Chefes se reúnem e debatem possíveis mudanças nas regras da F1 antes de retorno
Rafael Lopes comenta possíveis mudanças no novo regulamento da Fórmula 1
A Fórmula 1 vive uma segunda-feira (20) muito importante: os chefes de equipe e executivos das escuderias se reúnem com a categoria, a Federação Internacional de Automobilismo (FIA) e representantes das fornecedoras de motores para discutir possíveis mudanças nas regras de 2026, no alvo das críticas dos pilotos.
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Largada do GP do Japão de F1 2026
Clive Mason/Getty Images
Outras duas reuniões foram realizadas, nos dias 15 e 16 deste mês. Ao término dos debates, a expectativa é de que sejam definidos quais planos vão ser levados à frente para votação, a ser realizada de forma eletrônica pelo Conselho Mundial de Automobilismo da FIA.
O grande ponto de debate entre as partes envolvidas é o gerenciamento de energia. Com a introdução dos novos regulamentos técnicos e de motores neste ano, o motor passou a ser metade à combustão, metade elétrico. As mudanças feitas na forma como o carro coleta energia e recarrega a bateria não surtiram o efeito esperado, e o uso da bateria ganhou protagonismo.
Embora o número de ultrapassagens tenha aumentado, alguns pilotos – como Max Verstappen, que considera até deixar a Fórmula 1 – acreditam que a categoria se tornou “artificial”.
As discussões em torno das regras já estavam previstas para abril, mesmo antes dos cancelamentos dos GPs do Bahrein e da Arábia Saudita neste mês (devido à guerra no Oriente Médio).
No entanto, a pauta ganhou força após a forte batida de Oliver Bearman no Japão (relembre abaixo), influenciada pela diferença de velocidade do inglês em relação ao argentino Franco Colapinto na reta, com quase 100 km/h de discrepância em certo momento da disputa. A batida de 50G (50 vezes a força da gravidade) fez com que os pilotos subissem o tom, em prol de mais segurança na categoria.
Oliver Bearman bate e deixa o GP do Japão de Fórmula 1
Toto Wolff pede precisão cirúrgica
Chefe de equipe da Mercedes, líder do campeonato de construtores, Toto Wolff opinou nesta segunda-feira em relação às expectativas para as mudanças no regulamento, de acordo com a “Sky Sports”.
Embora considere a discussão importante, especialmente em termos de segurança, o austríaco pediu que as partes envolvidas atuem com um “bisturi”, e não com um “taco de beisebol” ao decidirem o que deve ou não mudar nas regras.
– Eu realmente devo dizer que as discussões entre os pilotos, a FIA, a Fórmula 1 e as equipes têm sido construtivas, e todos compartilhamos os mesmos objetivos. Trata-se de como podemos melhorar o produto, torná-lo totalmente voltado para a corrida e analisar o que podemos aprimorar em termos de segurança, mas agindo com um bisturi e não com um taco de beisebol.
– Portanto, acho que estamos chegando a boas soluções que, espero, vamos aprovar ainda hoje, a fim de evoluir, já que estamos apenas na terceira corrida. De certa forma, precisamos aprender com o passado, em que às vezes decisões foram tomadas de forma errática, e acabávamos exagerando e percebendo que não era bom, pois somos os guardiões deste esporte. Nesse sentido, estou cautelosamente otimista de que vamos melhorar as corridas, ao mesmo tempo em que alinhamos os objetivos mencionados, mantendo as corridas realmente de alta qualidade – acrescentou.
Toto Wolff, chefe da Mercedes, no GP da China da F1 em 2026
Artur Widak/NurPhoto via Getty Images
Mohammed ben Sulayem, presidente da FIA, publicou nas redes sociais no domingo (19) uma mensagem em que celebra as discussões realizadas com os pilotos. De acordo com ele, os competidores forneceram uma “contribuição inestimável” para o debate, e o gestor se mostrou otimista com um desfecho positivo.
– Estou muito feliz de informar que houve uma discussão construtiva e colaborativa entre a FIA e os pilotos da Fórmula 1 antes do debate entre os CEOs e chefes de equipe, para discutir potenciais mudanças nas regras de 2026. Os pilotos nos deram uma contribuição inestimável em ajustes que sentem que devem ser feitos, em particular nas áreas de gerenciamento de energia para garantir corridas seguras, justas e competitivas – disse.
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