Rússia acusa Finlândia de escalar tensões por considerar hospedar armas nucleares
O presidente russo Vladimir Putin durante uma reunião em 17 de fevereiro de 2026
Sputnik/Vyacheslav Prokofyev/Pool via REUTERS
A Rússia acusou a Finlândia nesta sexta-feira (6) de escalar tensões por conta de planos do país nórdico para suspender uma proibição de hospedar armas nucleares. Em tom de ameaça, o Kremlin disse que “tomará medidas apropriadas” caso isso se torne realidade.
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A ameaça ocorreu após o governo finlandês ter anunciado na quinta-feira que planeja suspender uma proibição de longa data à presença de armas nucleares em seu território, em um movimento que pode abrir caminho para o país voltar a sediar os armamentos em tempos de guerra. (Leia mais abaixo)
“Esta é uma declaração que leva a uma escalada de tensões no continente europeu. (…) A fala aumenta a vulnerabilidade da Finlândia, uma vulnerabilidade provocada pelas ações das autoridades finlandesas. O fato é que, ao implantar armas nucleares em seu território, a Finlândia começa a nos ameaçar. E se a Finlândia nos ameaça, tomamos medidas apropriadas”, disse o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov em coletiva de imprensa.
Peskov não deu mais detalhes, no entanto, de quais medidas o governo russo adotaria caso a Finlândia prossiga com seus planos.
A Finlândia divide uma longa fronteira com a Rússia, de cerca de 1.340 km, e manteve uma posição neutra durante a Guerra Fria, no entanto, entrou para a Otan em 2023 em resposta à invasão russa na Ucrânia. O país assinou em 2024 um pacto de defesa com os Estados Unidos, permitindo que os norte-americanos utilizem 15 instalações e zonas militares finlandesas.
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Os vizinhos Suécia, Dinamarca e Noruega têm políticas de longa data contra armas nucleares em seus territórios em tempos de paz, mas não possuem entraves legais que proíbam a posse dos armamentos durante tempos de guerra.
As ações da Rússia na Ucrânia e as ações imprevisíveis do presidente dos EUA, Donald Trump —especialmente sua declarada intenção de anexar a Groenlândia— levaram governos europeus a repensar sua segurança, incluindo o papel das armas nucleares. Outro fator que acrescenta incerteza ao panorama da segurança internacional é o vencimento do último tratado de controle de armas nucleares entre EUA e Rússia, o New START, no início de fevereiro.
No embalo dessa tendência, a França anunciou nesta semana uma expansão de seu arsenal nuclear e a produção de mísseis de longo alcance em parceria com Alemanha e Reino Unido. “Para sermos livres, temos que ser temidos”, disse o presidente francês Emmanuel Macron.
Finlândia considera hospedar armas nucleares
A Finlândia planeja suspender uma proibição de longa data sobre a presença de armas nucleares em seu território, disse o governo na quinta-feira, alinhando-se aos vizinhos nórdicos em um movimento que pode abrir caminho para a implantação de bombas atômicas em solo finlandês em tempos de guerra.
“A emenda é necessária para permitir a defesa militar da Finlândia como parte da aliança e para aproveitar plenamente a dissuasão e a defesa coletiva da Otan”, disse o ministro da Defesa finlandês, Antti Hakkanen, em entrevista coletiva.
A Lei de Energia Nuclear da Finlândia, aprovada em 1987, proíbe a importação, fabricação, posse e detonação de explosivos nucleares em seu território, algo visto por alguns finlandeses como uma cláusula que beneficiaria apenas a Rússia caso houvesse uma guerra.
A mudança proposta seguirá agora para o parlamento, onde o governo de coalizão de direita possui maioria.g1 > Mundo Read More


