Tencati vê Botafogo-SP com ritmo “um pouco” abaixo que Fortaleza e traça meta na Série B
Diretoria do Botafogo-SP promete time mais competitivo para Série B
O técnico Cláudio Tencati afirmou, em coletiva de imprensa na manhã desta quinta-feira, que vê o Botafogo-SP com um ritmo “um pouco abaixo” do que o Fortaleza, adversário da estreia na Série B neste sábado, às 19h15, em casa.
O último jogo oficial do Tricolor foi no dia 15 de fevereiro, na última rodada da primeira fase do Paulistão. Desde então, com poucos dias de folga, o Tricolor iniciou a intertemporada, que também incluiu jogos-treinos.
Cláudio Tencati, técnico do Botafogo-SP, em entrevista coletiva antes da Série B
Vinícius Alves/ge
Já o Fortaleza, que está invicto na temporada, foi campeão Cearense e jogou pela última vez na terça-feira, pela quarta fase da Copa do Brasil, e venceu o Nova Iguaçu-RJ por 1 a 0.
– Esse timing a gente perdeu um pouco e vamos enfrentar um Fortaleza com ritmo, jogou a Copa do Brasil agora, e a gente ficou treinando, com ausência de jogar tem um prejuízo também.
– Temos a motivação da estreia, de estar preparado. Mas todo mundo confunde por conta do ritmo de jogo. Muita gente fala do tempo de preparo, mas a outra equipe está mais acostumada com ritmo tático, físico. Acredito que o Fortaleza está um pouco acima, mas temos que buscar equilibrar. No jogo-treino o comportamento é diferente, não vale três pontos. Agora, sábado, todo mundo presente, o contexto emocional é diferente. A gente não regula, mas não dá para replicar. Foi importante, foi, mas não replica o jogo. Ele aproxima, dá ajuste tático, ver o que funcionou ou não. O Fortaleza vai estar com uma pequena vantagem com isso, mas a gente tem que superar, entregar nosso melhor.
Fortaleza em jogo contra o Novo Iguaçu na Copa do Brasil
Vinicius Gentil/Fortaleza EC
Metas na Série B
Na coletiva, Tencati também apresentou as metas do clube na Série B. Nos últimos anos, o Tricolor brigou para não cair. No ano passado, escapou na rodada final.
Para 2026, o objetivo é buscar os 45 pontos cada vez mais rápido para poder mirar, o quanto antes, a primeira parte da tabela.
– A gente luta pela manutenção e pelo acesso. Toda equipe quer chegar aos 45 pontos logo. Quem negligenciar os 45 pontos, pode se complicar. Um exemplo é do Paysandu ano passado, com uma folha alta. Nosso foco é esse. Manutenção e brigar na parte da frente. Não estamos indo só para não cair. Lutamos pelo acesso, por algo maior também. Se não der, queremos estar no bloco dos dez. Esse é o foco nosso. O número mágico para subir direto tem que ser acima de 66 pontos, entre 66 e 70. Quem vai lutar de terceiro a sexto [para o playoff], vai ficar abaixo disso, entre 60 e 65. A manutenção vai ser os 45, como tem sido nos últimos anos, mas queremos avançar para além disso – afirmou.
Cláudio Tencati, técnico do Botafogo-SP, em treinamento para a Série B
João Victor Cristovão / Agência Botafogo
– Óbvio que tem uma desconfiança dos resultados passados. No Paulista foi um start um pouco melhor que nos outros anos. Não sofreu nas última rodadas por uma situação adversa. Até sofreu, mas por outra situação, de classificação. É uma equipe que pode e vai evoluir, vai entender a competição, que é dura, traiçoeira, exigente. Elencos que foram montados para subir, às vezes caem. Elenco montado para se manter, ficam no meio da tabela. Equipes que montaram para manter, quase subiram. Já vi muito disso. Depende muito do encaixe, motivação da equipe. No primeiro jogo mesmo vamos pegar um time que vai investir para subir, está fazendo investimento para isso. Agora, não tem nenhum grande com camisa pesada, como Santos, Cruzeiro, Vasco. Se olhar os escudos, todos estão no mesmo barco, na minha opinião.
