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Em um piscar de olhos: vitória mais apertada de Senna na F1 faz 40 anos

Em um piscar de olhos: vitória mais apertada de Senna na F1 faz 40 anos

Quem foi Ayrton Senna, último brasileiro tricampeão de F1
Uma simples foto é capaz de eternizar momentos – mas até que ponto é possível registrá-los, de fato? Às vezes, cenas marcantes são tão rápidas que é muito difícil captar o momento exato em que a história acontece. Há exatos 40 anos, Ayrton Senna dava uma prova disso ao vencer o GP da Espanha de Fórmula 1, com diferença ínfima para Nigel Mansell: apenas 14 milésimos de segundo (0s014).
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A chegada mais apertada da carreira do tricampeão fez jus a uma disputa ferrenha nas últimas voltas daquele grande prêmio, realizado em 13 de abril de 1986 no circuito de Jerez de la Frontera. O término da prova já foi eleito como o mais emocionante da história em votação do ge.
Ayrton Senna Nigel Mansell GP da Espanha de 1986 Jerez de la Frontera
Sutton Images
A disputa era empolgante por si só: Senna, dentro daquela lendária Lotus preta, tentava segurar a Williams de Nigel Mansell. Anteriormente na corrida, Ayrton assumiu a liderança ao pressionar o britânico e conseguir uma belíssima ultrapassagem, que atordoou o Leão; tanto é que ele também foi superado por Alain Prost instantes depois.
Nas voltas finais, Mansell colocou pneus novos e foi a-lu-ci-na-do (como relatou Galvão Bueno na transmissão da Globo) para cima de Ayrton. A decisão da corrida ficou para a última volta.
Mansell não parava de se aproximar. E Senna, ao despontar na reta dos boxes para receber a bandeirada, se viu incapaz de manter o britânico atrás. Lado a lado, os dois cruzaram a linha de chegada – e o brasileiro respirou aliviado ao vencer por centímetros.
– Por meio carro, Ayrton Senna! No photochart, como se fosse uma corrida de cavalos no Jóquei Clube! – foi a narração daquele momento.
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A imagem que abre esta matéria é a mais famosa daquele GP da Espanha. O registro, pertencente ao Phipps Archive e hoje incorporado à Sutton, outra agência de imagens, – costuma ser utilizado para ilustrar as recordações desta prova por captar o momento da chegada de forma quase perfeita.
Quase, porque captar o momento com perfeição seria extremamente difícil. Para entender o quão próxima foi a chegada de Senna e Mansell, vale recorrer a um conceito bastante presente no dia a dia da população; seja na televisão, no cinema ou nos computadores: o de frames por segundo (FPS).
Cada segundo de um vídeo é, na verdade, uma sequência de imagens estáticas que formam um movimento – e cada imagem é chamada de frame. Um mísero segundo de um vídeo qualquer na televisão, por exemplo, é formado por 30 imagens em sequência.
Então, para saber qual é a duração de um frame, basta dividir 1 (segundo) por 30 (imagens). O resultado: 0s033, ou 33 milésimos. Parece (e é) pouquíssimo, mas é mais que o dobro da diferença de tempo de Senna e Mansell na chegada daquela corrida na Espanha. Para efeito de comparação, estima-se que um piscar de olhos dure entre 150 e 200 milésimos de segundo.
Outro registro da chegada de Senna e Mansell no GP da Espanha de 1986
Divulgação/Williams
A diferença entre os dois foi tão curta que ninguém sabia quem tinha vencido ao término da prova. Mansell completou a manobra (que não valeu de nada) um pouco depois de receber a bandeirada, mas só descobriu que tinha terminado em segundo ao conversar com o diretor de prova, enquanto saía de sua Williams.
Senna, extenuado após a batalha com Mansell, teve dificuldades para levantar o troféu. E enquanto se recuperava do duelo com o Leão, explicava o tamanho da luta que travou momentos antes – tudo isso enquanto recebia uma massagem.
– A prova foi a mais difícil que eu fiz até hoje e tive um desgaste altíssimo, principalmente porque o tubo que vai na minha boca e dá o líquido saiu do capacete na terceira volta, fiquei sem beber a corrida inteira e, de certa forma, desidratei – comentou Senna, que se mostrou aliviado com a vitória na sequência.
– O Mansell no final. É impossível, quando ele trocou os pneus ficou muito rápido. A potência que o motor Honda tem… era impossível segurá-lo, se tivesse mais uma volta ele teria me passado – completou.
Ayrton Senna dá entrevista enquanto recebe massagem após vencer na Espanha
Reprodução
E o Mansell? Bem, o Mansell não ficou tão chateado e até abriu um sorrisinho no fim das contas:
– Na linha de chegada, eu estava logo ao lado dele. Acho que foi tão próximo que eles deveriam dar 7,5 pontos para cada um (risos).
Aliás, o recorde de chegada mais próxima da Fórmula 1 não pertence a Senna – por incrível que pareça. O GP da Itália de 1971 registrou um término ainda mais acirrado, com o britânico Peter Gethin à frente do sueco Ronnie Peterson por apenas 0s010. Prova de que na F1, uma piscada pode fazer com que se perca um momento histórico.
As 10 menores diferenças da F1:
0s010 – Peter Gethin x Ronnie Peterson (Itália, 1971)
0s011 – Rubens Barrichello x Michael Schumacher (EUA, 2002)
0s014 – Ayrton Senna x Nigel Mansell (Espanha, 1986)
0s050 – Elio de Angelis x Keke Rosberg (Áustria, 1982)
0s080 – Jackie Stewart x Jochen Rindt (Itália, 1969)
0s100 – Juan Manuel Fangio x Karl Kling (França, 1954)
0s100 – Giancarlo Baghetti x Dan Gurney (França, 1961)
0s174 – Michael Schumacher x Rubens Barrichello (Canadá, 2000)
0s179 – Max Verstappen x Lewis Hamilton (Austrália, 2023)
0s182 – Michael Schumacher x Rubens Barrichello (Áustria, 2002) geRead More