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Justiça proíbe 2 torcedores de ver jogos de futebol em estádios após médica ser alvo de importunação sexual

Justiça proíbe 2 torcedores de ver jogos de futebol em estádios após médica ser alvo de importunação sexual

Médica assediada em jogo do Comercial cobra punição ao torcedor
A Justiça determinou que dois torcedores do Comercial sejam proibidos pela Federação Paulista de frequentar partidas em estádios após denúncias de importunação sexual contra uma médica em um jogo da Série A4 do Paulista.
Na decisão, o juiz Nemércio Rodrigues Marques decidiu que a FPF tome providências para que os torcedores identificados como Igor Nobre e Paulo Roberto Miranda fiquem vetados de frequentar jogos válidos pelo Campeonato Paulista, pela Copa do Brasil e pelo Campeonato Brasileiro da 2ª divisão.
Além disso, estabeleceu uma restrição de 500 metros de distância deles com relação ao Estádio Palma Travassos.
O juiz também determinou que a Polícia Civil instaure um inquérito contra os torcedores e determinou busca e apreensão de imagens de câmeras de segurança em um endereço ligado a Miranda.
A defesa de Igor Nobre informou que ele está à disposição das autoridades para o esclarecimento dos fatos. Paulo Miranda informou nesta segunda-feira que não tem nada a declarar sobre o assunto.
A reportagem entrou em contato com a Federação Paulista de Futebol e aguarda um posicionamento.
Médica denunciou importunação sexual em jogo da Série A4 do Paulista
Reprodução/EPTV
Importunação sexual em partida da A4
O episódio de importunação sexual ocorreu no dia 7 de março, véspera do Dia Internacional da Mulher, em uma partida entre Comercial e Nacional-SP pela Série A4 do Paulista em Ribeirão Preto.
A vítima foi a médica Bianca Francelino, que trabalhava a serviço da equipe do Nacional como freelancer. Ela relatou que torcedores gritaram palavras de cunho sexual e fizeram atos obscenos na arquibancada.
– Gritavam ‘doutora gostosa’ o tempo inteiro. ‘Doutora gostosa, vem aqui me examinar’, ‘doutora gostosa, estou com uma dor aqui’, apontando para parte íntima. Pedir WhatsApp, Instagram. Foram esses tipos de brincadeira o tempo inteiro. E também que se eu não quisesse ouvir ‘zoeirinhas’, não era para eu estar naquele lugar, que era para eu ficar em casa para próxima vez – relatou a médica à EPTV, afiliada da TV Globo.
A súmula da partida registrou que a árbitra Ana Caroline D’Eleutério foi comunicada pelo quarto árbitro sobre o relato feito pelo técnico do Nacional-SP, Tuca Guimarães.
De acordo com a FPF, a árbitra acionou o protocolo previsto no tratado pela diversidade e contra a intolerância no futebol paulista e a médica recebeu apoio.
Segundo o técnico, um torcedor teria segurado e apontado a genitália em direção à médica da equipe do Nacional, que se encontrava na área do banco de reservas. Ainda segundo o relato, a situação gerou início de discussão entre os jogadores reservas e membros da comissão técnica do Nacional com torcedores do Comercial, que estavam próximos ao alambrado.
PM controla confusão após caso de assédi contra médica em jogo do Comercial
Lindomar Cailton/EPTV
Julgamento no TJD
Depois da partida, o caso foi levado ao Tribunal de Justiça Desportiva (TJD-SP), onde o Comercial será julgado por artigos previstos no Código Brasileiro de Justiça Desportiva que tratam de atos discriminatórios relacionados a preconceito em razão de origem étnica, raça, sexo, cor, idade, condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência.
Caso seja condenada, a equipe mandante do jogo pode ser punida com uma multa de R$ 100 a R$ 100 mil. Também nessa esfera torcedores podem ser proibidos de entrar no estádio. O julgamento estava marcado para a última quarta-feira (18), mas foi adiado para esta terça-feira (24), às 16h.
O Comercial, por sua vez, registrou um boletim de ocorrência, onde alegou ter identificado dois torcedores envolvidos no episódio, agora mencionamentos oficialmente pela Justiça.
Apesar disso, até o início desta semana, não havia uma investigação criminal confirmada contra esses torcedores mencionados pelo clube. geRead More