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Conmebol aponta 1,68% de jogos com incidentes racistas, e diretora lamenta: “Multas não adiantam nada”

Conmebol aponta 1,68% de jogos com incidentes racistas, e diretora lamenta: “Multas não adiantam nada”

No segundo dia do seminário da Conmebol, em Luque, no Paraguai, a secretária-geral adjunta e diretora jurídica, Montserrat Jimenez, apresentou números de casos de racismo nas competições da entidade sul-americana. Em 2023, 2024 e 2025 foram 18 casos em cada ano. As multas variaram entre US$ 1.285 milhões e US$ 1.580 milhões, mas não são eficazes, observa a dirigente da Conmebol.
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Diretora da Conmebol apresenta painel de combate ao racismo. Poucos casos entre 2019 e 2021 foi por efeito da pandemia
Reprodução
— A única maneira de erradicar, de acabar com o racismo e a discriminação e a violência nos estádios é educando. Esse dinheiro que é recolhido, se usa 100% para fundo de educação contra o racismo. Funciona a multa para os casos de racismo? O que vocês acham? Não, não adiantam nada — lamentou Montserrat Jimezes, antes de seguir com sua visão sobre o tema.
—E mais do que isso: o torcedor adora, porque é o clube que paga a multa. Quem paga a multa é o time (do torcedor), lembre-se disso. Porque ele é responsável pelo comportamento dos seus torcedores.
Conmebol faz campanha contra o racismo, violência e discriminação
Ela avaliou o número total de casos entre 2018 e 2025. Lembrou que foram 75 partidas com incidentes de racismo em 4.451 partidas organizadas pela Conmebol. O que representa 1,68% dos jogos.
— Quantas capas de jornal vocês acham que nós tivemos por esse menos de 2%? Muito mais do que a quantidade de jogos (com incidentes de racismo), muito mais comentários do que jogos. Isso não significa que está bom ou ruim. Não deveríamos ter nenhum jogo com um ato racista. Não deveríamos ter nenhum jogo com um jogador que se sinta menosprezado pela sua orientação sexual. Pela sua raça. Não deveríamos ter nenhum jogo onde um jogador ou jogadora saia chorando porque foi menosprezado no mais íntimo que tem esse jogador que é sua dignidade. Estamos dizendo que hoje estamos mais educados, mas nos indignamos por ter 18 jogos sobre 650 jogos (num ano) com atos racistas. Hoje os jogadores estão se animando a denunciar — comentou.
Campanha da Conmebol divulgada em todo o continente na luta contra o racismo
Marcos Ribolli

A secretária-geral adjunta da Conmebol disse que estuda com a Fifa a ideia de fazer banco de dados para proibir torcedores envolvidos em casos de racismo de frequentar estádios em qualquer parte do mundo. Mas o projeto ainda não saiu do papel.
— O que nós estamos buscando é que os racistas saiam do mundo do futebol. Temos um projeto em conjunto com as confederações da FIFA de fazer uma lista de racistas no mundo. Para que não somente deixem de comprar entradas dentro da América do Sul, mas também não possam ter entradas para eventos internacionais e intercontinentais. Estamos com um problema jurídico que estamos por resolver.
— Se fosse por mim, a gente faria como na antiga Grécia, que nós entraríamos no estádio olímpico e poderíamos ver todos os atletas que já tiveram “trapaças”, para que todo mundo que entrasse tivesse uma vergonha e não pudesse mais entrar nas competições. Que no museu nós pudéssemos colocar a cara de todos os racistas, mas as novas leis de proteção de dados fazem que isso não seja possível. Especialmente por causa das questões jurídicos. Também porque apenas no Brasil o racismo é crime, tem prisão prevista de cinco anos para os racistas — disse a dirigente da Conmebol. geRead More