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Projeto Galo 2030: como CEO do Atlético-MG quer alcançar Flamengo e Palmeiras em quatro anos

Projeto Galo 2030: como CEO do Atlético-MG quer alcançar Flamengo e Palmeiras em quatro anos

Projeto Galo 2030: CEO explica projeto para se aproximar de Flamengo e Palmeiras
O Atlético-MG completa 118 anos nesta quarta-feira. É o terceiro aniversário celebrado após a transformação em SAF. Com desafios para superar uma dívida de mais de R$ 1 bilhão e a cobrança por resultados em campo, o clube trouxe Pedro Daniel para ocupar o cargo de diretor-presidente (CEO) e reorganizar a estrutura do Alvinegro: tocar o projeto Galo 2030.
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O executivo é o porta-voz dos sócios majoritários da SAF do Atlético — Rubens Menin e Rafael Menin. É como se fosse o presidente de um clube associativo. Mas, ao invés de ter um conselho deliberativo para quem presta as contas, ele tem os donos.
A função é “nova”. Antes, o Alvinegro tinha um CEO responsável somente pela parte financeira, sem estar por dentro de temas do futebol, comercial, comunicação e marketing. Isso mudou com a chegada de Pedro Daniel.
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Como presidente, o executivo lidera a chegada de um novo aporte de aproximadamente R$ 500 milhões para atacar os juros bancários que atrapalham a operação do futebol. Com o valor, o Alvinegro espera diminuir as taxas em R$ 100 milhões por ano e gerar um respiro no fluxo de caixa.
Em meio a isso, precisa também entregar um time capaz de competir com grandes potências — como Flamengo e Palmeiras — sem ter o patamar financeiro deles. Mas com a meta de alcançar essa prateleira até 2030.
Diretor-presidente do Atlético, Pedro Daniel
André Ribas/TV Globo.
— Não, ainda não (fazer um investimento, em valores próximos a Palmeiras, Flamengo na janela do meio de ano). Espero fazermos uma entrevista, daqui a um ano, um ano e meio, pensando em uma contratação desse porte financeiro. Hoje não é nossa realidade. Flamengo e Palmeiras têm uma realidade financeira diferente de todos os outros times do Brasil. Estamos trabalhando para chegar muito perto deles.
— Queremos estar nessa primeira prateleira. Nós ainda não estamos, financeiramente. Não teremos um investimento de 40 milhões de dólares (na próxima janela). Temos que ser mais eficientes do que Flamengo e Palmeiras, por exemplo. Senão, nunca vamos competir. Eles têm mais volume financeiro que a gente. Por isso, as nossas estratégias têm que ser mais eficazes do que as deles.
Temos que estar na primeira prateleira do futebol brasileiro. Você vai ser campeão sempre? Não, mas você vai estar sempre competindo. O Atlético vive disso. Por isso, é um projeto de médio prazo, por isso chamamos de Galo 2030″.
O ge foi até a sede do clube, na Arena MRV, para ouvir Pedro Daniel pela primeira vez desde sua chegada. A conversa ocorreu um pouco antes do Atlético divulgar o balanço financeiro da temporada passada.
Hoje, o time tem uma dívida na casa de R$ 1,7 bilhão. Com o aporte, o valor deve diminuir para até R$ 1,2 bilhão. Desse valor, R$ 600 milhões são de endividamento bancário. É esse o recorte que o clube busca atacar agora.
— Haverá um novo aporte, no qual essa dívida bancária será levada para outra empresa do grupo. Ou seja, o Atlético vai tirar mais ou menos 500, 520 milhões de reais desse passivo do clube. Os acionistas vão aportar e vão pagar em outra empresa do grupo. Essa é a lógica da operação. Na primeira quinzena de abril, a gente vai ter executado isso. Até para, no balanço, já ter esse abatimento do endividamento.
— No último ano, pagamos R$ 250 milhões de juros. Ou seja, só a correção de dívida. Isso torna inviável. A gente perde competitividade. É a verdade. Quando a gente faz um movimento como esse, a gente reduz mais ou menos em 120 a 130 milhões de reais em juros no ano. É um dinheiro que sai da nossa operação para pagamento de juros. Essa operação serve exatamente para nos aliviar.
