Zagueira do Cruzeiro retoma carreira após pausa de dois anos para tratar saúde mental; conheça
“Precisava me entender e me conhecer.”
Foi por este motivo que Tainara decidiu pausar a carreira no fim de 2023. Jogando em alto nível, a zagueira, que era titular absoluta da Seleção, se viu fora da Copa do Mundo por lesões em sequência. Esse foi o gatilho que a fez repensar a trajetória.
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– Cheguei a me perguntar: “Como eu estou? Com estou atuando? Como meu corpo está respondendo?”. Meu corpo não estava respondendo muito positivo em relação a muitas coisas, em relação ao tempo, descanso, enfim, tudo. Entendi que isso era uma prioridade para mim. Cuidar de mim é uma prioridade. Até para estar bem para o futebol, para não fazer isso de qualquer jeito.
Tainara na seleção feminina
Thaís Magalhães/CBF
Tainara surgiu no São Francisco, da Bahia, fez carreira pelo Vitória, Santos, Palmeiras, Bordeaux, da França, e Bayern de Munique, da Alemanha. Passou todo o ciclo da Copa de 2023 como jogadora referência daquele elenco comando por Pia Sundhage, mas acabou não indo ao mundial. A zagueira ficou como suplente e viu pesar o aspecto físico.
“Ficar fora da Copa foi uma consequência do que aconteceu comigo. Eu tive 10, 12 lesões seguidas, foi uma consequência. Mas eu acredito que foi o todo, o geral, sem descanso, eu precisava desse cuidado. Não estar na Copa não foi principal para a decisão.”
– As lesões foram acontecendo. Eu fui rompendo tendão, fêmur, fratura nas costas, posterior (de coxa), adutor. Eu fui entendo que meu corpo não estava se recuperando conforme o esperado. Fui entendo que eu precisava de uma atenção maior com meu físico e, consequentemente, com meu mental. Ele está incluso, não é uma parte separada.
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Foi neste momento, ao fim de 2023, ainda defendendo o Bayern de Munique, que Tainará decide pausar a carreira e viver para se cuidar.
– Eu entendi que se eu cuidasse do meu mental, o físico também ajudaria, e o oposto também. Fiz essa escolha por mim, em respeito ao futebol, em respeito a tudo que eu também plantei, em respeito a minha família também, mas fez sentido pra mim. Não tem justificativa ou culpados.
Essa decisão pegou a todos de surpresa, em especial a família de Tainará. A jogadora vivia sozinha na Alemanha quando decidiu pausar a carreira. O acolhimento foi essencial para a recuperação.
– Eu decidi sozinha parar. Não comuniquei para ninguém. Eu decidi que era um autocuidado. Me analisei fisicamente, não tinha o que fazer a não ser me cuidar. É isso que eu fiz. Minha família sabe da exigência que tenho comigo mesmo. Eles entenderam que havia algo errado. Não quis abrir isso para todos. Quis me cuidar, tendo em vista a delicadeza do tópico atual que é saúde mental. Priorizei me entender para depois falar com os demais.
“Aceitação física, aceitação de que estava realmente desgastada. Eu me analisei, conversei com especialistas da área. Entendi que o desgaste mental vinha também a partir do físico. O corpo precisa desse tempo. Busque muita ajuda psicológica nesse tempo”.
O retorno ao futebol
Foram 782 dias sem entrar em campo para jogar profissionalmente. Tainara fez a última partida no dia 20 de dezembro de 2023 pela Liga dos Campeões Feminina. No dia 14 de fevereiro, a zagueira vestiu a camisa do Cruzeiro em uma partida. Foi no jogo contra o Bahia, pelo Brasileirão, que a jogadora voltou a fazer o ama.
“Estou bastante feliz por estar aqui. Pela forma como fui recebida, não tenho dúvidas nenhuma que escolhi o melhor lugar para recomeçar. Diariamente eu sinto isso. É o que eu amo fazer, feliz pela torcida como a torcida nos acolhe.”
– Quando se faz algo grandioso, como o Cruzeiro vem plantando, naturalmente as pessoas falam disso. Uma das conversas que tive com algumas atletas foi sobre a psicologia no Cruzeiro. Isso também é um dos fatores que faz a gente se sentir bem.
Time do Cruzeiro feminino
Gustavo Martins/ Cruzeiro
O caminho dela até o Cruzeiro passou por uma conversa de bastidores com uma representante da atleta. Tainara buscava um clube e o Cruzeiro buscava uma zagueira – com a perda de Isa Haas, titular do time. Jonas Urias foi uma das peças importantes nesse retorno de Tainara aos gramados.
– A empresária da Tainara nos fez uma visita. Creio que o plano não era esse (de negociar a Tainara), mas uma vez aqui, a chamou atenção o quanto esse ambiente parecia seguro e de respeito a mulher, a atleta. Naquele dia, falamos de algumas possibilidades e de algumas atletas, e foi quando a empresária traz o nome da Tainara.
“Eu, particularmente, desde o momento um já sinalizei que ela era extraordinária e que seria um privilégio trabalhar com ela. Então foi um conjunto do diferencial do Cruzeiro. Fizemos uma reunião com a Tainara e fiquei impressionado em como ela demostrava estar pronta para aquele retorno”.
Tainara, Cruzeiro
Gustavo Martins/ Cruzeiro
Pronta para retornar, Tainara se dedicou e se preparou para jogar bola. Reconectada com uma de suas maiores paixões, a zagueira viu a titularidade pular no seu colo logo na estreia com a lesão de Vitória Calhau. Agora, readaptada, vai encarar o primeiro clássico desde o seu retorno. Um momento único e especial.
– Por estar no Cruzeiro, a referência do estado, bate sim uma ansiedade para o clássico. Clássico é importantíssimo para a gente. Vamos com força total para esse jogo. A expectativa é ganhar. Clássico não se joga, se vence. Essa é a expectativa.
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