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Trump reafirma que há diálogo com Irã e que ‘eles concordaram em não ter armas nucleares’

Trump reafirma que há diálogo com Irã e que ‘eles concordaram em não ter armas nucleares’

 Trump anuncia trégua de 5 dias com o Irã após ‘conversas muito boas’ sobre fim da guerra
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reafirmou nesta segunda-feira (23) que há um diálogo em curso entre seu governo e autoridades iranianas colocar fim ao conflito no Oriente Médio. Mais cedo, agências de notícias estatais iranianas haviam negado a existência de negociações.
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Veja abaixo o que disseram Trump e Irã nesta segunda:
Às 8h23, Trump anunciou em suas redes sociais uma trégua de 5 dias em ataques à infraestrutura energética do Irã e afirmou ter tido “conversas muito boas” no fim de semana com lideranças iranianas.
Menos de 1 hora depois, agências de notícias estatais iranianas negaram que existam negociações em curso.
Pouco antes das 11h, Trump foi questionado por repórteres sobre as negociações e reafirmou que há um diálogo em curso. (leia mais abaixo)
‘Eles que nos ligaram’, diz Trump
Trump afirmou a repórteres que o diálogo em andamento traz uma grande chance de acordo, disse que o Irã concordou em se comprometer a não desenvolver armas nucleares e que foram autoridades iranianas que procuraram a Casa Branca para o diálogo.
“Eles que (nos) ligaram. Eu não liguei (para eles)”, disse Trump.
O republicano alegou que provavelmente há uma falta de comunicação interna no governo do Irã por conta dos recentes ataques dos EUA e de Israel.
O norte-americano disse ainda que a conversa não é tratada com o atual líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, escolhido para substituir seu pai, o aiatolá Ali Khamenei, morto por um ataque de Israel. Trump afirmou não reconhecer Mojtaba Khamenei como novo líder e disse que as negociações tratarão de uma nova liderança para o Irã.
Agências iranianas negam que haja diálogo
Presidente dos EUA, Donald Trump, fala com repórteres em aeroporto na Flórida, nos Estados Unidos, em 23 de março de 2026.
REUTERS/Kevin Lamarque
Mais cedo, no entanto, agências de notícias estatais iranianas negaram o contato com Washington.
A agência de notícias iraniana Fars, estatal da Guarda Revolucionária do Irã, afirmou nesta segunda-feira (23) que não há conversas em andamento entre autoridades de Teerã e dos EUA. Com base em fontes do governo iraniano, a Fars disse também que o presidente dos EUA, Donald Trump, recuou após ouvir as ameaças do Irã de atacar estações energéticas no Golfo.
A Tasmin, outra agência estatal iraniana, também desmentiu a fala de Trump, com base em fontes do governo do Irã.
“Não houve negociações e não haverá, e com esse tipo de guerra psicológica, nem o Estreito de Ormuz retornará às suas condições pré-guerra, nem haverá paz nos mercados de energia”, disse a Tasmim.
Não houve negociações e não haverá, e com esse tipo de guerra psicológica, nem o Estreito de Ormuz retornará às suas condições pré-guerra, nem haverá paz nos mercados de energia.
Segundo a agência de notícias Mehr, o ministro das Relações Exteriores do Irã disse que a declaração de Trump é uma tentativa de fazer com que os preços do petróleo e gás, que dispararam após a guerra, voltem a cair.
Em post na rede Truth Social, Trump afirmou que representantes dos dois países tiveram “conversas muito boas e produtivas” no fim de semana e que ordenou o adiamento de qualquer ataque contra a infraestrutura energética iraniana.
“Tenho o prazer de informar que os Estados Unidos e o Irã tiveram, nos últimos dois dias, conversas muito boas e produtivas a respeito de uma resolução completa e total de nossas hostilidades no Oriente Médio. Com base no teor e no tom dessas conversas aprofundadas, detalhadas e construtivas, que continuarão ao longo da semana, instruí o Departamento de Guerra a adiar todos e quaisquer ataques militares contra usinas de energia e infraestrutura energética iranianas por um período de cinco dias, sujeito ao sucesso das reuniões e discussões em andamento”, declarou.
Trump durante encontro com a primeira-ministra do Japão na Casa Branca.
Reuters/Evelyn Hockstein
A declaração ocorre um dia após a Guarda Revolucionária do Irã ameaçar fechar “completamente” o Estreito de Ormuz, e atacar as usinas de energia de Israel e aquelas que abastecem as bases americanas em toda a região do Golfo.
Foi uma resposta a Trump, que no sábado (21) falou em “obliterar” usinas de energia do Irã caso Teerã não reabrisse totalmente o estreito de Ormuz em até 48 horas. O prazo limite venceria por volta das 19h44, no horário de Brasília, desta segunda-feira.
Um ataque às instalações energéticas iranianas seria considerada uma escalada significativa na guerra que os dois países travam há mais de três semanas.
Trump dá ultimato para o regime dos aiatolás reabrir o estreito de Ormuz.
Em comunicado, a Guarda Revolucionária iraniana disse também que, em caso de ataque a essas instalações iranianas, eles irão:
“Destruir completamente” empresas no Oriente Médio que tenham participação norte-americana;
Considerar como “alvos legítimos” instalações de energia em países que abrigam bases dos EUA.
Antes da fala da Guarda Revolucionária, o governo iraniano já havia reagido por meio de outras autoridades à ameaça de Trump.
Navio atravessa o Estreito de Ormuz em 19 de março de 2026
AP
O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, disse nas redes sociais que o país irá “destruir de forma irreversível” infraestruturas críticas e instalações de energia no Oriente Médio.
As Forças Armadas iranianas também afirmaram que o eventual indicado por Trump resultará em represálias contra todas as infraestruturas de energia pertencentes aos EUA na região serão alvo de uma eventual resposta de Teerã.
A reação menos inflamatória foi do embaixador iraniano na Organização Marítima Internacional (IMO), a agência marítima da ONU. Ali Mousavi afirmou que o estreito permanece fechado apenas para navios dos “inimigos do Irã” e que o Irã quer contribuir para a passagem segura das demais embarcações.g1 > Mundo Read More