Para inspirar: ex-jogadores do Inter revisitam goleadas históricas no clássico Gre-Nal
Inter 4 x 1 Grêmio – 28/09/2008 – Beira-Rio – 27ª rodada
O Inter tenta no próximo domingo reverter a derrota sofrida para o Grêmio no Gre-Nal de ida da final do Campeonato Gaúcho. Para isso, precisa vencer por pelo menos três gols para levar a decisão aos pênaltis, e quatro para ficar com o título.
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A missão é ingrata e pouco comum na história do clássico, mas já foi alcançada por colorados de outras épocas, que hoje revivem essas memórias.
Desde a inauguração do Beira-Rio, em 1969, o time jamais venceu o Grêmio por quatro gols no estádio, mas alguns resultados marcantes ajudam a lembrar que placares elásticos já fizeram parte do confronto.
A última vez em que o Inter goleou o rival por um placar capaz de garantir título ocorreu há mais de 70 anos. Em 1954, no primeiro Gre-Nal disputado no antigo Estádio Olímpico, o Colorado venceu por 6 a 2. O resultado segue como o mais expressivo do clube em clássicos válidos pelo Gauchão desde então.
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No período recente, o Inter teve duas vitórias por 4 a 1. Os três gols de diferença, no cenário atual, levariam a decisão para as penalidades.
A primeira ocorreu no Brasileirão de 2008, no Gre-Nal 373, no Beira-Rio (veja os gols no vídeo acima). Na ocasião, D’Alessandro, Alex, Índio e Nilmar marcaram para o Inter, enquanto Tcheco descontou para o Grêmio. Foi a primeira goleada colorada por três gols de diferença no estádio.
O placar se repetiu seis anos depois, na final do Gauchão de 2014, desta vez no Centenário, em Caxias do Sul, pois o Beira-Rio estava em reforma para a Copa do Mundo no Brasil. Alex marcou duas vezes, D’Alessandro e Alan Patrick, de pênalti. Na ocasião, o Inter foi campeão gaúcho.
Inter goleia Grêmio no Centenário e conquista o Gauchão 2014
Bolívar e o 4 a 1 de um time “letal”
Há quase 16 anos, o Inter goleava no Grêmio no Beira-Rio. Na época, a vitória colorada tirou a liderança dos rivais no Campeonato Brasileiro.
– Nosso time era um time muito bom, muito entrosado, um time que já se conhecia muito bem. Tinha uma defesa sólida, tinha meio-campo e ataque muito sincronizado e letal. Então, essa foi a grande diferença – lembra Bolívar, ex-zagueiro do Inter presente naquele time de 2008.
Com a experiência de ter participado de uma das últimas grandes vitórias coloradas no clássico, Bolívar também projeta o que o Inter precisa fazer para tentar repetir um resultado semelhante no domingo.
– É saber que tem que atacar, mas com resguardo. O Grêmio é reativo e espera para sair em velocidade. Então é o Inter atacar e tem um poder de ataque muito forte, já mostrou isso no primeiro jogo, no primeiro Gre-Nal dentro do Beira-Rio que fez quatro gols mas acabou levando dois, então é ter atenção no sistema defensivo porque já mostrou que pode fazer mais que três gols no seu – avalia.
Bolívar retornou ao Inter em 2008 após passagem pelo Monaco
SC Internacional, divulgação
Concentração necessária
Seis anos depois daquela tarde de 2008, outro 4 a 1 marcou o clássico. Em 2014, o Inter foi campeão gaúcho com goleada sobre o rival em Caxias. Alan Patrick, hoje capitão colorado, selou a vitória do time treinado por Abel Braga, hoje diretor de futebol do clube.
– Além de ser um Gre-Nal que já carrega sua própria tensão, existe o desafio da superação de um placar que é bem elástico sob o ponto de vista natural de uma partida. O nível de concentração é muito grande e o envolvimento do torcedor e de toda equipe é fundamental pra se fazer o resultado, sem sofrer gol – afirma Paulão, titular naquela equipe.
Para ele, o peso de uma decisão e a necessidade de controlar o jogo tornam esse tipo de placar ainda mais complexo. Paulão ainda reforça que a imprevisibilidade do clássico mantém o segundo jogo aberto, independentemente da vantagem tricolor.
– Qualquer clássico, em vezes, se apresenta como um jogo imprevisível, onde tudo pode acontecer e o favoritismo fica no pré-jogo. O Grêmio conseguiu um placar importante que vai exigir do Inter, mesmo que jogando em casa, uma postura completamente diferente do primeiro jogo e do primeiro clássico, pois conseguiu fazer quatro gols, mas sofreu dois. Pra mim será mais uma partida que pode surpreender os dois lados, apesar da vantagem gremista ser bem expressiva – pondera.
Barcos e Paulão em lance do Gre-Nal 401, pelo Gauchão
Lucas Uebel/Grêmio
Presente nos dois clássicos vencidos por 4 a 1, o ex-meia Alex atrela ao lado emocional um fator importante para momentos decisivos como esse. Para ele, o Inter precisará de uma exibição “perfeita” no domingo para reverter a vantagem do rival e que é preciso acreditar.
– É muito raro e muito difícil reverter um placar de 3 a 0, pelo confronto você pode ver que é raro. Nesse passado recente, tem saído mais gols em Gre-Nais do que alguns outros tempos. Esse eu acho que é um ponto que os dois times têm que que ficar atentos – afirma.
– (Inter) tem que ter atitude, agressividade com bola e sem bola, sendo eficiente e eficaz. Dominar o jogo e ir minando a confiança do Grêmio, que está em vantagem e vai querer frustrar o que o Inter tentar a todo momento. Tem ser um jogo perfeito, criar chances, incomodar, e fazer o gol o quanto antes, é uma possibilidade de desbloquear o jogo logo cedo – acrescenta Alex.
Guiñazu, D’Alessandro, Alex e Nilmar no Inter de 2008
SC Internacional
No domingo, o Inter tenta mais uma vez desafiar a lógica histórica e buscar, dentro de casa, um placar que não aparece no clássico há quase uma década, mas que permanece vivo na lembrança dos protagonistas que já o alcançaram.
Em meio à necessidade de reverter um placar amplo, o Inter recorre à memória de seus triunfos. A história mostra que não é comum, mas também não é inédito. E, em clássicos, a imprevisibilidade costuma ser um dos principais protagonistas.
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