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Déjà vu: a disputa pelo Campeonato Inglês está aberta

Déjà vu: a disputa pelo Campeonato Inglês está aberta

Arsenal 1 x 2 Bournemouth | Melhores momentos | 32ª rodada | Campeonato Inglês 2026
Franco favorito ao título do Campeonato Inglês, o Arsenal perdeu a terceira vez consecutiva em casa, dessa vez para o Bournemouth em casa: 2 a 1.
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Esse é o tipo de jogo que o líder deveria resolver fácil para abrir 12 pontos faltando apenas seis jogos a serem disputados. Com a derrota, uma disputa que parecia resolvida que nem a do ano passado com o Liverpool ganha mais uma vez contornos dramáticos.
Mikel Arteta em Arsenal x Real Madrid na Champions League
Shaun Botterill/Getty Images
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Os pontos de vantagens não são tão confortáveis assim. O 2º colocado, o Manchester City, tem dois jogos a menos. Se vencer o Chelsea nesse domingo (12), diminui para seis pontos. Se ganhar o jogo atrasado contra o Crystal Palace, já passa para três pontos.
Tudo isso para dizer que domingo que vem, às 12h30, os dois se encontram no Etihad Stadium, casa do City, onde o Arsenal não vence há impressionante 11 anos.
Na coletiva após a derrota em casa, Arteta demorou para responder. Ficou olhando para a mesa. Ele não gosta de criticar o elenco em público, e deu para perceber que estava engolindo muita coisa. Disse que o time esteve “muito longe” do padrão, que fizeram “muitas coisas estranhas”.
A falta do domínio com a bola em casa foi um dos pontos estranhos, com a defesa do Arsenal saindo de trás entregando bolas fáceis e errando no ataque. Numa delas, Alex Scott apareceu sozinho para marcar o gol da vitória após Gyokeres empatar de pênalti e tentar uma reação.
Arsenal x Bournemouth
Reuters
O que incomoda não é a derrota em si, que pode acontecer e acontece com todos os campeões. O maior incômodo é a sombra do que já aconteceu antes: o Arsenal entrar na fase crítica do campeonato jogando mal e ver o City conseguiu superar a vantagem.
O Arsenal já acumula três vice-campeonatos consecutivos: 2022/23, 2023/24 e 2024/25. No ano passado, o clube até ameaçou, mas o Liverpool mostrou grande consistência e foi o merecedor da taça no primeiro ano de Arne Slot no comando.
A história foi totalmente diferente nos outros anos. Na reta final de 2023/24, o Arsenal perdeu em casa para o Aston Villa, no que ficou marcado como símbolo da derrota: o City superou por apenas dois pontos no final. Em 2022/23, os Gunners tinham oito pontos de vantagem, e um misto de inexperiência e queda de rendimento fizeram o City ultrapassar e chegar na liderança com cinco pontos de vantagem.
Existe algo no time de Arteta que encolhe quando a pressão aumenta. Não é técnica, não é tática. É psicológico. O poder de decisão some justamente na hora em que mais importa após um grande show. Foi assim na Liga dos Campeões do ano passado, quando o Arsenal surpreendeu a todos ao eliminar o poderoso Real Madrid e foi presa fácil ao futuro campeão PSG nas semis.
Guardiola e Arteta à beira de campo durante um duelo entre Manchester City e Arsenal
Getty Images
A grande questão é que não falta mais experiência. Apesar de jovem, o Arsenal já passou por momentos de dificuldade assim, e sabe que perder mais uma vez em casa ou não ao menos empatar com o City no próximo domingo é perder, pela terceira vez consecutiva, um campeonato que estava decidido.
Esse City também não é a máquina de antes. Em março, a equipe de Guardiola empatou com Forest e West Ham, dois times na beira do rebaixamento. O time vive um processo de rejuvenescimento que o custou a Liga dos Campeões, e se essa for mesmo a última temporada do Guardiola na Inglaterra, a motivação só aumenta para quem está na frente.
Um alento para o Arsenal é o calendário até o fim:
O City enfrenta Chelsea fora, Arsenal em casa, Burnley, Everton, Brentford, Bournemouth e Aston Villa, além do jogo atrasado.
O Arsenal tem Newcastle, Fulham, West Ham, Burnley e Crystal Palace, além de possivelmente mais quatro jogos de Champions, o que é fisicamente brutal nesta altura.
Fica difícil apontar onde há maior facilidade ou não. Teoricamente, o City terá mais tempo, mas adversários mais complicados, como o fantástico Aston Villa e o sempre difícil Everton.
O Arsenal precisará se reinventar. Só que essa notícia não é nova dessa vez. Ao seu favor, conta a experiência de quem já passou por isso várias vezes. Resta “se apaixonar de novo e de novo”, como Charli XCX diria, mas dessa vez pela vitória – feia, suja, magra – mas vitória. O mesmo tipo de vitória que o City teve quando Kompany conduziu e meteu um golaço no ângulo contra o Leicester, no considerado “jogo do t;itulo” naquele ano da disputa com o Liverpool.
Arsenal tenta não deixar o título da Premier League escapar na reta final
Reuters
No fim, Arteta terá que travar uma batalha moral contra o legado de Wenger e até de Emery: a ideia de que seu time deve dominar, se sobressair. Não dessa vez. O Arsenal deve vencer.
É a única forma de transformar seu trabalho de sete anos e inúmeras qualidades no que realmente importa: um título de expressão para uma torcida que merece, e muito.
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