Brasil de Ancelotti repete o Real Madrid, para o bem e para o mal
Veja os melhores momentos de Brasil 3 x 1 Croácia na ge tv
A derrota por 2 a 1 para a França e a vitória de 3 a 1 na Croácia deixou claro: esse Brasil joga exatamente como o Real Madrid da segunda passagem de Carlo Ancelotti.
Após dois jogos de desempenhos e escalações bem diferentes, resta muito pouco de surpresa para saber como o Brasil irá jogar na Copa do Mundo de 2026.
Carlo Ancelotti técnico Brasil França
Franck Fife/AFP
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Tudo lembra o Real: o esquema tático é o mesmo, o posicionamento de Vinícius Júnior e a aposta nele em ser protagonista é igual, o primeiro volante e sua função é a mesma daquele time, que assim como o Brasil, não tem vergonha de jogar pelo contra-ataque ou de tentar se impor.
Falta a “alma” daquele time que decidia jogos nos minutos finais e que venceu muitas vezes sem jogar bem. Afinal, seja você um romântico ou não, todos sabemos: na Copa do Mundo, o que conta é vencer, mesmo sem mostrar um bom desempenho.
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Vamos entender, no detalhe, como a organização do Brasil lembra aquele time – e o que falta para a Seleção estar “prontaEntenda que há uma organização muito parecida, mas com diferenças óbvias porque os jogadores e o contexto são diferentes.
Esquema tático e posicionamento de Vini Júnior
O esquema tático que Ancelotti monta no Brasil é o mesmo de muitos anos no Real e de outros times em sua carreira: um 4-4-2 simples, que pela presença de dois atacantes ofensivos nas pontas, pode até ser chamado de 4-2-4.
Contra a França, Brasil jogou num 4-4-2 com Raphinha e Martinelli pelos lados
Reprodução
Os números não são tão importantes. Aqui, é importante que você olhe o posicionamento de Vinícius Júnior nos dois últimos jogos: ele é um segundo atacante, e assim como rende enormemente bem no Real Madrid, tem total liberdade para se movimentar pelos dois lados.
O 4-4-2 do Brasil contra a Croácia teve Luiz Henrique e Matheus Cunha nas pontas
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Normalmente, Vini parte do lado esquerdo para usar seu drible. Com Matheus Cunha ou João Pedro como centroavante, este time é de Vinícius: ele tem liberdade total para fazer o que quiser. Talvez seja por isso que o Brasil tenha atacado tão mal a França: faltou o brilho do craque do Real que ainda deve uma grande atuação na Seleção.
Saída de bola sustentada e papel de Casemiro
O resgate de Casemiro como titular absoluto na Seleção é uma artimanha de Ancelotti para tornar o time mais seguro, previsível e, por que não, ofensivo. Quando o time sai jogando lá de trás, a orientação é clara: os laterais ficam mais fechados e buscam jogadas de lado com os atacantes. Um de cada vez, para não desproteger a defesa.
Modo do Brasil atacar: Vini fica pronto para o drible. Já o resto do ataque, se movimenta livremente
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Quem dá proteção e quase nunca vai para frente é Casemiro: seja com Danilo, Andrey e o titular Bruno Guimarães, ele é um camisa 5 das antigas: proteje, oferece o primeiro bote e protege a linha de defesa. Quando dá certo, o Brasil pouco sofre.
Mas se ele está mal posicionado como no primeiro gol da França, a defesa fica exposta. Se ele está bem, a defesa pouco sofre.
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Ataque de movimentação que ainda precisa de ajustes
Dentro das muitas semelhanças, há diferenças cruciais: o Brasil não joga com um “falso-ponta” como Valverde. Paquetá até poderia fazer essa função, mas Ancelotti vem gostando mais da formação com quatro atacantes para ter o que ele mais gosta: velocidade, contra-ataque e a possibilidade de ser camaleônico no mesmo jogo.
Por isso, ainda falta o passe que clareia, dá luz e pensa o jogo. Esse passe, que vem de Arrascaeta no Flamengo ou de Árias no Palmeiras, ainda não tem um jogador brasileiro que consiga fazer na elite do futebol com consistência.
Martinelli e Igor Thiago comemoram gol do Brasil sobre a Croácia
André Durão
Na verdade, tem. O nome dele é Neymar, que não joga mais com consistência. É só ligar os pontos, e a polêmica está resolvida.
O futebol é a junção dos aspectos táticos, técnicos, físicos e emocionais. A aposta de Ancelotti é um Brasil jovem, ousado e prevenido atrás, com Casemiro como pilar de experiência e Danilo, do Flamengo, no banco ou no time para adicionar ainda mais experiência.
Esse Brasil já jogou bem e já jogou mal. Já convenceu e já deixou a desejar. O saldo de Ancelotti pré-Copa é certamente menor que o de Tite, mas maior que o de Diniz e Dorival.
É um Brasil que lembra, para o bem e para o mal, o Real Madrid. Quando aquele time entrava em campo, o que mais importava era o resultado, não o desempenho. Só falta a Seleção Brasileira ser assim.
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