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Filipe Luís vê posição ideal para Paquetá no Flamengo e comenta protesto da torcida: “Tem razão”

Filipe Luís vê posição ideal para Paquetá no Flamengo e comenta protesto da torcida: “Tem razão”

Madureira 0 x 8 Flamengo | Melhores Momentos | Campeonato Carioca 2026
O Flamengo goleou o Madureira por 8 a 0 nesta segunda-feira, no Maracanã, e garantiu a vaga na final do Campeonato Carioca 2026 contra o Fluminense. Mas mesmo assim, o time voltou a ser alvo de gritos de “time sem vergonha” após o jogo. Em entrevista coletiva, Filipe Luís foi perguntado sobre os protestos nos últimos dias e não condenou as manifestações, dizendo entender a torcida:
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— Entendo perfeitamente. Gosto de lembrar sempre que eu usava a camisa do Flamengo quando era pequeno, sou torcedor do Flamengo igual a eles. Quando me coloco no cargo de jogador primeiro, é uma escolha de vida, sabia da pressão que era. Um dos meus melhores amigos no futebol, o Diego Ribas vivia essa cobrança. Eu via de longe e quis viver essa torcida, no bom e no ruim. Como treinador, a partir do momento que quis começar aqui e o clube me abriu as portas, eu sabia de tudo. Sei que o torcedor acreditou em mim, me deu muita confiança, convenceu a diretoria a me deixar no cargo. Eu não tenho esse perfil de dar carrinho, gritar, mas tenho o perfil de respeito pelo escudo.
— Deixei minha alma aqui dentro. Quando o torcedor cobra, ele tem razão. O resultado não está vindo, e ele não está se sentindo representado pela equipe que está jogando. Eu sou o responsável por isso, sei disso. O que fiz muito foi trabalhar mais, evoluir para poder devolver esse carinho em todos esses anos, que foram os mais felizes da minha vida. E sempre quero retribuir o máximo possível. Poderia te dizer que dói, mas não. Eu entendo perfeitamente o torcedor. O que posso fazer melhor ainda para trazê-los para o nosso lado de novo. O que me deixou feliz é que eles protestaram, mas apoiaram muito durante os 90 minutos, e isso refletiu nos jogadores. Quando o jogo acaba tudo é válido.
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Filipe Luís em Flamengo x Madureira
André Durão
Filipe Luís também elogiou Lucas Paquetá, que fez sua melhor atuação desde que voltou ao Flamengo há um mês. O camisa 20 jogou na função de Arrascaeta, que foi poupado, e fez dois gols e cruzou para outro marcado contra pelo zagueiro Jean Vianna. O técnico enxergou a posição como ideal para o meia e admitiu que vai precisar quebrar a cabeça para encaixar o time:
— Efetivamente acho que hoje foi o dia que senti ele mais confortável dentro do campo. Com movimentos muitos naturais, direção ao gol, jogador vertical, jogador determinante, que na área leva muito perigo, atacando espaço, condução, finalização, cabeceio… Senti ele no lugar onde pode ser mais confortável. É a mesma posição que jogou o Carrascal, mas por ter a perna natural facilita muito o jogo dele, com a força física, pode ser a posição ideal para ele. Temos que tentar encaixar esse quebra-cabeça e colocar os melhores dentro do campo.
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Veja outras respostas da coletiva:
Faltava confiança ao Pedro?
— O jogo realmente ficou descontextualizado depois da expulsão, com todo respeito à inferioridade técnica do nosso adversário. Mas tiveram boas conexões dentro do campo durante o jogo. A confiança faz parte disso. O Pedro é um jogador determinante e que vem jogando. Parece muitas vezes que o treinador está contra o Pedro porque ele não joga, mas não é assim. Jogou contra o Corinthians, jogou contra o Lanús, mas o Pedro também tem o direito de não estar no seu nível, assim como todos os outros. Eu, mais do que ninguém, quero o melhor Pedro do mundo. Por isso que ele jogou 90 minutos contra o Madureira porque eu quero que ele recupere a confiança, atacante vive de gol. A partir do momento que entrou o primeiro, os outros foram mais fáceis. Ele está em busca de retomar o melhor nível dele para ajudar a equipe.
