No Bodo/Glimt, é proibido falar de vencer e chutar de fora da área: veja projeto por trás de sensação
Até onde pode ir o surpreendente Bodo/Glimt na Champions?
O Bodo/Glimt é a grande sensação da atual edição da Champions League. Participando do principal torneio da Europa pela primeira vez, a equipe vem de cinco vitórias consecutivas, sobre Atlético de Madrid, Manchester City, Inter de Milão (2) e Sporting e está perto de se garantir nas quartas de final, depois de vencer o time português por 3 a 0 no jogo de ida das oitavas.
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A campanha da modesta equipe da Noruega, por si só, já seria surpreendente, mas se torna ainda mais curiosa quando observamos o modelo. Não se trata de um investidor externo ou de uma safra de jogadores extremamente talentosos, mas sim de foco na mentalidade coletiva. Isso inclui trabalhos com um ex-piloto de caça da Força Aérea da Noruega como preparador mental, além de regras específicas, como não falar sobre resultados. A metodologia foi implementada pelo técnico Kjetil Knutsen, no comando desde 2017.
— É um momento incrível para o clube, para os jogadores e para o futebol norueguês. Nós estamos nas oitavas de final, mas não estamos falando sobre resultados. Estamos falando sobre como performar, como podemos evoluir e desenvolver os atletas. Nós temos nossa forma de jogar e é isso que importa daqui para frente — disse o treinador após classificação para as oitavas.
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Técnico Kjetil Knutsen comanda o Bodo/Glimt desde 2017, com foco em mentalidade coletiva
Getty Images
Mentalidade coletiva e padrão tático
O treinamento mental feito com o ex-militar Bjørn Mannsverk é baseado em desenvolver o pensamento coletivo, alcançar o máximo de concentração durante os 90 minutos e superar pressão de enfrentar adversários mais fortes em torneios como a Champions League.
O ge conversou com Thiago Martins, brasileiro que é ex-jogador e treinador de atacantes da base do clube. Ele explicou detalhes da metodologia do Bodo, que envolve regras curiosas, como não se conversar sobre resultados no dia a dia, não chutar de fora da área e manter a mesma estrutura de 4-3-3 em todas as categorias do clube.
— A mentalidade não é como no Brasil, que o mais importante é ganhar o jogo. Até os caras que estão no banco, estão na paixão de estar no time. Eles cuidam um do outro, jogam pelo time. São detalhes difíceis de explicar. Isso não acontece em um dia. Demorou muitos anos. O treinador começou em 2017, e o Bodo/Glimt não tinha grana para comprar jogador.
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O Bodo/Glimt tem elenco avaliado em 80 milhões de euros, muito menos que o adversário das oitavas, Sporting (€ 464 milhões) e a diferença se torna ainda maior comparando a elencos como os de Manchester City e Real Madrid, que ultrapassam o valor de € 1,3 bilhão, em levantamento do Transfermarkt.
Mas o valor atual ainda é muito superior ao do ano de 2017, quando Kjetil Knutsen assumiu a equipe. Na época, a equipe estava na segunda divisão da Noruega e todo o plantel era avaliado em cerca de 5 milhões de euros. Inspirado em Jürgen Klopp, o treinador desenvolveu uma forma de jogar muito específica e bem coordenada, que Thiago Martins explica.
— Quando eu cheguei, o time jogava no contra-ataque. Quando Kjetil chegou, ele mudou isso. Ele quer que o outro time desça. Como fazer o oponente descer? É ter controle da bola. Ter sempre superioridade nos espaços. Isso demorou muito tempo para os jogadores entenderem e acreditarem. É por isso que os jogadores não chutam de fora da área. É proibido. É um jogo baseado em ter vantagem numérica em uma zona específica — analisa o profissional do Bodo/Glimt.
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Diferente do habitual, quando um time de menor investimento enfrenta grandes equipes na Champions League se fechando no campo de defesa, o Bodo mantém sempre um futebol mais ousado. Exerce grande pressão na saída de bola e ataca de forma coordenada e agressiva, criando aproximação e superioridade em relação aos adversários nos setores. Também invade a área adversária com pelo menos quatro ou cinco jogadores quando a bola chega à zona de ataque.
— Jogamos sempre no 4-3-3 e trabalhamos em como você ter sempre, por exemplo, o lateral esquerdo, o ponta esquerda e o meia esquerda juntos, trabalhando contra dois adversários, na maioria do tempo. E quando tem 3 vs 3, vem o Patrick Berg, que é o volante central, para dar apoio. Se o oponente joga com cinco atrás, o outro ponta vem para o outro lado. E quando cruzamos, nós sempre criamos vantagem numérica dentro da área — completa Thiago Martins.
O time também é organizado no campo de defesa, sabendo se fechar e explorando bons contra-ataques e ligações diretas ao atacante Kasper Hogh, um dos destaques da equipe. Outros nomes importantes são os de Jens Petter Hauge e Patrick Berg, frutos das categorias de base do Bodo.
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Mesmo vencendo por 2 a 0, o Bodo/Glimt marcou terceiro gol no Manchester City agredindo a área com seis jogadores
Reprodução
O calendário da Noruega é diferente dos outros países europeus, e o Bodo/Glimt não joga pelo torneio nacional desde o ano passado. Por conta do clima local, a equipe também atua em casa em gramado artificial. Estes fatores podem ser interpretados como vantagens físicas e técnicas. No entanto, o cenário do time treinado por Kjetil Knutsen também indica um menor ritmo de jogo em relação aos adversários da Champions.
O que não deixa dúvidas é o fato de o Bodo ser a grande surpresa e uma das grandes histórias do futebol europeu em 2025/26. Depois de vencer por 3 a 0 no jogo de ida, a equipe volta a enfrentar o Sporting, em Lisboa, na próxima terça-feira. geRead More


