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Ministra do esporte da França diz que nova política de gênero do COI é “retrocesso”

Ministra do esporte da França diz que nova política de gênero do COI é “retrocesso”

Presidente do COI, Kirsty Coventry, anuncia teste que bane mulheres trans de competições
A ministra do esporte da França, Marina Ferrari, criticou a nova política de gênero do COI (Comitê Olímpico Internacional) anunciada na última quinta-feira. Para a dirigente, realizar testes para determinar a elegibilidade de atletas olímpicas à categoria feminina representa um “retrocesso”. Segundo Marina, os testes “levantam grandes preocupações, pois visam especificamente as mulheres ao introduzir uma distinção que mina o princípio da igualdade”.
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Marina Ferrari, ministra do esporte da França
Eric BERACASSAT/Gamma-Rapho via Getty Images
– Nós nos opomos à generalização dos testes genéticos, que levanta inúmeras questões éticas, legais e médicas, particularmente à luz da legislação francesa – disse Ferrari em um comunicado emitido nesta sexta-feira. – Esses testes, introduzidos em 1967, foram descontinuados em 1999 devido a fortes reservas da comunidade científica quanto à sua relevância. A França lamenta esse retrocesso – completou.
O procedimento é proibido na França. No entanto, a presidente do COI, Kirsty Coventry, afirmou que atletas de países onde o teste de gênero é proibido terão que ser testados em outros locais.
– Se for ilegal em um país, os atletas terão a possibilidade de serem testados quando viajarem para outras competições. É por isso que estamos dizendo que a política entra em vigor agora, mas será implementada nas Olimpíadas de Los Angeles 28. Assim, teremos tempo para analisar esse processo com todos – destacou Kirsty Coventry.
A medida anunciada nesta quinta-feira valerá para todas as competições oficiais do COI, a partir dos Jogos de Los Angeles 2028. A entidade sugere que essa política seja “adotada pelas Federações Internacionais e outros órgãos dirigentes do esporte, como os Comitês Olímpicos Nacionais, as Federações Nacionais e as Associações Continentais, ao exercerem sua responsabilidade na implementação das regras de elegibilidade relativas apenas a eventos do COI”.
Laurel Hubbard, primeira atleta trans nas Olimpíadas, competiu no levantamento de peso em Tóquio 2021
Dan Mullan/Getty Images
A medida valerá para todas as modalidades olímpicas, individuais ou coletivas. A elegibilidade à categoria feminina será determinada por um teste que determina a presença ou a ausência do gene SRY (em inglês, Sex-determining Region Y), que atua como desencadeador do desenvolvimento masculino.
O COI afirma que a decisão foi tomada com base em evidências científicas, em estudos liderados por Jane Thornton, diretora de saúde e ciência do COI. Além disso, a entidade alega que o rastreamento deste gene é feito por métodos menos invasivos, como pela coleta de saliva ou de sangue. geRead More