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O que a convocação de Ancelotti indica sobre a lista final da seleção para a Copa do Mundo

O que a convocação de Ancelotti indica sobre a lista final da seleção para a Copa do Mundo

“Não está 100% de suas possibilidades”, diz Ancelotti sobre Neymar fora de convocação
Quando Ancelotti disse que a convocação de março seria “muito próxima” da lista definitiva para a Copa, certamente despertou uma curiosidade aguçada pela ansiedade brasileira por conhecer o elenco que vai ao Mundial. Havia, no entanto, três obstáculos neste caminho: as lesões de última hora, o contínuo surgimento de jogadores do futebol brasileiro e, o pior de todos, a falta de tempo que teve para trabalhar.
O ciclo da seleção foi tão mal conduzido, em especial pela gestão anterior da CBF, que Ancelotti fará a convocação final após ter elaborado apenas cinco listas e dirigido o time em dez partidas. Tivesse mais tempo, teria acumulado mais observações e, principalmente, mais observações para momentos em que a Copa do Mundo exigir decisões rápidas.
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André Durão
À primeira vista, os oito jogadores convocados pela primeira vez por Ancelotti, justamente na última lista antes da convocação final, podem reabrir dúvidas. No entanto, a lista parece indicar que, salvo alguma atuação que refaça a convicção do italiano, está claro que o Brasil terá nove defensores, cinco meio-campistas e outros nove atacantes. E que, salvo acidentes, Alisson, Ederson, Bento, Wesley, Danilo, Alex Sandro, Douglas Santos, Gabriel Magalhães, Marquinhos, Casemiro, Andrey Santos, Fabinho, Vinícius Junior, Raphinha, Martinelli, Matheus Cunha e João Pedro são 17 jogadores, dentre os convocados neste segunda-feira, que irão ao Mundial. A eles se somam Militão, Bruno Guimarães e Estevão, ausentes dos jogos contra Croácia e França por lesão. Ou seja, mais de 75% da convocação está encaminhada.
E alguns papéis também parecem definidos. Na defesa, Danilo e Éder Militão – caso se recupere bem – serão híbridos de zagueiros e laterais, com Militão podendo ser titular da lateral direita. No meio, uma vaga parece reservada a um jogador mais ofensivo, o que torna interessante a experiência com Gabriel Sara e deixa uma dúvida se Paquetá, em início abaixo do esperado no Flamengo, perdeu força. Na frente, Matheus Cunha e Raphinha são os jogadores ofensivos que podem ocupar, também, a posição do “camisa 10”, no quarteto de frente que parece ser o plano A do treinador.
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Aí restam duas questões. Primeiro, sobre a forma de jogar. França e Croácia seriam rivais que, em teoria, exigiriam um meio-campo mais povoado. No entanto, Ancelotti manteve a estrutura recente de uma convocação com menos apenas cinco meias. A escolha parece refletir uma decisão de usar quatro atacantes de origem, ainda que um deles também atue como meia central. Por outro lado, é possível que em algum momento o treinador lamente que a falta de tempo tenha limitado as experiências táticas. Uma formação com três meias de origem foi usada apenas na estreia de Ancelotti contra o Equador, com Gérson no time, e no jogo com o Japão, já com Paquetá.
O outro tema, claro, é Neymar. Ao falar em critérios “físicos” e não “técnicos”, Ancelotti cria uma separação difícil de fazer. Se o atacante jogar continuamente, sem novas lesões, será o bastante para ser considerado fisicamente apto? Ou a comissão técnica levará em contas outras métricas, dados físicos de suas atuações? Não parece uma medida simples, algo que se possa julgar com base em distâncias percorridas, sprints… O mais indicado parece ser avaliar a influência de Neymar nos jogos, a capacidade de executar ações as mais próximas possíveis das que foi capaz em seus melhores dias. No fundo, serão as ações técnicas, e a frequência delas, que irão evidenciar o crescimento físico.
Outra expressão que parece não caber para Neymar é o “estar 100%”, repetido pelo treinador algumas vezes. É esperar por algo que pode nunca ocorrer, em especial se a comparação for com o melhor Neymar que já se viu. Faria sentido observar Neymar de perto agora, conviver com ele. Mas também é compreensível lhe dar mais dois meses e 16 potenciais jogos – não se espera que atue em todos – para acompanhar seu rendimento. É evidente que, desde a volta ao Brasil, ou mesmo desde a grave lesão que sofreu, Neymar ainda não jogou num nível que justifique sua ida à Copa do Mundo. Tampouco precisa reencontrar um ápice talvez inatingível para ser útil à seleção no Mundial. A questão é sob que parâmetros será avaliado. No caso de Neymar, o campo falará mais do que os números. geRead More