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Salário, família e desemprego: censo do Carioca mostra perfil dos jogadores dos clubes pequenos

Salário, família e desemprego: censo do Carioca mostra perfil dos jogadores dos clubes pequenos

Tébaro Schmidt explica como foram recolhidas as respostas do Censo do Carioca e mostra os resultados; confira
Quanto ganha o jogador que disputa a Série A do Carioca por um clube de menor expressão? O atraso em pagamentos é comum? É necessário conciliar a vida de atleta com outra profissão? Quantos deles algumas vezes foram sondados para manipular placares ou lances de jogos? Um levantamento inédito feito pelo ge entre janeiro e fevereiro responde as perguntas e ajuda a pintar esse cenário.
+ 15% dos atletas dos pequenos do Rio já foram procurados por apostadores
O ge foi a campo para entrevistar mais de 100 jogadores dos oito times pequenos da Série A do Carioca: Bangu, Boavista, Madureira, Maricá, Nova Iguaçu, Portuguesa, Sampaio Corrêa e Volta Redonda. No total, 116 responderam à pesquisa. As respostas foram recolhidas de maneira completamente anônima.
Os principais resultados mostram que a maioria não precisou lidar com o problemas de salários atrasados, embora os que tenham admitido atraso este ano ou em temporadas recentes ainda represente quase a metade dos entrevistados; 15% revelam que receberam algum tipo de proposta ou sondagem de apostadores para manipular partidas.
Censo do Carioca 2026 mostra perfil dos jogadores que atuaram por clubes pequenos
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A reportagem do ge elaborou sete perguntas objetivas, com possibilidade de complemento da resposta em uma delas. Os jogadores preenchiam por livre e espontânea vontade, de acordo com a sua realidade. Essa foi a metodologia da pesquisa.
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As primeiras duas questões, por exemplo, diziam respeito às experiências recentes no Carioca. Mais da metade (50,9%) respondeu que participou de duas a quatro edições da Série A nos últimos cinco anos. Uma minoria (9,5%) esteve em todas as edições. E uma porção relevante (39,7%) fez sua estreia em 2026.
Em relação às divisões inferiores do Carioca, 10% disseram que não disputaram nos últimos anos. A maioria (41,8%) jogou a Série A2, B1, B2 ou C de 2 a 4 vezes de 2020 em diante, como mostra o gráfico:
No Rio de Janeiro, a exemplo do que ocorre em outros estados, é possível disputar duas ou mais divisões do estadual no mesmo ano porque os campeonatos são realizados em períodos diferentes da temporada. A Série A vai conhecer o seu campeão no próximo domingo: Fluminense e Flamengo vão disputar o título em um jogo único. A Série A2, equivalente à segunda divisão, tem início marcado para o dia 18 de abril.
Família e salários acima de R$ 8 mil
Quando o assunto é estado civil, os pais de família (38,3%) e os solteiros sem filhos (40%) são maioria entre os que defenderam clubes pequenos no Carioca.
Problema recorrente no futebol, em especial entre clubes de menor expressão, o atraso no pagamento de salários também foi tema do censo.
A maioria dos 116 entrevistados disse que, ao menos nos últimos cinco anos, não precisou lidar com essa dor de cabeça e teve os vencimentos pagos em dia. Por outro lado, uma quantidade relevante (47,4%) admitiu atrasos “pontuais” ou “diversas vezes” no mesmo período.

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– Acho que esse é um número surpreendente de forma positiva como também de uma forma negativa – acredita Alfredo Sampaio, presidente do Sindicato dos Atletas de Futebol do Rio, o Saferj.
– Porque os clubes recebem verba da televisão, uma verba segura. Digo, garantida. Então não teria por que ter um índice tão baixo assim (de salário em dia). Mas já melhorou muito com relação ao passado – completa ele.
Em outro momento da pesquisa, 56,3% responderam que recebem acima de cinco salários mínimos nos times pequenos – o que significa valores acima de R$ 8,1 mil. Apenas 12,5% responderam que recebem um salário mínimo (R$ 1.621,00) e 31,3% se encaixavam na faixa entre um e cinco salários mínimos (até R$ 8,1 mil).
Censo do Carioca 2026 mostra faixa salarial dos jogadores dos clubes pequenos
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A instabilidade da profissão era tema de outras perguntas: 93% disseram que não têm outra profissão quando atuam profissionalmente. Os 7% restantes mostraram respostas variadas – na única resposta que permitia complemento, eles informaram que trabalham no mercado imobiliário, em correção de imóveis, como empresário no ramo de transporte e também de motorista de Uber.
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Em outra pergunta, quase 40% (39,4%) relataram que já ficaram desempregados por período igual ou superior a três meses dentro do futebol. Entre as respostas positivas para a pergunta sobre desemprego, houve quem contasse quem ficou quatro meses trabalhando como borracheiro no período da pandemia por opção própria, por exemplo. geRead More