Zé Lucas, 18 anos: como a maior joia do Sport nos últimos anos foi lançada por acaso
No dia do aniversário, Zé Lucas viaja para se apresentar à Seleção Sub-20
Desde os 8 vivendo na Ilha do Retiro, Zé Lucas completa 10 anos de Sport celebrando, ao mesmo tempo, uma nova fase da vida. A principal joia das categorias de base do Leão completou a maioridade na última segunda com olhos voltados para o futuro: valorizando o corpo e a mente enquanto tateia os primeiros passos no mundo dos adultos.
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Desde 2025, Zé é acompanhado por um nutricionista particular para ganhar massa muscular, engajou nos estudos do Inglês e, mais recentemente, decidiu contratar um profissional para melhorar a comunicação. A disciplina deu frutos.
O corpo, o mais visível: o prata da casa “cresceu”. Ganhou peso e músculos, deixando o corpo franzino, de criança, para trás. Assim, Zé dá início à nova fase da vida. E com conquista em forma de “feliz aniversário”: convocação para a Seleção de base. (Veja comparativo de fotos abaixo).
Zé Lucas, principal joia da base do Sport
Paulo Paiva/Sport Club do Recife
Na madrugada de segunda-feira, o volante rubro-negro embarcou rumo a São Paulo para se apresentar ao sub-20 do técnico Paulo Victor. Foi o único atleta do Nordeste a ser chamado — e na sua primeira convocação pela categoria.
À altura do feito, Zé Lucas viajou de terno, calça e sapato social. Com direito à família presente no Aeroporto com um bolo de aniversário para comemorar o momento de dupla celebração.
— Só tenho a agradecer ao elenco do Sport, a todo o grupo. Sem eles não teria conseguido, sem estar no dia a dia com eles. Expectativa muito grande que tenho de ir lá e dar meu melhor a cada treino, a cada jogo, e conquistar meu espaço agora na seleção sub-20 — comemorou Zé.
Zé Lucas e família em viagem da joia do Sport para a Seleção sub-20
ge
Mas as curiosidades dessa jornada pouca gente sabe. O ge, então, revela bastidores de como o clube achou o garoto. Ou de como ele achou o Sport.
Primeiro, chamado de Luquinhas. Depois batizado como Zé Lucas. Agora adulto — para a responsabilidade dos pais, Adriana e Paulo, ser ainda maior.
— Muito orgulho do meu menino. Agora que tem que estar perto, vendo tudo e acompanhando de perto — disse a mãe.
— Agora ele está completando maioridade, responsabilidade a mais. Se a gente já tomava conta direitinho, agora que vamos apertar o nó. Zé Lucas é um menino focado — responde o pai.
“Foi com Pelado para o Sport”
Ricardo Tavares, o “Pelado”, amigo do pai de Zé Lucas que levou o garoto para o Sport
Arquivo Pessoal
Era uma tarde de dia de semana quando Paulo chegou do trabalho. Cumprimentou a mulher, Adriana, para logo em seguida reparar. Algo estava faltando na casa. Era Zé. Pego de surpresa, o marido perguntou à esposa pelo filho. E ouviu:
“Não te disseram?”, respondeu, antes de acrescentar: ‘Foi com Pelado para o Sport’.
Pelado, ou Ricardo Tavares, é amigo de longa data de Paulinho, pai de Zé Lucas. Ele virou personagem nessa história por ser um pouco afoito. Admirador do moleque, sempre que possível plantava a semente na cabeça de Luquinhas — e por tabela do pai — para fazer um teste no futsal do Leão.
“Não tem sentimento melhor que esse”, Zé Lucas comemora volta de lesão e título
Nunca havia dado certo. Até Pelado tentar uma última cartada.
— O filho dele jogava futsal no Sport também e ele sempre perguntava, mas eu sempre trabalhando na construção civil, sem tempo, aquela coisa. Mas Zé sempre foi rato de bola. Até um certo dia: cheguei em casa, perguntei por Zé para a mãe dele. Aí ela disse: ‘oxente, ele foi com Pelado para o Sport. Te disseram não?’ Aí eu falei com Pelado, e ele: ‘se aperreie não, ele foi fazer uma avaliação aqui — conta.
“Eu vi ele jogando e eu sabia, tinha certeza que ele ia ficar. Só precisava pegar a manha do futsal. Quando chegou lá no clube e viram ele…’O menino é maloqueiro, desenrolado’. Graças a Deus deu certo. Eu sabia que ele era promissor. Passei a levar e buscar ele, com meu filho”, diz Pelado, que chegou a se profissionalizar como jogador e hoje é porteiro de uma escola no Recife.
A ponte no futsal
Começava, ali, a duradoura relação do garoto com o Rubro-negro. Aos 8 anos, o talento do menino chamou a atenção de Pipa, primeiro treinador de Zé Lucas no clube e responsável por aprovar a sua contratação no futsal.
