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Do acidente à Seleção: atleta de Americana encontra no rúgbi em cadeira de rodas um novo rumo

Do acidente à Seleção: atleta de Americana encontra no rúgbi em cadeira de rodas um novo rumo

Assista à íntegra do Globo Esporte Campinas desta terça-feira, 14 de abril de 2026
Um segundo pode mudar o rumo de uma vida inteira. No caso de Gabriel Simplício, de Americana (SP), uma colisão de moto interrompeu planos, trouxe incertezas e marcou o início de uma longa recuperação.
Anos depois, porém, aquela história que começou em uma UTI ganhou novos capítulos em quadras ao redor do mundo. No rúgbi em cadeira de rodas, Gabriel encontrou independência, propósito e a chance de vestir a camisa da seleção brasileira.
Atleta Paraolímpico da Seleção Brasileia de Rúgbi Gabriel
Divulgação
A virada na vida de Gabriel Simplício começou em 30 de setembro de 2010. Na época com quase 21 anos, ele trabalhava como motoboy e voltava para casa depois do expediente quando sofreu um grave acidente no interior de São Paulo.
– Eu bati de frente com o carro, estava a cerca de 100 quilômetros por hora. Quebrei o pescoço e tive uma lesão medular cervical.
Com a gravidade da lesão, ele perdeu os movimentos do pescoço para baixo ainda no momento do acidente. Levado ao hospital, ficou 18 dias em coma induzido e precisou respirar com ajuda de aparelhos quando acordou na UTI.
A volta por cima
A recuperação foi longa. Gabriel voltou para casa e enfrentou meses difíceis até conseguir retirar o equipamento e avançar na reabilitação. Mesmo com as limitações, manteve uma rotina constante de fisioterapia e exercícios.
Aos poucos, recuperou parte dos movimentos dos braços, mas não teve recuperação voluntária nos membros inferiores.
Gabriel atleta Paralímpico de Rúgbi em Campinas
Divulgação
O esporte entrou na história alguns anos depois, em 2014, quando ele conheceu o rúgbi em cadeira de rodas. O convite veio através de Matheus Campana, árbitro da modalidade, que insistiu para que ele fosse conhecer os treinos de uma equipe que treinava na Unicamp, em Campinas.
– Quando conheci o rúgbi, para mim foi algo diferente. O esporte mudou a minha vida.
Dentro da quadra, encontrou pessoas com histórias semelhantes e começou a ganhar mais autonomia no dia a dia. Com o tempo, os treinos ficaram mais intensos. Gabriel passou a investir em preparação física, academia e também no estudo do jogo para evoluir na modalidade.
A dedicação abriu portas. Em 2017, ele teve a primeira oportunidade na seleção brasileira, integrando uma equipe de desenvolvimento voltada para atletas com menos tempo no esporte.
Gabriel no Campeonato Brasileiro de Rúgbi em cadeira de rodas
Divulgação
Anos depois, após uma nova seletiva nacional realizada em Blumenau, voltou a ser convocado e passou a integrar o grupo principal da Seleção. Desde então, participa de competições internacionais representando o Brasil.
Conquistas coroam nova fase
Entre os resultados mais importantes estão o bronze no Parapan-Americano de 2023 e o ouro no Campeonato Sul-Americano no mesmo ano. Em 2022, também disputou o Campeonato Mundial, realizado na Dinamarca.
No cenário nacional, ele defende desde 2018 o Gigantes, equipe de Campinas. O clube se tornou uma das principais forças da modalidade no estado, acumulando títulos paulistas e boas campanhas no Campeonato Brasileiro.
Gabriel, atleta da seleção em jogo contra o Japão
Divulgação
Além de atleta, ele também participa da gestão da equipe e atualmente ocupa o cargo de tesoureiro. Segundo ele, uma das características do time é a administração feita pelos próprios atletas, com decisões tomadas coletivamente.
A rotina hoje envolve treinos em quadra duas vezes por semana, musculação três vezes por semana em Americana e estudos na área de programação, curso que faz durante a noite.
Gabriel, atleta da seleção em campeonato internacional de Rúgbi
Divulgação
Gabriel foi convocado para a seleção brasileira que disputará o Wheelchair Rugby World Challenge, na Austrália, entre os dias 23 e 26 de abril. O torneio reúne algumas das principais potências da modalidade, como Austrália, Estados Unidos, Inglaterra, Alemanha, Brasil e Dinamarca, e representa mais um importante desafio internacional para a equipe.
Quase 15 anos depois do acidente que mudou completamente sua vida, o esporte se transformou em um novo ponto de partida. Entre treinos, viagens e competições internacionais, ele construiu uma trajetória marcada por persistência e superação, prova de que, mesmo quando o caminho parece interrompido, ainda é possível encontrar novos destinos.
* Colaborou Rafael Paiva, estagiário, sob a supervisão de Júlio Nascimento geRead More