Polícia do Rio investiga grupo que lucrou 650% com apostas em cartões suspeitos no Carioca 2026
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A Polícia Civil do Rio de Janeiro, por meio de inquérito conduzido pela Delegacia do Consumidor (DECON), investiga um grupo que recebeu sete vezes o valor apostado em cartões amarelos suspeitos em um jogo do Campeonato Carioca deste ano. O ge informou no início do mês que dois jogadores, de clubes diferentes, estavam na mira dos investigadores.
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A partida com os lances investigados é Portuguesa x Nova Iguaçu, no dia 7 de fevereiro, no Luso-Brasileiro, pela sexta rodada da primeira fase da competição. A Lusa venceu por 1 a 0.
Luso-Brasileiro, Campeonato Carioca 2026
A.A. Portuguesa
Na ocasião, a Unidade de Integridade de Futebol da CBF e a Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro receberam alerta apontando número acima do normal de apostas casadas para que o lateral Luis Gustavo, da Portuguesa, e o zagueiro Sidão, do Nova Iguaçu, recebessem cartão amarelo em qualquer momento do jogo.
Os dois cartões saíram. Sidão, que era o capitão do Nova Iguaçu, foi amarelado aos 35 minutos do primeiro tempo. E Luis Gustavo, aos três do segundo tempo.
De acordo com a investigação da polícia, um grupo pequeno de pessoas apostou cerca de R$ 40 mil nos dois cartões. E faturou aproximadamente R$ 300 mil.
Cartões amarelos recebidos por Sidão, do Nova Iguaçu, e Luis Gustavo, da Portuguesa, deram início à investigação
A.A Portuguesa / NIFC
Todas as apostas foram registradas em contas conectadas ao mesmo endereço de IP – segundo investigação preliminar da Polícia, que usa setor de inteligência financeira para cruzar dados e seguir os indícios de crimes de estelionato, corrupção ativa e passiva e possível organização criminosa.
Na súmula, o árbitro FIFA Bruno Arleu, que comandou a arbitragem da partida, informou que os dois cartões foram aplicados porque os jogadores acertaram “um adversário de maneira temerária”. Luis Gustavo e Sidão prestaram depoimento na DECON e negaram qualquer envolvimento com apostadores. Eles não estão sob condição de investigados até o momento.
O ge fez contato com os dois jogadores. Sidão reforçou que é inocente e lamentou o impacto de “falsas acusações” em sua carreira. Luis Gustavo não quis se pronunciar.
Ao tomar conhecimento da suspeita e das investigações, a Portuguesa na ocasião afastou Luis Gustavo da equipe. E disse, em comunicado à imprensa, “que reafirma seu compromisso com a transparência, a ética e o respeito às instituições”.
Já o Nova Iguaçu manteve o capitão Sidão até o fim do campeonato. Procurado, o clube informou “que não irá se posicionar sobre o caso, uma vez que o atleta Sidney não faz mais parte do elenco do clube”. E que “a instituição aguarda a decisão da Justiça”. Após o fim do Carioca, o zagueiro acertou com uma equipe da Kings League.
Inquéritos em série
O caso é apenas um dos 15 inquéritos abertos na Decon, delegacia que concentra a apuração de possíveis crimes dentro do futebol carioca. Há inquéritos de campeonatos de 2023, 2024 e 2025, mas desta vez em divisões inferiores, de acesso.
Em nota recente enviada à reportagem, a Ferj afirmara que “tem adotado medidas de combate à manipulação de resultados há VÁRIOS anos”, com a contratação de empresa de monitoramento e contatos frequentes com a Polícia Civil, Ministério Público, Juizado do Torcedor, Superior Tribunal de Justiça Desportiva, Tribunal de Justiça Desportiva-RJ e Confederação Brasileira de Futebol. Segundo a Ferj, o número de casos suspeitos “apresenta queda vertiginosa: 19 (2022), 7 (2023), 3 (2024) e 2 (2025).”
Entre os casos investigados há até mesmo gravação de árbitro – levada pelo dono da SAF do Botafogo, John Textor – que teria confessado participar de esquema de apostas. Na Decon, o juiz negou qualquer envolvimento.
Outro envolve Willian Rogatto, que foi responsável pelo São José, em 2023, time da Série C – correspondente à quinta divisão. Rogatto ficou conhecido como “rei do rebaixamento” e depois na CPI das Apostas. Ele confessou participação em esquema de apostas. geRead More