CEO do Atlético-MG explica como aporte vai ajudar na operação do futebol
A pergunta que fica: o clube se tornará sustentável após essa injeção financeira? Ainda não.
— Na verdade, quando tira essa dívida onerosa, quando diminui, a gente ganha competitividade e paga menos juros. Aí você pergunta: o clube está sustentável? Está sanado? Ainda não. Ano passado, tivemos um resultado operacional negativo. O grande objetivo desse ano é chegar no zero a zero. Fora a questão dos juros. A operação se torna sustentável para a gente poder pensar em voos mais altos agora no curto prazo. Ainda somos sustentáveis financeiramente.
Esse aporte também gerará impacto na participação societária de todos os donos, inclusive de Daniel Vorcaro. O empresário está preso e passa por um longo processo na Justiça. No clube, ele detém 20% da SAF após investir R$ 300 milhões através do fundo Galo Forte Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia (FIP).
Após a prisão, o Galo afastou o acionista do Conselho de Administração. Com o novo investimento, a porcentagem de Vorcaro será diluída, se tornando um investidor irrelevante, segundo Pedro Daniel.
— Tomamos todas as ações necessárias por parte do clube. Afastamos ele do Conselho, tiramos de toda parte operacional. Agora, com o aporte, ele será diluído. Ele irá se tornar um acionista irrelevante, porque ele não vai acompanhar o investimento. Logo, a participação dele será reduzida. Ele ficará entre 4% e 5%. Ele se torna irrelevante na operação.
Pedro Daniel, diretor-presidente do Atlético-MG
Leandro Pacheco/TV Globo.
Investidor estrangeiro?
Quando o Atlético aprovou a diluição da fatia da associação, fixada em 25%, em setembro de 2025, o dono do clube, Rubens Menin, disse que a prioridade era a busca por um investidor estrangeiro. Mais de seis meses se passaram. O novo investimento virá dos próprios donos, mas sem descartar a chegada de capital vindo de fora no futuro.
— Quando a gente pensa em estrutura societária, a gente está sempre atento ao mercado. Quando a gente fala de um clube que tem dívida de R$ 1,6 bilhão, sendo R$ 600 milhões de banco, ele não fica tão atrativo para um investidor que quer aportar, colocar dinheiro direto na operação. Quando a gente faz movimentos como esse de aporte para diminuir a dívida, começamos a fazer um novo CT na base, começamos a fazer investimentos estruturais, o clube fica mais atrativo.
Talvez a gente consiga trazer capital de fora para nos auxiliar e ter um time ainda mais competitivo e acelerar nosso processo. Não, a gente não descarta. Tem um passo a passo para isso.”
Objetivo esportivo: voltar à Libertadores
A meta esportiva está bem definida: voltar para a Libertadores em 2027. O clube não disputa a maior competição continental desde 2024, quando foi à final e ficou com o vice-campeonato. Para isso, o Galo tem caminhos: o Brasileiro, a Sul-Americana ou a Copa do Brasil.
Esse é o nosso grande foco. Temos três maneiras para isso. Queremos estar lá no próximo ano. É o nosso grande objetivo na temporada. “
Pedro Daniel e Eduardo Domínguez, técnico do Atlético-MG
Pedro Souza
Pedro Daniel é figura presente no dia a dia do clube. No relacionamento com o departamento de futebol, com a comissão técnica e demais áreas.
Foi quem comunicou, ao lado de Paulo Bracks, a demissão de Jorge Sampaoli. Também teve participação ativa na primeira janela de transferências e na chegada de Eduardo Domínguez, apresentando o projeto do clube.
CEO do Atlético projeta desafios no trabalho e aniversário de 118 anos
— Vim aqui para implementar um novo modelo de negócios. Quando falamos em SAF, é uma empresa de futebol. Não faz o menor sentido não ter um CEO que cuida do futebol. Respondo pela SAF. Logo que entrei, as decisões do futebol, toda a estrutura, mudamos completamente. Estamos mais integrados.
— É uma alegria muito grande estar aqui. Vim para cá por ser o projeto da minha vida. Fazer parte dessa história, o aniversário do Atlético, e saber que posso, de alguma maneira, impactar positivamente e deixar um legado no clube, é o que me motiva. Espero que no aniversário de 119 anos eu conte uma história ainda melhor.
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