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Artilheiro do Guarani foi servente de pedreiro durante pausa na carreira: “Tinha que se virar”

Artilheiro do Guarani foi servente de pedreiro durante pausa na carreira: “Tinha que se virar”

Herói no dérbi 213, Hebert ganha moral com a torcida do Guarani
O atual artilheiro do Guarani na temporada sabe bem o que é construir algo do zero. Antes de empilhar três gols em seus primeiros seis jogos com a camisa alviverde e assumir o protagonismo no ataque bugrino, Hebert precisou de resiliência para não deixar o sonho no futebol desmoronar.
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Acostumado a rodar por divisões inferiores, o atacante de 26 anos viu a carreira ser paralisada pela pandemia de Covid-19, em 2020. Sem jogos, sem renda e morando na periferia de São Paulo, ele precisou trocar as chuteiras pelas ferramentas de obra.
Hebert
Raphael Silvestre/Guarani FC
– A maior (dificuldade) foi na pandemia. Foi um dos tempos mais difíceis da minha vida. Quem estava em divisão superior sofreu, imagina quem estava jogando nas inferiores? Parou tudo. Tive que interromper a carreira por um tempo, dar uma olhada em outros ramos e acabei tendo que me adaptar por uma necessidade. Eu queria jogar futebol, mas precisei recorrer aos outros meios. Já fui servente de pedreiro, saí para entregar panfletos de porta em porta, sofri um pouco, tive que ralar nesse sol de São Paulo – relembra o jogador.
A base familiar foi o que o manteve de pé durante o período longe dos gramados.
– Meu tio é pedreiro, então eu fui trabalhar com ele em algumas oportunidades e construir uma renda. Eu tinha 20 anos na época. Sempre morando na periferia. Então era mais difícil pra gente e tinha que se virar. É daí que vem minha força de vontade, meu desejo de vencer e coragem para enfrentar os obstáculos.
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A força de vontade forjada na dificuldade ajudou Hebert a ser um “cascudo da bola”, como mesmo define. O porte físico, lapidado na base de muita academia para suportar o jogo de contato das divisões menores, abriu as portas do futebol campineiro. Mas a chegada ao Brinco de Ouro teve um desvio de rota pelo arquirrival.
Herbert deixou a Ponte Preta sem entrar em campo
Marcos Ribolli
No ano passado, o atacante chegou a negociar com o Bugre, mas as conversas travaram e ele acabou assinando com a Ponte Preta. A passagem pelo Moisés Lucarelli, no entanto, passou longe do ideal, o que o motivou a “descer a avenida” de forma definitiva meses depois.
– É uma situação que chega a ser engraçada, porque no ano passado eu tive uma situação para vir para o Guarani, mas as conversas não avançaram e acabei indo parar no rival. Antes de ir pra lá, achei que seria uma boa oportunidade, mas não estava feliz com tudo que estava acontecendo. Na primeira chance de vir para o Guarani, a gente não pensou duas vezes. Já estava adaptado à cidade e isso ajudou muito. Hoje tenho certeza que fiz a escolha certa. Posso dormir com a cabeça bem tranquila, sabendo que estou em um grande clube.
Confiança de Elio e a Série C
A escolha se refletiu rapidamente em campo. Com a chegada do técnico Elio Sizenando, Hebert ganhou não apenas minutos, mas a confiança necessária para arriscar. Foi seguindo uma instrução direta do treinador que ele marcou um golaço de fora da área recentemente.
Hebert em ação pelo Guarani
Raphael Silvestre/Guarani FC
– O Elio nos cobra bastante nos treinamentos. A gente faz muito ataque contra defesa e ele sempre pede para concluir a jogada, chutar mais no gol. A gente sabe que é difícil acertar um chute daquela distância, mas é uma jogada que vem sendo trabalhada. Desde quando ele chegou, senti que ele estava me dando uma confiança a mais. Isso me faz muito bem – conta o atacante, que também se coloca à disposição para atuar tanto pelas beiradas quanto centralizado como camisa 9.
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Vivendo o melhor momento da carreira, Hebert agora foca em tirar o Guarani da incômoda situação na Série C (o time soma quatro pontos em duas rodadas). O próximo desafio é no próximo domingo, às 16h30, diante do Itabaiana, no Brinco de Ouro.
– Dentro de casa, a gente tem que procurar sempre propor o jogo, não deixar a equipe adversária respirar e ficar sempre em cima deles. O foco é ajudar a equipe com gols e acredito que é um trabalho que vem sendo plantado desde lá de trás. Estou sabendo aproveitar a chance, colhendo coisas que plantei no passado e abdiquei para focar em mim. O Guarani não merece e não pertence a essa divisão. geRead More