Críticas a Plata
— Cada jogador tem uma forma de lidar e superar os momentos adversos. O Plata é um jogador que se esforça durante os 90 minutos e se sacrifica pela equipe. Ele está passando por esse momento de ser sacrificado. O que temos que fazer como grupo é mostrar a importância que ele tem. Ele tem muitas valências que nos potencializam como equipe. Tenho certeza que ele vai nos ajudar muito ainda, espero que supere esse momento o quanto antes.
Protesto em ambientes pessoais
— O torcedor tem todo o direito de protestar, ir ao CT, demonstrar a insatisfação. O nosso papel é tentar nos aproximarmos o máximo possível e que eles se sintam reprentados, com uma resposta em campo. Espero que o torcedor se sinta representado o mais rápido possível.
Ambiente de pressão
— Sempre quando se perde um jogo o ambiente tem a tendência de ficar triste, quieto, calmo. Eu sempre tento separar as coisas. Que o jogador tenha harmonia para trabalhar, sempre tem aqueles que jogam menos, que acham que não são tão importantes… Meu papel é deixar o ambiente mais leve, mas nunca é leve depois de perder duas finais. O jogador sente a cobrança externa e interna. Ninguém está para brincadeira. Quero que eles se sintam o mais leve possível.
Como está o desempenho físico?
— Futebol são momentos, momentos de ânimo. Jogos assim são importantes para recuperar a confiança com bola e com o torcedor. Eu sou da teoria que jogador grande cresce em jogo grande. Eu sempre espero a melhor versão dos meus jogadores. Cabe a mim fazer o melhor plano de jogo para a gente vencer.
Janela foi positiva?
— Temos um elenco ultra, super competitivo. Claro que tem que demonstrar logo, mas somos o melhor elenco da América. Temos um elenco muito bom, ainda mais com as chegadas de Andrew, Vitão e Paquetá. Se fechar assim mesmo estamos muito bem servidos.
Fluminense na final
— É um adversário muito difícil, nos últimos anos sempre foram jogos complicados para o Flamengo. Nós também somos complicados para eles, é um clássico muito igualado pela rivalidade e pelo que representa no Rio de Janeiro. Vai ser a primeira vez que vamos ter cinco dias para treinar com o grupo todo. Isso é fundamental para que possamos fazer vários tipos de treinamento que não tivemos tempo para fazer, e chegarmos o melhor possível nesse jogo. Que possamos chegar na nossa melhor forma física e mental depois dessa vitória de hoje para podermos fazer um grande jogo. E, tomara, vencer essa final, que é muito importante para todos nós.
O que não pode faltar na final?
— Não pode faltar um jogo perfeito. O Fluminense não permite erros. Todas essas derrotas que tivemos têm contextos diferentes. A do ano passado tínhamos sete jogadores nas seleções, a desse ano nós tínhamos voltado da pré-temporada e a primeira derrota foi antes da semifinal da Copa do Brasil, também com time alternativo. Pode acontecer qualquer coisa no domingo. Espero chegar na nossa melhor versão porque precisamos ser perfeitos. O que esse clássico representa para o Rio de Janeiro somente ganha se estiver no seu melhor.
3º jogo sem levar gol com Vitão
— Vitão tem muito potencial, muito talento, mas o principal é que gosta de aprender, treinar e perguntar, é humilde. A margem de evolução é muito grande. Ele faz todos os conceitos que pedimos. O zagueiro no nosso time faz várias funções, ele já trabalhou com vários treinadores e tem várias qualidades. Ele é um jogador que pede passagem, cada jogo que ele faz desse nível ele me dá uma dor de cabeça boa.
Pediu um centroavante?
— Temos centroavante. Claro que estamos procurando desde o ano passado, estamos no mercado avaliando, até para criar essa concorrência interna que eleva muito o nível dos jogadores, para que possam crescer ainda mais. Não é uma tarefa fácil, acompanhei bastante esse processo. Mas acredito que com o Pedro recuperando o nível… Vimos onde ele deixou a régua no ano passado até ele fraturar o braço na fase final. Jogo contra o Palmeiras, o Botafogo, onde ele fez a diferença. Na hora que recuperar esse nível, não tenho nenhuma dúvida de que é “o” jogador. Outros podem jogar ali, como Bruno Henrique, Plata. O Paquetá também já fez essa função, Wallace (Yan) também faz ali. Estamos servidos na posição. O Flamengo está sempre buscando os melhores jogadores. Não só porque esse é, na minha visão, o melhor elenco, que tem que parar por aí. Temos que sempre evoluir.
