Seleção Brasileira mostra que ainda tem muito a evoluir
O desempenho coletivo da Seleção Brasileira de Futebol Masculino, no amistoso contra a França, deixou a desejar em termos táticos. Não era esperada uma vitória, mas a expectativa era de que a nossa Seleção apresentasse performance capaz de competir com uma grande potência do futebol atual, mesmo sendo uma formação alternativa.
Sabia-se que a formação que iria a campo seria diferente das anteriores, mas faltou capacidade de imposição do time brasileiro. Talvez a falta de entrosamento do grupo, tenha pesado, pois no primeiro tempo da partida, a Seleção Brasileira foi extremamente passiva, aceitando o domínio dos franceses.
As substituições feitas no segundo tempo, tornaram a equipe mais competitiva, especialmente as entradas do atacante Luiz Henrique, do Zenit e do meio-campista Gabriel Sara, do Galatasaray, que deram um pouco mais de dinamismo e organização à equipe.
A ideia era que o time fosse vertical, mas para que a verticalidade funcione e se torne realmente um antídoto para diminuir a superioridade técnica do adversário, seria necessário que alguns pontos do setor defensivo funcionassem perfeitamente, o que não ocorreu no primeiro tempo do jogo.
O conceito era, teoricamente, interessante e poderia ter sido eficaz. Mas, a Seleção Brasileira não foi efetiva nos contra-ataques, nem segura defensivamente. Em vários momentos houve certo espaçamento das linhas, o que facilitou o desempenho coletivo da França e a quebra de harmonia do grupo brasileiro.
A estratégia perfeita seria o time brasileiro ter congestionado o setor de meio-campo francês e ser letal no terço ofensivo. Mas, para isso funcionar seria necessária a participação efetiva dos homens de lado de campo, que funcionam como válvulas de escape para reduzir a pressão exercida.
Os pilares do elenco, Raphinha e Vini Jr., não conseguiram desempenhar seu papel da forma esperada. Também não havia um meio-campista de ligação clássico, o que obrigou o time brasileiro, a optar por chutes longos em muitas jogadas, para efetuar a ligação defesa/ataque.
A formação com quatro atacantes mais adiantados, também não funcionou. E, o gol do Brasil, de redução do placar, se originou de uma jogada com bola parada, o que demonstra que o time brasileiro ainda tem falhas estruturais importantes.
A dificuldade do confronto era conhecida, pois estamos comparando o trabalho consolidado do técnico Didier Deschamps, que está comandando a Seleção Francesa há mais de 13 anos, com o projeto recém iniciado de Carlo Ancelotti, que ainda é embrionário e está em fase de conhecimento dos atletas brasileiros.
Com todos esses fatores somados, o resultado foi uma atuação coletivamente abaixo do esperado. Isso me faz pensar que a culpa da má atuação não deve ser totalmente imputada ao trabalho de Ancelotti. Não querendo ser repetitivo, gostaria de ressaltar que este ciclo foi totalmente acidentado com trocas sucessivas de comando técnico, impactando decisivamente o modelo tático atual.
A ideia da nova gestão é dar continuidade ao trabalho de Ancelotti, pois dessa forma ele poderá montar a equipe de acordo com suas características, convocar e fazer testes com menor prejuízo competitivo. Mas está cada vez mais claro, que não se pode esperar muito da participação da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2026.
Porém, sempre há uma esperança. Com a Copa sendo disputada em tiro curto, com apenas oito jogos para ser campeão, podem surgir soluções que até o momento não apareceram, derivadas de encaixe da escalação titular no período de treinamento, aliado à vasta experiência de Carlo Ancelotti, que está acostumado a lidar com diferentes cenários.
A falta de protagonismo coletivo, pode denotar que a chave para se enfrentar equipes de grande relevância no cenário internacional seja adotar conservadorismo mais acentuado. Vamos ver qual será a decisão de Ancelotti.
A expectativa para o próximo confronto é de que seja de igual dificuldade, exigindo protagonismo tático da Seleção Brasileira. A Seleção da Croácia possui esquema híbrido, sabendo atuar tanto com linhas baixas, como tendo o controle das ações do jogo. geRead More


