Análise: sem Bueno e Taliari, dificuldades na criação e na conclusão ficam mais evidentes no Remo
Remo 0 x 1 Cruzeiro | Melhores momentos | 13ª rodada | Brasileirão 2026
Sem seus principais articuladores, Remo e Cruzeiro fizeram um jogo travado no Baenão, decidido nos detalhes. Apostando nas jogadas pelos lados, especialmente pela direita, as equipes encontraram dificuldades no meio-campo. Mais eficiente, a Raposa aproveitou uma das poucas oportunidades e venceu, por 1 a 0, enquanto o Leão pecou na criação e na pontaria, ampliando a insatisfação da torcida com o técnico Léo Condé.
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Sem Vitor Bueno e Matheus Pereira, responsáveis pela organização ofensiva de Remo e Cruzeiro, respectivamente, o confronto do último sábado, no Baenão, ganhou um desenho previsível: pouco espaço pelo centro e jogo concentrado nas laterais, principalmente pela direita. Pelo lado azulino, Marcelinho foi a principal válvula de escape. Do outro, Kauã aparecia como opção constante para cruzamentos.
Apesar da insistência, o Remo teve dificuldades para transformar volume em perigo. Marcelinho até conseguia avançar, mas encontrava um time espaçado, com pouca aproximação para tabelas. Restava, muitas vezes, a bola alçada na área, cenário pouco produtivo em uma noite ruim de Poveda, que perdeu a maioria dos duelos.
Keny Arroyo comemora gol do Cruzeiro contra o Remo
Marcos Junior/AGIF
Ainda assim, a atuação apagada do centroavante não explica sozinha o desempenho ofensivo. O Leão produziu pouco para seu camisa 9. A ausência de Taliari, além de pesar tecnicamente, tirou da equipe um jogador capaz de participar mais do jogo fora da área e oferecer alternativas na construção.
Com um meio de campo mais pesado e carente de criatividade, a falta de Vitor Bueno ficou evidente. Sem seu “camisa 10”, o Remo dependeu ainda mais de iniciativas individuais e de um nível alto de participação coletiva, algo que não conseguiu sustentar ao longo da partida.
Se o time da casa tentava pela direita, o Cruzeiro também encontrou por ali seu caminho. Kauã foi presença constante no apoio, especialmente no primeiro tempo. Os cruzamentos pouco produziram, mas foi justamente desse lado que saiu o gol: Arroyo aproveitou uma jogada bem construída para abrir o placar.
A eficiência celeste contrastou com a falta de pontaria azulina. O Remo finalizou 14 vezes, mas acertou o gol apenas uma — já no fim do duelo e sem levar perigo. Já o Cruzeiro chutou seis vezes e foi mais preciso para garantir a vitória.
A dificuldade criativa do Leão ficou evidente em lances repetidos ao longo do jogo. Em um deles, aos 42 minutos do primeiro tempo, Zé Welison cruzou antes mesmo de chegar à linha de fundo, procurando um jogador que nem estava dentro da área. Situação semelhante se repetiu na etapa final, ilustrando a falta de ideias na construção ofensiva.
Na reta final, o cenário ficou ainda mais complicado. Marcelinho sentiu e permaneceu em campo no sacrifício, já que Léo Condé havia feito todas as substituições. Para reorganizar o time, o treinador colocou Picco na defesa, formando uma saída de três, com o volante pela direita, e liberando Tchamba pelo lado esquerdo.
Dificuldade para propor e elenco limitado
A derrota aumenta a pressão sobre Léo Condé, alvo de críticas da torcida pelos resultados e pelo desempenho ofensivo. As cobranças são válidas, mas também esbarram nas limitações do elenco, agravadas por desfalques importantes. Se o treinador é um problema, ele não é o único e provavelmente não é o maior.
Léo Condé, técnico do Remo
Samara Miranda/Remo
Sem Vitor Bueno, Taliari e até David Braga, o treinador teve que improvisar peças, como Zé Ricardo, em função mais avançada. A falta de opções também impacta durante o jogo, reduzindo a capacidade de mudança de nível da equipe com as substituições.
– Perdemos peças importantes, principalmente para jogar em casa. Perdemos o Vitor Bueno. Nessa semana, perdemos o Taliari. Também perdemos o David Braga, que é o reserva imediato do Vitor. Então, tivemos que improvisar um volante, o Zé Ricardo (…)..
Sem conseguir transformar volume em chances claras e desperdiçando oportunidades, o Remo segue com dificuldades para propor o jogo e encontra, rodada após rodada, obstáculos para reagir no Brasileirão. geRead More