Leia os trecos da entrevista de Tencati
Reforços
– É até difícil debater, porque da nossa parte sempre queremos os melhores, mas nem sempre vai dar certo. Tem a prateleira, mas às vezes não dá pelo valor. Usamos o critério das características do que o Botafogo precisava, e não de nomes. O Fortaleza pegou dois jogadores que eram alvos do Botafogo, mas aí entra o poder financeiro que é maior. Aí temos que ir para outro viés, que foi o das características, dentro do modelo de jogo. São jogadores que podem crescer e a gente viu isso já no futebol nacional, daqui a pouco vira uma vitrine para o Botafogo, que pode potencializar o atleta e o Botafogo se beneficiar. Procuramos contratar quem se destacou nos estaduais, seja no Paulista, como no Goiano, Catarinense. A gente procurou construir essas ideias. Quais serão titulares? Ainda é uma fase de adaptação. Alguns já mostraram que podem ser titular. No Paulistão, a reposição era menor. Agora a gente aumentou. Nas laterais temos dois por setor, ataque três, fora os meninos da base. Ficou mais competitivo.
Zé Hugo, novo atacante do Botafogo-SP
João Victor Cristovão / Agência Botafogo
– O Fortaleza tinha dois beiradas para jogar o estadual. Eles buscaram o Paulo Baya e um outro beirada do Primavera. Eram alvos nossos e não conseguimos, faz parte do jogo. A gente viu o valor técnico do Wesley, que é jovem e promissor, foi bem no Goiano, um dos destaques. Temos o Zé Hugo, acostumado na Série B, com acesso, título, jogou no Goiás, Coritiba, é mais maduro. É um cara “canchado” na Série B e o Wesley, que é uma aposta alta. O Thiago Moraes é maduro na minha opinião, acostumado a jogar o Paulista, outras competições, cascudo, característica boa para equipe. O Luizão é centroavante nato, vocês vão se surpreender com esse jogador, cabeceia bem, gira bem. Um centroavante que o mercado não tem. Fez um bom Catarinense, que é competitivo. Trouxemos jogadores que foram bem, chegaram em fases decisivas. O Felipe Vieira também aparecendo em equipes brigando e conseguindo acessos, Vitória e Chapecoense, trabalhei com ele no Londrina, é um cara construtor e mais equilibrado. Esse foi nosso pensamento para trazer os atletas e tenho certeza que serão destaques na competição. Depende deles, do nosso trabalho e do nosso torcedor. Sei que existe a desconfiança de como vai ser o Botafogo, como vai ser o trabalho e, gradativamente, vamos conquistar nosso torcedor.
– Tem um meia que deve chegar nesta semana e tem um segundo atleta que a gente já está para definir, tem um acordo encaminhado, mas tem uns ajustes. Se não der para essa janela, fica para a próxima. De meia está certo, mas no ataque, se não der, fica para a janela do meio do ano.
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Marco Antônio, ex-Vila Nova, está perto do Botafogo-SP
Roberto Corrêa / Vila Nova F.C.
Problemas na defesa
– A defesa é uma preocupação pelas lesões, o Ericson ninguém esperava. Vai demorar um pouco mais para retornar. Os demais (Wallace e Gui Mariano) são dúvidas para estreia. O Vilar está à disposição, está treinando bem e se tiver que estrear, vai estrear com certeza. Tem mantido o profissionalismo. Se der certo de ficar, ótimo. Se não der, tem mantido o profissionalismo.
Wallace
– É uma oportunidade de mercado que a gente teve, até pelo custo-benefício. O clube apostou. Ele estava comigo no Atlético-GO, vinha performando após a lesão de LCA, teve lesão muscular. Ficou entre nós e a Ponte, viu a realidade da Ponte e veio para cá. É um zagueiro diferenciado. Se ele está em um momento de performance no Botafogo, ele vai direto para Série A. O nível dele é alto. Acreditamos que ele vai reequilibrar e estamos buscando isso. Ele teve um pequeno desconforto na preparação, é dúvida para a estreia, mas se ele não estrear, na sequência deve estar totalmente à disposição contra o América-MG ou São Bernardo. O desafio é o equilibro muscular com a carga. É o caso do Salles. Se ele está no momento de performance, seria Série A. Mas o Botafogo apostou nele, custo benefício.
Wallace, zagueiro do Botafogo-SP
João Victor Cristovão / Agência Botafogo
Opções no elenco
– Em uma Série B com 38 rodadas, precisa de variação tática. Se não tiver, vai construir uma ideia de equipe e vai ficar estagnado. A gente vai ficar diversas rodadas nessa formatação e os adversários vão entender e explorar. Temos que ter jogadores diferentes para alternar a equipe. Com 38 rodadas, times sem variação fica estagnado e estaciona. Por outro lado, uma equipe que não começou bem, com as variações vai melhorando e consegue os objetivos. Um exemplo é o último jogo em casa, que a gente precisou variar e não conseguiu.