Pipa deixou o Recife há pouco tempo para morar em Portugal, mas trabalhou por 12 anos nas categorias de iniciação de futebol do Sport. Treinou o pernambucano Kaio Jorge, artilheiro do Cruzeiro. E afirma taxativamente: Zé Lucas está num grupo seleto de atletas que passou pelas suas mãos.
Zé Lucas, volante do Sport, com troféu de torneio de futsal em 2017
Arquivo Pessoal
— A coordenação motora, o dom. Ficou fácil de fazer avaliação. Zé Lucas sempre foi muito disciplinado, quebrava defesas, tinha capacidade de usar as duas pernas. Dificilmente eu tirava ele do jogo pela disposição tática que tinha. Com certeza Zé está no top-10 de atletas com quem trabalhei — declara.
No futsal, o volante se habituou a jogar acima da categoria. Com nove anos, Zé jogava no sub-10. Foi assim até os 17 anos, quando subiu para o campo. Dentro da quadra, acumulou títulos, dois deles equivalentes ao Campeonato Brasileiro da modalidade, a Taça Brasil.
A caminhada sólida no Sport, porém, por pouco não teve um fim.
Durante a pandemia, Zé Lucas despertou o interesse do Flamengo. À época, tinha 13 anos de idade. O menino chegou a fazer testes no Ninho, mas não passou nos testes. Em 2025, cinco anos depois, com Zé Lucas chamando a atenção no profissional do Sport, o Flamengo ofereceria R$ 30 milhões para ter o prata da casa do Leão.
A negociação não avançou.
A mudança de posição e a guinada
Com 14, a joia da base rubro-negra começou a iniciação no campo. Mas não na condição de volante camisa 5 que é hoje, e sim como meia. Continuou acumulando participações em campeonatos da base no Sport, até se projetar, com 16 anos, para a categoria sub-19.
A partir dali, as coisas começaram a clarear na carreira.
Depois de jogar a Copa Recife, sub-20, e a Copa Atlântico, sendo campeão em ambas, o garoto receberia as primeiras chances no profissional do Sport com o auxiliar da casa, César Lucena.
Veja lances do garoto Zé Lucas, jogador de 16 anos do Sport, contra o Fortaleza
A escolha não foi em vão.
“As pessoas estavam comentando que tinha um ‘pirraia’ (moleque) muito novo e que parecia ser uma grande joia”, diz uma fonte, que preferiu o anonimato para falar com o ge.
— Em 2025, quando o time profissional começou a treinar, no primeiro treino, Thiago Alves (analista de desempenho) e César Lucena falaram: ‘tem um moleque que é um absurdo’. Eles fizeram atividades para ver o nível dos meninos e Zé se sobressaiu em todos — acrescenta.
Era o passaporte para ser testado no Estadual. Naquele ano, o Sport estabeleceu que seriam os talentos da casa a disputar as primeiras partidas do campeonato. Zé Lucas, um deles.
Zé Lucas, volante do Sport, covocado para a seleção sub-17
Paulo Paiva/ Sport Recife
O volante “debutou” em 11 de janeiro de 2025 pelo Leão, contra o Afogados da Ingazeira. O jogo terminou empatado em 1 a 1. Ele ganharia mais outras duas partidas como titular com o auxiliar César Lucena. Até ganhar o respaldo do português Pepa, com o time principal, diante do Central.
Por um certo acaso: necessidade. Sofrendo com a escassez de volantes — o técnico tratou a situação como crítica na época —, Zé viu a porta aberta e entrou no time. Para não sair mais: emendou 34 partidas na temporada.
Acumulou outras convocações para seleções de base, conquistou títulos. Valorizado, viu a própria multa disparar: R$ 100 milhões para clubes nacionais e R$ 300 milhões para o futebol do exterior.
Em 2026, fez mais seis jogos pelo profissional. Zé demorou a estrear em função de uma lesão sofrida ainda no fim do ano passado. Mas quando voltou se reestabeleceu, sendo peça determinante para o tetracampeonato pernambucano e para o futuro das finanças do clube.
Ítalo Rodrigues fala sobre propostas para Zé Lucas: “A tendência é que seja negociado”
— Sempre digo a ele: pai, esteja preparado para as oportunidades do futebol. Ele é um bom filho, agradece a todo mundo, quer o bem da família. Por isso que todo mundo é doido por ele. Esses princípios que a gente passa por ele — exalta Paulinho, pai de Zé.
— Zé Lucas é diferente. A parte técnica é apurada, mas a personalidade, a coragem de jogar e enfrentar é o diferencial dele. O querer ganhar. Zé Lucas não gosta de perder. Ele apela. Ele se transforma. Principalmente quando é um jogo pesado, importante. Viu a final contra o Náutico? O menino foi muito homem — define.
Agora, também no RG.
Zé Lucas joga pela Seleção sub-20 nos dias 28 e 31 do mês, em amistosos contra o Paraguai, em São Paulo. Vai desfalcar o Sport nesse período, e deve voltar a ser integrado no elenco rubro-negro para o jogo com o Vila Nova, na Ilha do Retiro.
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