‘Pare, pare, pare’: áudio revela momentos antes de colisão entre avião e caminhão em aeroporto de Nova York; VEJA
Áudio revela momentos antes da colisão entre avião e caminhão no aeroporto de LaGuardia
Um áudio da torre de comando do aeroporto de LaGuardia, em Nova York, revelou nesta terça-feira (23) como foram os momentos antes da colisão entre um avião da Air Canada Express e um caminhão de bombeiros. O incidente, ocorrido na noite de domingo, deixou dois mortos e dezenas de feridos.
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O áudio, registrado pelo serviço de escuta de aeroportos Live ATC, mostrou que a torre de comando fez diversos alertas ao motorista do caminhão para que parasse o veículo antes da colisão, porém sem sucesso. Veja o diálogo abaixo:
Funcionário da torre de comando: “Quem é o veículo perto da pista?”;
Motorista: “Caminhão um e companhia, torre de LaGuardia, solicitando passagem para 4-Delta”;
Torre: “Caminhão um e companhia, atravesse para 4-Delta”;
Motorista: “Caminhão um e companhia (ruído) 4-Delta”;
Torre: “Frontier 4195, pare aí, por favor. (…)
Torre: Pare, pare, pare, caminhão um pare, pare, pare. (…) Pare, caminhão um, pare. (…) Pare, caminhão um, pare!” (sons de bip e de sirenes)
Torre: “Jazz 646, vejo que você colidiu com o veículo, fique em posição. Sei que não consegue se mover. Veículos estão respondendo para sua posição agora”.
Minutos depois, o funcionário da torre de comando voltou a conversar com o piloto de avião Frontier 4195, que disse que a colisão entre o caminhão e a aeronave do Air Canada Express “não foi legal de assistir”. Veja:
Torre: “Jazz 646, vejo que você colidiu com o veículo, fique em posição. Sei que não consegue se mover. Veículos estão respondendo para sua posição agora”;
Torre: “Frontier 4195, recebi a informação de que vamos ficar fechados por um tempo. Se quiser se preparar para retornar ao pátio, me avise”;
Piloto do Frontier 4195: “Sim, já estamos com procedimentos em andamento para isso, cara. Aquilo não foi legal de assistir”.
Torre: “Eu sei, eu estava aqui. Tentei contatar a minha equipe, e estávamos lidando com uma emergência antes. Eu errei”;
Piloto: “Não, cara, você fez o melhor que podia”.
Colisão
Avião e carro colidem em pista de aeroporto de Nova York, nos EUA
Um avião da Air Canada Express colidiu na noite de domingo (22) com um caminhão de bombeiros na pista do aeroporto LaGuardia, em Nova York, nos Estados Unidos. A batida deixou dois mortos — o piloto e o copiloto da aeronave —, além de 41 feridos, entre eles os dois funcionários que estavam no caminhão.
A Administração Federal de Aviação dos EUA (FAA) emitiu uma ordem de interrupção de solo para todos os aviões no aeroporto, que cancelou as operações. A previsão é que o aeroporto, o terceiro maior de Nova York, fique fechado até o fim da tarde desta segunda (23).
O site do LaGuardia mostrou que os aviões que chegavam foram desviados para outros aeroportos ou retornaram ao ponto de origem.
A batida ocorreu por volta das 23h40, quando o veículo, pertencente à autoridade portuária do aeroporto LaGuardia, pediu permissão para cruzar a pista. Um áudio da torre de comando, divulgado pelo site de monitoramento Live ATC e reproduzido pela rede de TV CNN Internacional, revelou o momento da batida.
Bico de avião da Air Canada após colisão com caminhão de bombeiros no aeroporto LaGuardia, em Nova York, nos EUA, em 22 de março de 2026.
Bing Guan/ Reuters
Nele, o motorista do caminhão de bombeiros pede permissão para circular na pista, e o controlador autoriza. Segundos depois, ele pede que o motorista pare, mas o veículo não responde ao comando.
“Pare, pare, pare!”, diz a torre, sem resposta.
Em imagens divulgadas nas redes sociais, é possível ver o nariz da aeronave levantado e danificado. Segundo o FlightRadar24, os passageiros já teriam desembarcado quando o acidente ocorreu.
Equipes de emergência atuam em colisão no Aeroporto LaGuardia, em NY
Bing Guan/Reuters
Jato da Air Canada parado na pista do Aeroporto LaGuardia, nesta segunda-feira, 23 de março de 2026, após colidir com um veículo da Autoridade Portuária em Nova York.