Como está o mental do Filipe?
— Como falei, me desafio o máximo, sempre. Esse é o momento que mais me desafiou na vida. Meu mental é ser movido a desafios. Gosto tanto dessa profissão que gosto também do momento que não é tão bom.
Cebolinha de lateral na Recopa
— O “Cebola” estava jogando pela esquerda e faltavam uns 15 minutos para acabar o jogo. Estávamos empatando. Coloquei mais um atacante, 3-5-2, e o Cebola de ala direito para tentar fazer um gol. Fizemos, sofremos o pênalti. Fiquei com Bruno e Pedro na frente, Arrasca e Paquetá, Cebola na direita, Jorginho e Pulgar, e o Ayrton na esquerda. Era a forma que eu tinha. Não coloquei o Cebola de lateral-direito porque achava que era bonito. Quis colocar um atacante a mais porque só conseguíamos chegar com cruzamentos, mas essa pergunta não tive depois, na coletiva. Fica no ar. Fico feliz de poder explicar.
Falta autocrítica ao trabalho?
— Suas perguntas são sempre muito difíceis, mas gostei dessa. Muito boa. Eu sou o cara que mais tem autocrítica, que menos dorme, que mais se cobra. Talvez, a mensagem pós-jogo (após vice para o Lanús, sobre avaliações da torcida e da imprensa) não conectou. Nós, como treinadores… Quando digo que é um bom jogo, dentro das fases do que eu imagino e onde eu queria levar, ele aconteceu. O jogo que eu imaginava, como íamos sair da pressão, empurrar o adversário para dentro da área, onde estavam os espaços. Tudo isso aconteceu. Eu avalio o jogo segundo isso. Como defendemos, como o adversário praticamente não criou, fizeram um gol num erro nosso. Depois, dentro da área deles, cabe aos jogadores fazer a diferença que não fizemos. Tivemos os melhores jogando. Jogaram no primeiro tempo os que eu achava que eram os melhores, depois entrou um banco com o melhor elenco da América, e os jogadores não estavam em um dia tão fino, a bola, não sei. Qualquer coisa.
— Não conseguimos resolver nessa melhor situação. Tomamos um gol faltando 2 minutos, e já o contra-ataque final para arrematar. O adjetivo usado não foi o certo, um grande jogo. Quando você perde, não pode ter sido um grande jogo. Mas segundo a minha análise como técnico sobre o que eu esperava e o que eu quis fazer, foi dentro do que cabe. A execução das coisas não foi boa, sei disso. Os jogadores não estão no seu melhor momento de confiança. Tudo é um processo, é tudo junto. Eu mesmo analiso não só a minha tática mas também a minha (entrevista) coletiva. Já falei para vocês, não é fácil para mim. Depois de um ano, e amar o clube, a torcida, sabendo que… Perdi duas finais. Muito difícil chegar aqui (na sala de entrevista) frio e falar, e estou trabalhando nisso para tentar melhorar, me conectar com o torcedor. Quero passar essa mensagem. Hoje é mais fácil porque ganhei. No outro dia, para mim não era tão fácil.
— Odeio perder, odeio perder, tenho muita dificuldade de lidar com a derrota. Sempre foi assim, não consigo dormir, fico dias amargurando as derrotas. Eu erro, não tenho problema nenhum de assumir. Falo perfeitamente que sou o responsável. Já disse outras vezes: talvez o torcedor goste mais desse perfil de jogador que dá carrinho (enérgico), que conecta mais. Eu sou um perfil diferente, mas me conecto com o torcedor de outra forma. Sempre senti essa conexão. Independente do que acontecer daqui para frente. Se amanhã eu não estiver aqui, o meu amor e o meu carinho pelo Flamengo sempre vão existir, e acredito que do torcedor para mim também. Agora, a cobrança momentânea tem que existir sempre. Como jogador, fui muito cobrado e criticado, com razão, e isso me fez ser melhor. Não tenho dúvida de que vivi os melhores anos da minha vida aqui.
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