Sob desconfiança, Itália encara repescagem para evitar ausência de terceira Copa do Mundo seguida
Bancada do Tá na Área debate sobre as últimas vagas europeias para a Copa do Mundo
A Itália volta a viver o drama da repescagem para a Copa do Mundo. Fora das duas últimas edições, a tetracampeã tenta evitar uma terceira ausência consecutiva em meio a um ambiente de desconfiança e pressão. O ge conversou com o jornalista italiano Massimo Franchi, do Tuttosport, e o ex-jogador ítalo-brasileiro Éder Citadin, que atuou pela Azzurra entre 2015 e 2017, para entender como a seleção italiana chega à fase decisiva.
— Se você perguntar por aqui (Itália) sobre a repescagem, todos vão dizer que não estão confiantes. Acham que a Itália não vai se classificar para mais uma Copa, pela terceira vez. Brasil 2014 foi a última Copa do Mundo. Já se passaram 12 anos. E na última, a Itália foi mal, muito mal — analisa o jornalista italiano.
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Por que a Itália vai jogar a “vida” na repescagem da Copa do Mundo em um estádio pequeno?
A seleção italiana acumula eliminações traumáticas em repescagens nas últimas edições – primeiro diante da Suécia, em 2018, e depois contra a Macedônia do Norte, em 2022. Nas últimas duas Copas que disputou, em 2014 e 2010, foi eliminada na fase de grupos.
Agora, volta a um cenário que já virou pesadelo recente, com elenco em reconstrução e sob forte pressão por resposta imediata. A Itália tem cinco vitórias em seis partidas sob o comando do técnico Gattuso, que assumiu em setembro do ano passado. No entanto, vem de derrota por 4 a 1 para a Noruega, que gera desconfiança.
É um momento que, mais do que tática ou físico, é importante trabalhar o mental, para deixar os jogadores mais tranquilos.”
A Itália enfrenta a Irlanda do Norte, nesta quinta-feira, às 16h45 (de Brasília), em Bérgamo. O ge acompanha a partida em Tempo Real.
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Retegui, Politano, Frattesi e Pio Esposito cantam hino da Itália antes de jogo contra a Noruega
Getty Images
Em longa conversa com o ge, o jornalista Massimo Franchi relembrou as últimas repescagens e demonstrou um certo incômodo com o atual momento. Segundo ele, as competições europeias podem resumir bem o que a Itália passa há mais de uma década.
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Na atual edição da Champions League, a Atalanta foi a única equipe a representar o futebol italiano até as oitavas de final. Porém, acabou sendo eliminada para o Bayern de Munique, com um placar agregado de 10 a 2.
Por questões financeiras, o futebol italiano de clubes, que foi grande potência até o início do século XXI, passou a ocupar uma prateleira secundária no cenário europeu. Após a implementação de regulamentos econômicos na Uefa, equipes como Inter de Milão e Milan, que mantinham elencos estrelados de forma deficitária, caíram de nível.
Título europeu entre duas ausências na Copa
Outro grande fator para o momento dos últimos anos é a constante troca no comando técnico. O ex-atacante Éder Citadin, que agora atua como diretor de futebol do Criciúma, viveu uma dessas mudanças de treinadores e destacou a dificuldade que isso gerou à seleção italiana.
Em sua primeira convocação, Éder Citadin foi chamado pelo técnico Antonio Conte, que chegou a disputar a Eurocopa com a Itália, mas resolveu voltar ao cenário de clubes para treinar o Chelsea. Giampiero Ventura foi o substituto e acabou sendo taxado como um dos grandes culpados pela primeira repescagem dos italianos.
— Tínhamos mantido a base da Eurocopa, onde a gente foi muito bem, fez algumas trocas. Mas, infelizmente, foi a primeira vez que a Itália ficou fora de uma Copa. Então, foi um momento bem delicado. Vivi os dois extremos. Um momento muito bom com o Antonio Conte, depois esse momento de dificuldade com o Giampiero. Depois aconteceu com o Mancini o que ninguém esperava: depois de ganhar uma Eurocopa, ficar fora de outra Copa, em 2022 — destaca Éder.
Chiellini ergue a taça da Eurocopa na festa da Itália em Wembley
Michael Regan/Reuters
Após conversas com o ex-zagueiro Bonucci, que é um dos auxiliares na comissão técnica de Gattuso, Éder Citadin revelou impressões sobre o trabalho na Azzurra. Ele sente que o atual treinador está tentando tirar a pressão dos atletas e que a mídia local parece querer dar essa tranquilidade também.
— Acho que a pressão é muito grande. O Gattuso até tentou nas entrevistas tirar essa pressão. Vejo um pouco mais de positividade da parte de todos para trazer essa confiança para os atletas. Mas assim, que está tendo pressão e que vai ser um jogo bem nervoso para todos, com certeza
Gennaro Gattuso, técnico da Itália, em entrevista coletiva
Efe
Na véspera da partida, o técnico Gennaro Gattuso concedeu entrevista coletiva e deixou claro que sabe o tamanho do desafio no qual está envolvido. Os italianos vão disputar novamente a repescagem das eliminatórias da Europa e, para chegar ao Mundial, terão que passar por dois desafios.
O primeiro será contra a Irlanda do Norte, nesta quinta-feira, em Bérgamo. Caso avance, enfrentará o vencedor de País de Gales x Bósnia em duelo decisivo por uma vaga na Copa do Mundo 2026. geRead More


