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Santi Rodríguez ressurge como opção e diz que valor pago pelo Botafogo o atrapalhou no passado: “Não podia falhar”

Santi Rodríguez ressurge como opção e diz que valor pago pelo Botafogo o atrapalhou no passado: “Não podia falhar”

Santi Rodríguez analisa virada de chave no Botafogo: “Jogo mais tranquilo”
Em meio à crise que assola o Botafogo, a torcida ao menos recebeu uma boa notícia na última quarta-feira, diante do Palmeiras. Recuperado de uma lesão no joelho direito, Santi Rodríguez voltou a estar disponível para Martín Anselmi – e mostrou, logo nos primeiros minutos do retorno, como pode encorpar o setor ofensivo alvinegro.
Há pouco mais de um ano no Botafogo, Santi sofreu com a adaptação ao futebol brasileiro e demorou alguns meses até engrenar, tendo seus primeiros momentos de brilho com Davide Ancelotti. Hoje, o uruguaio se vê em outra rotação: mais leve, mais presente no time e com foco apenas no que faz dentro de campo.
— Tenho crescido jogo a jogo, me sinto bem, me sinto confortável. Nesse ano, eu sinto outra energia. Sinceramente, estou muito feliz aqui no Botafogo, com a torcida que nos apoia, com meus companheiros. Tem sido muito divertido estar aqui. — disse Santi, em entrevista exclusiva ao ge, acrescentando:
— No ano passado não conseguimos os resultados (títulos), mas terminei jogando, contente com o que fazia no campo. Este ano, começamos do zero com um novo treinador (Martín Anselmi) que já sabíamos quem seria. Acho que, pelo menos pessoalmente, agora tive que me esforçar mais, trabalhar mais e estar mais focado nesses objetivos.
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Santi Rodríguez, do Botafogo, em entrevista ao ge
Sinclair Junior
Para chegar ao cenário atual, Santi Rodríguez precisou abandonar uma cobrança exacerbada que fazia a si mesmo: a de corresponder às cifras investidas pelo Botafogo em sua contratação. Em fevereiro de 2025, o clube carioca investiu cerca de R$ 97 milhões para tirá-lo do New York City FC, dos Estados Unidos.
A virada de chave veio em agosto de 2025, em um jogo contra o Juventude. No Alfredo Jaconi, Santi entrou aos 34 minutos do segundo tempo e, nos acréscimos, deu a assistência para o segundo gol de Chris Ramos. Nos cinco jogos anteriores, ele havia sido utilizado apenas contra Palmeiras e Bragantino, ficando no banco contra LDU (dois jogos) e Fortaleza.
— Eu me preocupava muito com o que pensavam os demais. Sentia muito que o clube tinha pagado por mim, que eu não podia falhar. Isso jogou contra. Agora jogo mais tranquilo, tento me divertir, que assim as coisas acontecem melhor. Acho que a mudança de chave foi contra o Juventude, fora de casa. Estava triste porque não estava tendo oportunidades. Mas eu disse que, se eu tivesse oportunidades, iria esquecer tudo e fazer o caminho que tinha que fazer. Foi o que me ajudou.
Mesmo que viva um bom momento pessoal, Santi Rodríguez está imerso em um grupo que passa por uma crise. Em cinco jogos do Botafogo no Brasileirão, são apenas três pontos somados, na estreia contra o Cruzeiro. O técnico Martín Anselmi, por sua vez, passa pelo momento de maior risco no cargo.
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O elenco do Botafogo dá respaldo ao treinador argentino nos bastidores, mas reconhece que a resposta precisa vir de dentro dos gramados. A partida contra o Bragantino, neste sábado, ganha ainda mais peso em meio ao cenário conturbado.
— Minha opinião pessoal é que o que mais importa neste momento é a atitude. Temos que fazer as coisas bem, ser inteligentes. Quando fazemos as coisas com atitudes, vêm os resultados. Os jogadores sabem que precisam corrigir. Nós podemos perder, mas há maneiras de perder. Temos que deixar tudo em campo, querer ganhar. Temos uma boa equipe, um dos melhores elencos do Brasil. São detalhes que temos que corrigir no ataque e na defesa. Temos que ser mais decisivos e estar mais concentrados. Quando os resultados não vêm, sempre se buscam responsáveis, mas nós que estamos aqui sabemos que treinamos bem. O Martín é uma pessoa que está sempre apresentando detalhes nas reuniões. Somos responsáveis por tudo o que vem acontecendo — afirmou, acrescentando:
— Uma coisa que (Anselmi) deixou claro é que ele confiava muito em nós, e nós também confiamos muito nele. Vai ajudar muito, e todos têm que ter paciência para que a confiança volte daqui em diante. (…) Temos bons jogadores, é muito importante ganhar e começar a somar pontos. Temos dois jogos a menos e temos que ganhar para sair da zona de rebaixamento e subir posições. Temos que estar no mais alto da tabela.
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Santi Rodríguez diz que atitude é o que importa para momento: “Somos responsáveis”
Outros tópicos da entrevista com Santi Rodríguez:
Importância de ter a comissão técnica desde o início da temporada:
— É importante. Como esse ano começamos com Martín, já sabíamos que ele ia ser o treinador e isso nos ajuda muito e também ajuda ele porque tem tempo para trabalhar antes de começar o Carioca, o Brasileiro. Ele consegue passar suas ideias e podemos entendê-lo bem. Com Renato (Paiva) e Davide (Ancelotti) não tínhamos tempo para isso, já tínhamos que jogar. E quando você joga, a torcida espera os resultados, nós também queremos ganhar obviamente, porém, tem que se adaptar as ideias e entendê-las o mais rápido possível, e às vezes se preciso de um pouco de tempo para entender quais são as ideias do treinador. É uma mudança muito grande e muito importante para nós, como começamos esse ano com Martín desde a pré-temporada.
