Juristas acusam governo de Bukele de ‘crimes contra a humanidade’ em El Salvador
O presidente de El Salvador, Nayib Bukele, planeja construir uma cidade chamada Bitcoin City, enquanto incentiva seu país a usar a moeda digital.
Reuters via BBC
Um grupo de juristas internacionais acusou, nesta terça-feira (10), o governo do presidente de El Salvador, Nayib Bukele, de cometer “crimes contra a humanidade”, como torturas e desaparecimentos, em sua guerra contra as gangues.
O país está em um estado de exceção que permite detenções sem ordem judicial. Em quase quatro anos, o governo prendeu cerca de 90 mil pessoas. Dessas, cerca de 8 mil foram libertadas por falta de provas.
“Existem bases razoáveis para acreditar que, no marco do regime de exceção, foram cometidos crimes contra a humanidade”, disse o diretor para a América Latina da ONG InterJust, Ignacio Jovtis, ao apresentar o relatório de cinco especialistas.
O relatório do Gipes foi exposto em uma audiência do período de sessões da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) na Cidade da Guatemala.
Gipes é a sigla do Grupo Internacional de Especialistas para a Investigação de Violações de Direitos no Marco do Estado de Exceção em El Salvador, composto por juristas internacionais.
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Os delitos abrangem encarceramentos em violação ao direito internacional, até mesmo de crianças, “tortura, assassinatos, desaparecimentos forçados, violência sexual, perseguição e outros atos desumanos”, acrescentou o grupo em um comunicado.
Na audiência, a vice-chanceler salvadorenha, Adriana Mira, rejeitou as acusações e afirmou que em seu país “não há desaparecimentos forçados nem nada que se assemelhe a isso”.
O relatório se soma à recente denúncia da reconhecida ONG salvadorenha Cristosal de que Bukele mantém 86 “presos políticos”. A ONG transferiu suas operações para a Guatemala alegando perseguição por parte do governo.
O governo tem impulsionado “campanhas de estigmatização e criminalização contra a sociedade civil e a imprensa”, alegou o Gipes, apoiado pela Federação Internacional de Direitos Humanos e pela Comissão Internacional de Juristas.
Os dados obtidos a partir de informes oficiais e independentes, e de vítimas, apontam 403 mortes sob custódia estatal, incluindo quatro crianças, e 540 casos de desaparecimento forçado sob o estado de exceção.
“Não se trata de casos isolados, mas de uma política na qual se cometem crimes em grande escala e de maneira sistemática”, acrescentou em um comunicado José Guevara, especialista em direito humanitário e integrante do grupo que elaborou o relatório.
A guerra de Bukele contra as gangues reduziu a violência a mínimos históricos em El Salvador e transformou o presidente de direita em um dos mais populares de seu país e da América Latina.
Mas sua estratégia, cujo símbolo é uma megaprisão para membros de gangues, também é criticada porque resultou na concentração de todos os poderes do Estado, o que em 2025 lhe permitiu instaurar a reeleição sem limites.g1 > Mundo Read More


