussão é que um fim de semana como esse que vivemos é um dos grandes momentos da temporada brasileira: clássicos espalhados por todo o país, com estádios tomados e rivalidades seculares vividas à flor da pele. O resto do calendário que lute. geRead More