Ryan Murphy/AP
A aeronave CRJ-900 atingiu o veículo a uma velocidade de cerca de 39 km/h, segundo o Flightradar24. O voo partiu do aeroporto internacional Montréal-Pierre Elliott Trudeau, o principal de Montreal, no Canadá.
O jato era operado pela Jazz Aviation, parceira regional da Air Canada. Segundo nota divulgada pela operadora, a aeronave transportava 72 passageiros e quatro tripulantes.
Falta de pessoal impacta aeroportos nos EUA
Passageiros fazem fila para a checagem de passaportes no aeroporto internacional de Atlanta, nos EUA, em 21 de março de 2026.
Jeff Amy/ AP
Apesar de não haver confirmação da ligação entre a falta de pessoal e o acidente envolvendo a aeronave CRJ-900, os aeroportos dos Estados Unidos vêm sofrendo há meses com número reduzido de funcionários.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse neste domingo (22) que agentes do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE, na sigla em inglês) vão atuar em aeroportos do país a partir desta segunda-feira (23) para ajudar funcionários da Administração de Segurança de Transporte (TSA).
Trump já havia feito essa ameaça no sábado (21), caso senadores democratas não aprovem o projeto de orçamento do Departamento de Segurança Interna.
“Na segunda-feira, o ICE irá aos aeroportos para ajudar nossos maravilhosos agentes da TSA que permaneceram no trabalho”, disse ele em uma publicação no Truth Social no domingo.
➡️ A ameaça foi uma tentativa de Trump de pressionar os senadores, que na sexta-feira (20) vetaram o projeto de orçamento do Departamento de Segurança Interna. O impasse ocorre porque os democratas exigem mudanças nas práticas do ICE, após a onda de protestos por conta das mortes de dois cidadãos norte-americanos, Renée Good e Alex Pretti, por agentes de imigração em Minnesota (leia mais abaixo).
Com isso, as verbas para o Departamento de Segurança Interna estão congeladas, e muitos funcionários de segurança aeroportuária pararam de trabalhar porque não estão recebendo salários. A paralisação gerou grandes filas nos principais aeroportos dos Estados Unidos neste sábado.
A grande maioria dos funcionários da TSA é considerada essencial e continua trabalhando durante a suspensão do financiamento governamental, mas sem receber salário. Ainda assim, muitos deles têm faltado, alegando motivos de saúde diante da falta de salários.
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Exigência dos democratas
Os democratas exigem uma série de mudanças políticas dentro do projeto de orçamento do ICE, entre elas:
A exigência de que os agentes do ICE obtenham um mandado judicial antes de entrar à força em residências;
Que os agentes usem informações de identificação em seus uniformes e proibir o uso de máscaras.
“O povo americano já não aguenta mais essa agência descontrolada. Precisamos controlá-la. E estamos negociando agora como fazer isso”, disse a senadora Patty Murray, principal democrata na Comissão de Orçamento do Senado.
O governo Trump afirma já ter concordado com diversas mudanças, incluindo:
O uso ampliado de câmeras corporais, com exceção para operações secretas;
A limitação das atividades de fiscalização civil em locais sensíveis, como hospitais, escolas e locais de culto.
Os republicanos também observam que Trump demitiu a secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, e colocou Tom Homan no comando das operações em Minneapolis. As mudanças, segundo eles, demonstram a intenção do governo de promover mudanças nas operações do ICE.
O líder democrata no Senado, Chuck Schumer, de Nova York, disse que apresentaria uma medida alternativa ainda neste sábado para financiar apenas a Administração de Segurança de Transporte (TSA), que inspeciona passageiros e bagagens em busca de itens perigosos.
Nos bastidores, os esforços para resolver o impasse se intensificaram na sexta-feira. O responsável pelo patrulhamento das fronteiras, também conhecido como “czar da fronteira”, Tom Homan, reuniu-se pelo segundo dia consecutivo com um grupo bipartidário de senadores.
O líder da maioria no Senado, John Thune, republicano da Dakota do Sul, disse que vê “espaço para um acordo”.
O Congresso deve entrar em um recesso prolongado no fim de março por conta da pausa de duas semanas de primavera. Thune ameaçou manter os senadores em Washington caso o impasse não seja resolvido. “Não consigo imaginar que entremos em recesso se o governo continuar paralisado”, disse Thune.g1 > Mundo Read More