– Podemos dobrar laterais, com bloco de cinco para atacar. A contratação do Thiago foi para abastecer o setor direito, porque joga muito na meia-direita. O Salles pode fazer, mas não é muito a dele, porque ele é volante de centro, ou segundo volante. O Thiago vem bem nos treinamentos. O Inocêncio fazia dobra com o Maílton na Chapecoense, como se fosse um meia. Ele sabe fazer isso. A princípio a ideia é potencializar Morelli e Thiago.
Thiago Moraes, volante do Botafogo-SP
João Victor Cristovão / Agência Botafogo
– O Brey está à disposição, treinou toda a semana, teve um trauma no joelho. Ele e o Felipe Vieira vão revezar. O Patrick Brey voltou muito bem. Ele tem uma característica particular de ser muito intenso e competitivo quando volta. Nossa equipe está com competivividade em todos os setores. Hoje já tenho umas dores de cabeças positivas. O Salles vem crescendo muito, Maciel entregou um Paulista muito bom, daqui a pouco podem jogar juntos, Marquinho tem treinado bem, no Paulista oscilou mais, concorre com o Gava e faz sombra, Thiago está treinando muito bem, assim como o Morelli. Ele está bem e é um possível titular.
Patrick Brey comemora gol pelo Botafogo-SP contra o Primavera
João Victor Menezes de Souza/Agência Botafogo
Fator casa na Série B
– Uma coisa que estamos comprometidos é de fazer a nossa casa um fator predominante para nós e, depois buscar pontos fora. Em casa tem que ser determinante. O primeiro jogo é ansiedade para todo mundo, mas a gente tem que se impor dentro de campo para buscar essa vitória.
– Não há dúvida que vou cobrar empenho, dedicação, competitividade, dar o melhor nosso. Vai ter jogo que vamos vencer bem, vai ter jogo que vamos vencer sofrido, que vamos sofrer mais que o normal, mas tem que competir e se empenhar.
Cerca de 9 mil torcedores em Botafogo-SP x Amazonas na Série B 2025
João Victor Menezes de Souza/Agência Botafogo
Pontas e Jefferson Nem
– Fizemos uma reunião com os jogadores de lado e eu disse que não vai ter cadeira cativa para ninguém, inclusive os lados. Se o jogador estiver produzindo um nível alto pelo setor, pode ser ele a opção. Se tem um equilíbrio, vai ter os revezamentos, as trocas para que a a gente possa preparar. A gente não tem nenhum canhoto como atacante. Então, tem que preparar. A gente tem que entender a dinâmica. Quem vai cruzar? Só os laterais ou os atacantes? Queremos um jogo com profundidade, principalmente quando jogar com três atacantes. O Nem fez boa parte da competição bem, depois oscilou. Todos não vão voltar para [o lado de] origem, vão concorrer entre direita e esquerda. É um debate interessante.
Jefferson Nem em Botafogo-SP x Noroeste no Paulistão 2026
Douglas Moreti/Ag.Paulistão
Grupo unido
– A questão de família já uma característica nossa, de grupo unido. Temos muito disso de gerenciar bem o vestiário, depende de mim, da comissão, dos atletas. Se o grupo não quer, não dá, esquece. Não é esse viés aqui. Construímos uma base positiva no Paulista, tem ideias de metodologia e filosofia de trabalho definidas. Quem chegou, vai entrar nessa vibe. Sou muito do diálogo. Eu sempre digo porque estou tirando, para entender se são motivos táticos, técnicos. O atleta vai ter esse entendimento. O maior problema é alimentar suposições, dúvida. O que a gente tenta fazer é tirar a dúvida. Vem cobrança de fora, da torcida, empresário, família. Cabe a nós minimizar isso e ajudar o problema. Sempre deixo as portas abertas, sempre dou atenção, sobretudo para quem não joga. Se eu tenho cinco atacantes de lado, dois iniciam o jogo e três vão para o banco. A cada dois jogos eu vou rodando os do banco, se ele estiver entregando. Se o nível não está o mesmo, não vamos rodar. Tem que ter esse olhar geral para não desmotivar, desde que esteja produzindo, entregando. Rodizio nos titulares, se encaixar a equipe, a base vai ficar. Aí vai mudar só se for taticamente, ou lesão ou cartão.
Elenco do Botafogo-SP no último jogo pelo Paulistão 2026
João Victor Menezes de Souza/Agência Botafogo
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