Diretor cita atraso em eletrificação para defender F1 menos dependente de montadoras
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A F1 volta a acelerar no GP de Miami neste fim de semana com muita expectativa em torno das mudanças nos motores feitas após cobranças dos pilotos. Segundo o diretor de monopostos da FIA (Federação Internacional do Automobilismo), Nikolas Tombazis, mais debates visando ajustes ainda mais profundos para os próximos anos podem ocorrer desde já, mas sem influência das montadoras.
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Largada do GP da Austrália de F1 2026
Hollie Adams/Reuters
– Precisamos proteger o esporte da situação macroeconômica mundial, o que significa que não podemos ficar à mercê das montadoras e suas decisões de participar ou não do nosso esporte. Queremos que elas façam parte com certeza, por isso trabalhamos tanto para garantir a participação de novas empresas. Mas também não podemos ficar numa posição em que, se elas decidirem que não querem, fiquemos repentinamente vulneráveis. Por isso precisamos continuar trabalhando para reduzir custos – declarou o gestor.
Tombazis justificou seu posicionamento ao citar que a eletrificação da F1, impulsionada por um desejo das fabricantes, não avançou como esperado:
– É verdade que o panorama político mudou e, na época em que discutimos as regulamentações atuais, as montadoras nos disseram que nunca mais fabricariam outro motor de combustão interna; iriam eliminá-los gradualmente e, até um determinado ano, seriam totalmente elétricas. Isso não significa subestimar a importância da eletrificação globalmente, mas isso não ocorreu na medida do que foi anunciado.
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Em 2026, a parte elétrica das unidades de potência ganhou mais protagonismo, passando a representar quase 50% da força gerada pelos carros – de aproximadamente 1000 cv. Embora tenha atraído marcas como a Audi, Cadillac e Ford (parceira da Red Bull e Racing Bulls), essa mudança veio ao custo de uma necessidade ainda maior de usar técnicas de direção para recarregar as baterias.
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Outra mudança adotada pela F1 em 2026 visando sustentabilidade foi o uso de combustíveis 100% renováveis, sem petróleo. Para Tombazis, a medida foi um acerto da categoria:
– Uma das histórias que não é frequentemente discutida, porque não é algo visível, é que optamos por combustíveis totalmente sustentáveis. E acho que esse é um resultado razoavelmente bom.
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Mark Sutton – Formula 1/Formula 1 via Getty Images
A expectativa é que a F1 introduza um novo regulamento técnico em 2030, encerrando o ciclo de motores em vigência. Porém, Tombazis antecipa que mudanças importantes podem já estar sendo debatidas para curto prazo:
– Se quisermos mudar alguma coisa para o próximo ciclo, precisamos começar a discutir isso muito em breve, porque o tempo que leva para fabricar uma unidade de potência é bastante longo. Pode parecer um pouco estranho discutir esses assuntos apenas algumas corridas depois de termos começado, mas esse é o ciclo natural da discussão. geRead More


