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Tombo na Libertadores coloca temporada do Botafogo em xeque

Tombo na Libertadores coloca temporada do Botafogo em xeque

Botafogo 0 x 1 Barcelona-EQU | Melhores Momentos | Conmebol Libertadores 2026
Comparada ao caos administrativo que o clube está passando, até que a situação do Botafogo dentro de campo não era das piores neste começo de temporada. É claro que o time ficou ausente das semifinais do Carioca, mas havia tratado a competição meio de canto de olho, com as atenções voltadas para a Libertadores — essa, sim, uma disputa fundamental para as ambições esportivas e financeiras da temporada.
Tudo parecia encaminhado para garantir a classificação à fase de grupos. Bastava uma vitória em casa diante do Barcelona de Guayaquil, time equatoriano que está longe de suas melhores versões. Eis que de repente, não mais que de repente, da esperança fez-se a desordem — no espírito botafoguense e também no time da Martín Anselmi. E então veio o tombo, que fez eco em toda estrutura do Nilton Santos.
A derrota de ontem é daquelas potencialmente decisivas para o desenrolar do ano. Na atual situação do clube, que semanas atrás demitiu dezenas de funcionários, não se pode desprezar o montante de cerca de 5 milhões de reais que a participação na fase de grupos iria garantir (além de 1,7 milhão por vitória conquistada). No aspecto esportivo, o Botafogo se vê apartado do título mais importante da temporada, e a Copa Sul-Americana, apesar de ser uma competição relevante, torna-se apenas um prêmio de consolação — a ambição nutrida pelo torcedor alvinegro nos últimos anos pedia muito mais. Um efeito colateral não menos preocupante decorrente da queda inesperada é uma possível desmobilização para outras competições que recém começam a engrenar.
Céliz comemora gol do Barcelona de Guayaquil contra o Botafogo
EFE/Antonio Lacerda
Ao final do jogo, a torcida dirigiu ao campo o grito de “time sem-vergonha”. Mas não faltou dignidade: o Botafogo, na verdade, hoje é uma equipe sem norte. Contra o Barcelona, ficou evidente que falta repertório ao time, que passou grande parte da noite buscando os lados do campo quase que exclusivamente para levantar bolas na área e torcer por algum enrosco que acabasse em gol. O único resultado dessa estratégia atabalhoada foi a consagração do arqueiro Contreras, o melhor em campo. Faltam dinâmicas ao time, tanto em termos criativos quanto no aspecto defensivo, como ficou evidente na falha coletiva que permitiu a Milton Céliz marcar o gol que selou o destino botafoguense na competição, com decisiva contribuição de Léo Linck.
É claro que Martín Anselmi tem questões urgentes a corrigir, mas parece evidente que a situação do time, em grande parte, é reflexo da confusão enfrentada pelo clube. Hoje, apesar de contar com nomes cobiçados por qualquer rival, o elenco é bastante insuficiente — e essas carências podem ser representadas pela crise da camisa 1 alvinegra. Mais do que isso, o departamento de futebol parece passar por um processo de desmonte contínuo. É difícil driblar a constatação de que o time está sendo negligenciado, especialmente quando o próprio John Textor adjetiva como “guerra civil” o que acontece na gestão da holding que controla do Botafogo — o norte-americano segue no comando da SAF alvinegra apenas devido a uma decisão liminar.
No rescaldo de tudo isso, a crise se torna também anímica. Aos quinze minutos do primeiro tempo, parte dos botafoguenses presentes no Nilton Santos já não poupava as cordas vocais para mostrar sua insatisfação. A manifestação era contra o time, obviamente, mas também contra a evidente falta de rumo e de perspectiva, em meio a um ambiente desgovernado. Era, especialmente, contra o desmanche do encantamento, que até um tempo atrás parecia não ter prazo de validade.
Torcida do Botafogo protesta após eliminação na Libertadores: “Time sem vergonha” geRead More