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Grêmio encaminhou o título ao não perdoar a fragilidade colorada

Grêmio encaminhou o título ao não perdoar a fragilidade colorada

Grêmio 3 x 0 Internacional | Melhores momentos | Ida da final | Campeonato Gaúcho 2026
Os dias que antecederam o primeiro Gre-Nal decisivo do Gauchão traziam a impressão de que qualquer coisa poderia acontecer. Ao menos se fossem levados em conta os jogos no Brasileiro, onde a régua é bastante mais alta do que no Estadual.
Todo mundo se olhava de canto de olho, e não havia um favorito evidente, pois o time gremista obteve resultados positivos, mas estava devendo em performance, enquanto os colorados até tiveram desempenho satisfatório em alguns jogos, mas ainda não venceram na competição. Tudo podia acontecer, e de fato tudo que aconteceu de correto pendeu para o lado gremista da balança.
O Gre-Nal é aquele tipo de confronto em que um lance muito específico e surpreendente costuma subverter o andamento das coisas — e mesmo interferir nos rumos da geopolítica internacional ou alterar o curso das marés. Depois de cerca de trinta minutos em que Grêmio e Inter fingiam que jogavam, deixando para depois qualquer ousadia, o colorado Bruno Gomes cobrou uma falta com displicência quase adolescente. Depois da bola rebater na barreira, com o sistema defensivo estropiado, Bernabei saiu desesperado em perseguição a Amuzu, não sossegando até fazer uma falta digna de cartão vermelho. E esse foi o exato momento em que as placas tectônicas sob a Arena se movimentaram.
Enamorado marca para o Grêmio no Gre-Nal 450
Maxi Franzoi/AGIF
A vulnerabilidade repentina em um Gre-Nal funciona mais ou menos como aquela expressão sobre o tubarão percebendo uma gota de sangue na água. Ou, para trazermos para o contexto regional, como o cachorro que sente o cheiro da primeira gota de gordura que pinga na brasa. A partir do momento em que se viu com um a mais, o time de Luís Castro desabou sobre o Inter, não permitindo sequer que Paulo Pezzolano tentasse reconfigurar seu time. Em poucos minutos, com um golaço de Enamorado e Amuzu reinando sozinho em outro contragolpe, o 2 a 0 já despontava no placar. O Grêmio havia identificado o cheiro da fragilidade colorada.
Dessa forma, o andamento do clássico foi determinado por um time que cometeu erros extremos e outro que praticamente passou a tarde sem tropeçar em um equívoco sequer. Enquanto o Inter sofria três gols nascidos diretamente de falhas, especialmente individuais, como duas jogadas perdidas por um irreconhecível Alan Patrick, a esquadra gremista mostrava Viery, Pavón e Amuzu vivendo uma jornada de gala, com o centroavante Carlos Vinícius sacramentando o 3 a 0, placar que soa irreversível para a volta, no Beira-Rio.
A impressão é que Paulo Pezzolano se sentiu confortável demais após a vitória por 4 a 2, na primeira fase do Gauchão, além de não ter feito a leitura correta após ter um jogador a menos, quando o instinto de sobrevivência deveria falar mais alto, ao passo que Luís Castro se debruçou sobre aquele primeiro clássico para solucionar os problemas — e isso ficou visível na marcação a Alan Patrick, que passou o jogo acossado por um batalhão gremista. No Gre-Nal em que tudo podia acontecer, ontem o Grêmio teve resultado e desempenho diante de um rival que desmoronou.
Além de praticamente garantir o título estadual para o Grêmio, um resultado dessa envergadura tem o poder de ecoar temporada afora, para ambos os lados. Para o time de Luís Castro, além da provável conquista, proporciona ânimo e garante compreensão. Aos colorados, por enquanto resta apelar ao imponderável e esperar algum evento extraordinário que deflagre o caos no gramado do Beira-Rio, no próximo domingo.
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