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Meia do Suriname, Djavan disputa vaga na Copa e explica nome de cantor: “Meus pais eram fãs”

Meia do Suriname, Djavan disputa vaga na Copa e explica nome de cantor: “Meus pais eram fãs”

Definidos os confrontos da repescagem para Copa do Mundo de 2026
Com sonho inédito em jogo, o Suriname começa sua caminhada na repescagem intercontinental da Copa de 2026 nesta quinta-feira, na semifinal contra a Bolívia. Entre os convocados da seleção surinamesa, um nome chama atenção pela ligação com o Brasil: Djavan Anderson. O lateral, que também atua como meia, carrega no nome uma homenagem ao cantor brasileiro, admirado pelos pais, e já visitou o país diversas vezes.
Meu nome é engraçado, porque a minha mãe é do Suriname e meu pai é da Jamaica. Mas os dois eram grandes fãs do Djavan, o cantor brasileiro.
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A relação de Djavan, que atualmente joga no Al-Ittifaq, dos Emirados Árabes, e teve passagem pela Lazio, com o Brasil vai além do nome. Filho de mãe surinamesa e pai jamaicano, Djavan cresceu ouvindo histórias do país e chegou a viver de perto a cultura brasileira ainda na infância. O pai morou por quase uma década no Brasil, o que aproximou a família do idioma, da música e, principalmente, do futebol.
Filho de mãe surinamesa e pai jamaicano, Djavan Anderson recebeu nome em homenagem ao cantor brasileiro
Divulgação
Antes dele, o irmão mais velho recebeu o nome de Airto, em homenagem ao músico brasileiro Airto Moreira, percussionista e baterista reconhecido internacionalmente. O lateral-direito diz que chegou a passar alguns meses na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, onde o pai morava, há cerca de 22 anos atrás. Ainda criança, Djavan se encantou com o país.
— Eu ia muito ao Brasil, ficava meses lá. O país respira futebol. Tudo é futebol. Você vai na praia e as pessoas estão jogando futebol. Eu me apaixonei pelo país logo de imediato. Sempre digo que preciso voltar. O mais especial para mim eram as pessoas, a forma como se tratavam. Para mim, é um lugar muito especial.
A ligação com o futebol brasileiro também ajudou a moldar o jogador. Djavan relembra que grandes nomes do esporte foram decisivos para despertar o desejo de seguir carreira.
— Os primeiros jogadores que me fizeram querer jogar futebol foram Ronaldo e Ronaldinho, e depois Zidane, que também mudou a forma de jogar. Esses três transformaram o futebol.
É um dos melhores lugares que já estive. Então, você pode imaginar: quando estou lá e digo meu nome, as pessoas começam a falar português comigo
Filho de mãe surinamesa e pai jamaicano, Djavan Anderson recebeu nome em homenagem ao cantor brasileiro
Divulgação/Suriname
Suriname e a fuga de talentos
Por décadas, o Suriname enfrentou um entrave que impactou diretamente sua seleção: a proibição da dupla nacionalidade. A regra impedia que jogadores com raízes surinamesas representassem o país caso também mantivessem a nacionalidade holandesa, o que levou muitos a optarem por defender a Holanda.
O efeito foi a formação de gerações de destaque fora do país. Jogadores como Edgar Davids, Clarence Seedorf e Jimmy Floyd Hasselbaink, todos nascidos no Suriname, brilharam pela Holanda, que chegou à semifinal da Copa do Mundo de 1998.
Essa conexão também marcou o futebol de clubes holandês. No Ajax, jogadores com raízes surinamesa tiveram papel importante na equipe campeã europeia e mundial em 1995, uma das fases mais vitoriosas da história do clube, com nomes como Edgar Davids, Clarence Seedorf, Frank Rijkaard, Patrick Kluivert e Winston Bogarde.
Kluivert, Seedorf e Rijkaard conquistaram a Champions League com o Ajax em 1995
Reprodução / Facebook
Em março deste ano, a seleção do Suriname anunciou nas redes sociais que Clarence Seedorf e Patrick Kluivert passaram a atuar como conselheiros da seleção, para contribuir com experiência no desenvolvimento do futebol do país.
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Embora a Fifa permita a convocação de atletas com ascendência, o Suriname só passou a flexibilizar essa regra a partir de novembro de 2019, com a criação de mecanismos que permitiram a jogadores da diáspora manter a dupla nacionalidade.
A medida ganhou força a partir de 2021, quando o país voltou a disputar a Copa Ouro, principal torneio de futebol entre seleções da Concacaf, após 36 anos. Do elenco recém-convocado para a repescagem, apenas três nasceram em Paramaribo, capital do país.
Nascido em Amsterdam, Djavan Anderson faz parte dessa nova geração e destaca o impacto da mudança na equipe.
— É uma grande vantagem, porque permite trazer mais jogadores. O time ficou mais forte. Com os jogadores que temos, acredito que merecemos estar na Copa do Mundo.
De líder do grupo aos playoffs
O Suriname esteve muito perto de garantir uma classificação direta histórica para a Copa do Mundo de 2026. Líder do Grupo A na última rodada, a equipe tinha vantagem no saldo de gols e dependia apenas de uma vitória para confirmar a vaga inédita.
Entretanto, o desfecho foi frustrante: na única derrota ao longo das Eliminatórias, o time foi superado pela Guatemala por 3 a 1. Com o resultado e a vitória do Panamá sobre El Salvador na rodada decisiva, os surinameses terminaram na segunda colocação do grupo e foram direcionados à repescagem intercontinental.
A seleção do Suriname vai disputar a repescagem mundial em busca da vaga inédita para a Copa
JOHAN ORDONEZ / AFP
Apesar do tropeço, o elenco mantém a confiança no objetivo de fazer história e garantir a classificação inédita no Mundial deste ano.
— Temos um grupo com origens muito diferentes, jogadores de vários níveis. Estivemos muito perto de ir direto para a Copa do Mundo. Ainda sentimos que vamos conseguir. Isso nunca mudou. Existe uma grande confiança no grupo. Só precisamos terminar o trabalho e assim nós vamos para a Copa do Mundo — afirmou Djavan Anderson.
A última vez que o Suriname esteve perto de ir à Copa foi em 1978, quando avançou até a fase final do grupo de qualificação, mas não conseguiu garantir a vaga. Em entrevista a Concacaf, Brian Tevreden, gerente geral da seleção surinamesa, comentou sobre o impacto que a classificação poderia causar.
— Seria transformador. Para o país, trata-se de orgulho e união nacional. Para o nosso futebol, trata-se de infraestrutura e futuro. A classificação para uma Copa do Mundo muda a vida de todos os meninos e meninas que jogam nas ruas de Paramaribo. Coloca o Suriname no mapa global de uma forma que nada mais consegue — disse o gerente da seleção surinamesa.
Surinames sonha com classificação inédita para a Copa do Mundo
Divulgação/Concacaf
O próximo passo dessa caminhada será decisivo. O Suriname enfrenta a Bolívia às 19h nesta quinta-feira, pela semifinal da repescagem intercontinental, em confronto único que vale a permanência na disputa por uma vaga. A partida será no estádio El Gigante de Acero, em Monterrey, no México, e o vencedor encara o Iraque na final.
Na outra chave da repescagem, Nova Caledônia e Jamaica se enfrentam à 00h desta sexta-feira (27) no estádio Akron, em Zapopan, na região metropolitana de Guadalajara, em Jalisco, também no México, por um lugar na decisão contra o Congo. geRead More