Atuações pela direita e peso de chegar como “substituto” de Almada:
— Os jogadores são diferentes. Entendo a expectativa do torcedor, vinham de ganhar muito, as pessoas sempre tem essa ambição de ter o melhor para a sua equipe, de pensar que tudo vai ser como 2024. O começo não foi como o esperado. Enquanto a minha posição, creio que o que mais me limita como jogador não é se jogo pela esquerda ou pela direita, ou como Martín me colocou, mais por dentro, para poder dar uma ajuda na saída de jogo, é mais sobre a necessidade de ter um pouco de liberdade de poder me mover livremente. Martín me deixa livre para me movimentar, respeitando o trabalho que tenho que fazer na defesa, estar na minha posição, fechar para que a equipe rival não avance pela minha zona. Creio que isso é o que mais me ajuda para desempenhar bem, como venho fazendo agora. Se jogo pela direita, pelo meio, esquerda, ou por dentro, para mim é indiferente. Me ajuda muito ter a liberdade para me mover por todo o campo. Sinceramente, ajudo também na defesa, é isso que Vitinho, Mateo, que são quem jogam atrás de mim fazem.
Diferenças entre MLS e futebol brasileiro:
— Não se treina muito aqui. É um sistema muito diferente na MLS, jogávamos muito pouco, poucas vezes tínihamos três partidas em uma semana como temos aqui. A qualidade dos jogadores aqui é muito mais alta. Qualquer equipe que está mais abaixo na tabela tem jogadores bons. O que mais me impactou foi isso que não se treina muito, aqui já temos que jogar, recuperar e jogar. No início do ano não estava tendo muitos minutos com Renato, e quando Davide chegou também, as coisas ficaram mais complicadas para mim, porque quando chegava a vez de jogar, você obviamente tinha que jogar bem para ganhar uma vaga e ajudar o time. E treinar não é o mesmo que jogar, por mais que você treine o máximo, o ritmo da partida é totalmente diferente. A força nos treinos é um complemento para o que se passa dentro do campo, mas nada é igual a competição. Está muito desbalanceado o nível entre os titulares e os que jogam menos.
Estádios cheios e torcidas no Brasil
— Na MLS, tem muitas equipes que enchem os estádios porque eles são para 20, 25 mil pessoas. É diferente porque está tudo mais controlado, mais restrições nas arquibancadas, e qualquer falta de respeito a segurança te tira do estádio, é um espetáculo, como se tivesse ver uma peça de teatro. Aqui é paixão, é o amor pela equipe, tudo o que sabemos que tem na América do Sul, não tem nenhum lugar aqui que se vive diferente ou de outra maneira, incluindo as partidas que são muito dinâmicas. Às vezes, talvez, o jogo não é o melhor, mas a torcida está entusiasmada e atenta com o que se passa no jogo, o que faz com que a equipe avance e ás vezes faz com que uma equipe empate ou ganhe uma partida, o que na MLS não acontecia muito porque é mais tranquilo, é o estilo da torcida.
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Jogos com frequência influenciaram nas lesões?
— É bom jogar muito, mas às vezes é ruim. Tem o lado bom e o lado ruim. Jogar muito é o que gostamos, queremos jogar, isso é positivo, porém o ruim que gera muitas lesões em muitas equipes, na maioria das equipes sempre tem muitos lesionados. E também às vezes não permite que os jogadores estejam no máximo nível possível, porque tem pouco tempo de recuperação. Você praticamente tem que viver para o futebol, que é o que fazemos. Mas às vezes você falha em algo, dorme mal, não come o que deveria e sente as consequências mais tarde. Isso tem um impacto, faz com que não renda o máximo, se lesione ou baixe o nível. É bom jogar três partidas em uma semana, mas também não permite que estejamos no nível máximo.
Peso da rotina do futebol:
— Cansa, mas é algo que gosto. Muita gente gostaria de estar nesta posição, de viver do futebol. Às vezes há muita fadiga física e mental, mas acho que somos privilegiados por fazer o que gostamos. Creio que temos que ser agradecidos.
Retorno de lesão no joelho direito:
— A recuperação foi boa, não senti nenhuma dor durante o período da lesão. Todos do clube me ajudaram, me senti forte. Estava um pouco sem confiança, era a primeira partida, pensava podia voltar a me lesionar, mas entrei durante o jogo. Me senti muito bem e feliz por voltar a ter minutos.
Expectativa pela Sul-Americana:
— Qualquer campeonato internacional é importante. Obviamente, não é o mesmo que a Libertadores, mas neste ano há muitas equipes boas, como Racing, River Plate, clubes do Brasil, como o Santos… Eleva o nível da competição. Creio que é muito importante, temos que entrar com a mentalidade vencedora. Todos estamos ansiosos, jogar a Libertadores ou a Sul-Americana é a mesma coisa. Estamos focados, temos que ganhar este torneio que é importante. Temos uma linda fase de grupos contra o Racing, vamos lutar muito e acho que é uma linda oportunidade para todos. Em paralelo temos o Brasileirão e temos que pensar em ganhar.
Ambiente blindado em meio à crise da SAF?
— Tudo o que acontece ao redor do clube afeta os que trabalham no clube. Essas coisas nós não temos controle, não posso dizer o que se tem que fazer. Isso é com os dirigentes. Temos que jogar futebol, fazer as coisas da melhor maneira. Estamos muito unidos.
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