“Maracanã de Curitiba” completa 19 anos sem jogos e vive disputa judicial por demolição
Pinheirão completa 19 anos sem jogos e vive impasse judicial
Quando os portões do gigante Pinheirão, tradicional estádio de Curitiba, se abriram para Cianorte x JMalucelli, no dia 11 de março de 2007, ninguém imaginava que dois meses depois ele seria lacrado e fechado para nunca mais receber um jogo de futebol.
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Quase 20 anos depois, o estádio, que foi construído para ser o “Maracanã de Curitiba”, vive em estado de abandono e é alvo de batalha judicial do governo do Paraná, em meio a um processo de desapropriação. O local foi casa de Athletico e Paraná Clube e recebeu jogos do Coritiba.
O Pinheirão foi onde Athletico, Coritiba e Paraná comemoraram títulos, recebeu jogo da seleção brasileira, além de ter sido palco de gols de Ronaldo e Kaká, pelas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2006.
Projeto ambicioso, para ser o segundo maior estádio do mundo, atrás apenas do Maracanã, o plano inicial previa capacidade para 180 mil torcedores. Mas a capacidade oficial era de pouco mais de 40 mil pessoas no seu último jogo. Em maio de 2007, ele foi fechado e em 2012 foi arrematado em um leilão por João Destro.
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Pinheirão à espera de demolição
Agora, o terreno de 124 mil metros quadrados está sendo desapropriado pelo governo do estado do Paraná, processo que começou em 2024, e se arrasta desde então na esfera judicial, sem um desfecho sobre o valor a ser pago ao atual dono do local, a família do empresário paranaense João Destro.
— A gente está nessa digladiação judicial pelo fato de que os valores estão exorbitantemente longe de qualquer tipo de conversa. Como o Estado não demonstrou vontade de sentar conosco para compor um valor, a gente vai usar todos os recursos possíveis para que tenha a justa indenização antes da posse do imóvel — afirmou João Destro Filho, filho do empresário, em entrevista ao ge.
Segundo Destro Filho, o governo do estado tentou pedir a tutela antecipada do terreno para conseguir avançar no projeto.
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— O Estado tentou pedir a tutela antecipada do imóvel, depositando o valor que eles acharam correto, mas como existe a nossa contestação técnica, o juiz não autorizou a posse antecipada para o Estado porque não houve a indenização. Não existe um acordo. A outra parte não está satisfeita e os valores são muitos distantes entre o que o Estado quer e a o que a gente encontrou dentro da norma da linguagem — complementou.
O plano do governo estadual é construir um centro de eventos no local, projeto que já foi divulgado pelo governador do Paraná, Ratinho Júnior, desde o primeiro anúncio, em 2024. O último vídeo publicado pelo governante nas redes sociais, em janeiro, mostra com o uso de inteligência artificial como o local ficaria após as obras.
Ainda assim, a discussão sobre o valor do terreno está longe de ter um desfecho. Em uma primeira avaliação, o estado estabeleceu o valor em R$ 64,9 milhões, enquanto que a família Destro pedia R$ 358,6 milhões. Estes valores foram inicialmente publicadas pelo UmDois Esportes e confirmados pelo ge.
Com isso, foi designada uma perícia técnica pela Justiça, que avaliou o terreno de acordo com as normas da ABNT e estimou o valor em R$ 132,1 milhões. Em setembro do ano passado, a perícia foi impugnada pelo Estado e segue sem avanços desde então.
Como está o Pinheirão em 2024
Reprodução/ RPC
Em nota ao ge, o governo do Paraná afirmou que vê com confiança a possibilidade de um desfecho da batalha judicial e destacou o projeto do centro de eventos no local, que ainda deve contar com hotéis e uma arena de exposições.
— O Governo do Paraná tem um projeto ambicioso para revitalizar a área onde está o Pinheirão. Ele prevê um centro de eventos, uma arena de exposições e um complexo comercial com hotel, restaurante, academia e lojas — diz a nota.
— Com isso, a área que está sem uso há 19 anos colocaria o Paraná na rota de grandes eventos do Brasil, potencializando o turismo e o setor de serviços. O Estado está confiante em uma solução breve na Justiça para dar prosseguimento na desapropriação e no projeto — finaliza.
A justificativa para um valor mais elevado do terreno seria o potencial construtivo do local e as características do local, como o terreno plano, e de frente para uma avenida.
Enquanto as duas partes não entram em acordo, o Pinheirão segue à espera de um destino e sobrevive como um local nostálgico do futebol paranaense.
Pinheirão não recebe jogos há 19 anos
Reprodução/RPC
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