Futebol na guerra: como joia de 18 anos deixou o Cruzeiro para realizar sonho de Europa na Ucrânia
Cauan Baptistella, jogador do Metalist, conta como é a vida na Ucrânia em meio à guerra
Cauan Baptistella vivia o sonho de chegar ao profissional. Campeão da Copinha 2026, foi um dos escolhidos por Tite para a estreia do Cruzeiro em 2026. Deu até assistência. Os planos mudaram em 10 dias, com a proposta do Metalist, da Ucrânia. O sonho de jogar na Europa falou mais alto, mesmo com o país do Leste ainda em guerra com a Rússia.
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Em entrevista ao ge, Cauan – que havia renovado contrato com o Cruzeiro até 2030, com uma multa milionária – explicou que a decisão de deixar o Brasil para jogar no futebol ucraniano foi boa para os dois lados.
– As coisas aconteceram muito rápido mesmo. Até eu esperava ter mais minutos e mais espaço no Cruzeiro. Foi um negócio muito rápido que aconteceu. Para mim e para o Cruzeiro, foi um negócio bom. Sempre era um sonho meu de ir para Europa. Apareceu a oportunidade, o Metalist abriu as portas para a minha projeção para realizar um sonho – disse o jovem jogador.
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Cauan Baptistella comemora gol pelo Metalist
Divulgação/ Metalist
Na venda de Cauan, o Cruzeiro vai receber 5 milhões de euros (R$ 30,9 milhões). Manteve 30% dos direitos econômicos do jogador.
Filho de Cleyton Baptistella, ex-jogador de Futsal na Itália, o meia de 18 anos tem dupla cidadania – nasceu em Benevento, no sul da Itália – e ainda pode defender as duas seleções. Assinou contrato até 2030 com o Metalist.
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No ano passado, antes de assinar a renovação com o Cruzeiro, o meia havia despertado interesse de outros clubes europeus, como Napoli (Itália), Porto (Portugal) e RB Leipzig (Alemanha). No Cruzeiro, era observado no profissional desde os 15 anos.
– Quando eu vim para cá, a gente pesquisou sobre isso. Tinha falado com alguns meninos do Shakthar, que eu conheço. Conversei com meu empresário também. Eles me falaram que não é o que chega no Brasil. Aqui o clube me dá conforto, onde fico seguro. Se caso acontecer alguma coisa, tenho um lugar para ficar completamente seguro. Tem a guerra, infelizmente, mas o que estou vivenciando aqui, onde estou, está tudo tranquilo – garantiu o jovem.
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Cauan está em Kiev, capital ucraniana. Está morando junto à namorada em apartamentos cedidos pelo próprio Metalist e que conta com proteção antibomba nos subsolos. Mesmo com o país em guerra, ele contou nunca ter passado por nenhuma situação que o deixasse tenso.
– Está sendo uma vida normal. Aconteceu já de eu estar no shopping e tocar o alarme na cidade. Mas o alarme não é coisa que vai acontecer, é que há um risco. Aconteceu nos primeiros dias comigo no shopping. Tocou o alarme. Achei que o pessoal iria ficar desesperado. As lojas fecham. Quando o alarme toca de novo, as lojas reabrem. Vi a reação, o pessoal saindo para rua, conversando, criança na rua. Passaram 20 minutos, o alarme tocou de novo, e as lojas reabriram.
É uma escolha nossa, um sonho. Não é tudo que chega aí. Claro que talvez na cidade mais próxima à Rússia, possa acontecer. Mas acredito que não esteja habitado como está aqui (em Kiev).
Cauan Baptistella pelo Metalist
Divulgação/ Metalist
O Metalist é originalmente de Kharkiv, cidade mais próxima à fronteira da Rússia. O clube deixou a cidade e passou a treinar na capital ucraniana. Os jogos acontecem em Zhytomyr, a uma hora da capital ucraniana.
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No novo clube, Cauan tem três partidas, contando um amistoso. Marcou o primeiro gol como profissional na última partida, quando foi titular. A equipe está na semifinal da Copa da Ucrânia e em sexto lugar no campeonato nacional.
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– Conversei com meu pai. A gente viu que seria um bom primeiro passo para me formar profissionalmente, para ganhar casca de profissional. Estou me preparando muito bem. Eu estando no meu alto nível, 100% fisicamente, aqui consigo fazer meu jogo e me destacar. Mais maduro e mais pronto, vão surgir oportunidades (em grandes ligas europeias). Vai ser consequência do que eu fizer aqui. Talvez chegando em outro país, posso estar mais pronto e desenvolvido.
Mágoa do São Paulo e volta ao Cruzeiro?
Antes de chegar à base do Cruzeiro, Cauan iniciou a formação na Portuguesa de Desportos e, depois, passou pelo São Paulo. No clube paulista, acabou dispensado aos 14 anos. Situação que não deixou cicatrizes.
– Eu era muito novo. Tinha 14 anos. Tinha muita coisa pela frente. O que passei no São Paulo, as amizades que fiz, não fiquei com mágoa. Mas acho que aconteceu para acontecer algo melhor. Tive passagem curta no SKA Brasil, de meses. E, depois fui para o Cruzeiro, quando foi a melhor escolha que fiz. Tive destaque, carinho. Amo o clube hoje.
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