F1 e equipes priorizam mudanças nas classificações para 2026
Rafael Lopes fala sobre o GP do Japão e as possíveis mudanças na Fórmula 1 2026 antes de Miami
A Federação Internacional do Automobilismo (FIA), a Fórmula 1 e as equipes iniciaram nesta quarta-feira a primeira de três reuniões promovidas para debater possíveis mudanças no regulamento técnico. Os encontros foram resultado de cobranças feitas pelos pilotos acerca dos novos motores e, segundo o presidente Stefano Domenicali, a prioridade dos debates é melhorar as classificações.
Acesse o canal de automobilismo do ge no WhatsApp
Análise: Hamilton vai da crise ao otimismo e dá sinais de reação na Ferrari
FIA proíbe truque de Mercedes e Red Bull em classificações, diz site
Largada do GP do Japão da F1 em 2026
Artur Widak/NurPhoto via Getty Images
– Em primeiro lugar, há as classificações, nas quais se tenta dar o máximo possível, seja em potência máxima ou em frenagem total, o que for o caso. Por outro lado, é claro, é preciso garantir que certas questões levantadas pelos pilotos sejam resolvidas da maneira correta – declarou Domenicali, em entrevista exclusiva ao portal “Autosport”.
Na conversa, o presidente da F1 explicou a visão adotada pela categoria:
– A classificação sempre foi o momento em que o piloto precisa dar o máximo de si e descobrir quais são realmente os limites físicos do carro e dele mesmo. É nessa área que estamos trabalhando nestas semanas, em conjunto com os pilotos e as equipes sob a coordenação da FIA, para determinar quais seriam os ajustes certos sem perder a trajetória ideal.
Stefano Domenicali, presidente da F1
Takashi Aoyama/Getty Images
Ao todo, as reuniões serão promovidas nos dias 15, 16 e 20 de abril. O cronograma foi alinhado após um primeiro debate entre as partes envolvidas na última quinta-feira, quando a própria FIA admitiu a existência de pontos de melhoria no novo regulamento técnico da F1.
As novas regras estão promovendo mais manobras na pista, o que é benéfico do ponto de vista do entretenimento. Porém, os pilotos estão insatisfeitos com a proporção que a gestão de energia tomou nos carros de 2026 – graças ao novo regulamento técnico, que aumentou a potência do motor elétrico e tornou mandatório que os atletas pilotassem usando métodos de direção para recarregar a bateria.
Quando as baterias se esgotam, a perda de potência dos carros é grande e os pilotos ficam vulneráveis aos rivais a pista. A visão geral entre eles é de que o risco de acidentes também aumenta por causa da diferença de velocidade: foi o que aconteceu no GP do Japão, palco da forte batida de Oliver Bearman – ele estava atrás de Franco Colapinto, quase 100 km/h mais lento.
Oliver Bearman bate e deixa o GP do Japão de Fórmula 1
A expectativa era de que o encontro desta quarta abordasse aspectos do Regulamento Esportivo que facilitem a introdução de mudanças no quesito técnico. Na quinta, a reunião deve debater a parte técnica em si. E de acordo com Domenicali, Max Verstappen, um dos pilotos mais críticos ao atual regulamento, foi muito participativo no primeiro debate:
– Max e eu já conversamos muitas e muitas vezes desde o início. Eu entendo o que ele quis dizer, e ele entende o panorama geral. Ainda hoje tivemos uma reunião em que ele se mostrou muito disposto a dar sugestões. Vamos estar juntos, ele é o melhor piloto. É um múltiplo campeão mundial, claro que a sua opinião tem de ser ouvida. Mas, ele sabe que a sua opinião também tem peso e por vezes, algumas pessoas podem interpretar isso da maneira errada, isso é algo que não devemos permitir que aconteça.
Pai de Max, Jos Verstappen crê em permanência do filho na Fórmula 1
Gabriel Bortoleto na classificação para o GP do Japão de F1
Simon Galloway/LAT Images
Outros nomes, como o atual campeão Lando Norris e o presidente da Associação de Pilotos, Carlos Sainz, também expuseram suas críticas ao atual regulamento. Domenicali assegurou que as cobranças são bem-vindas – se construtivas.
Além de garantir que os debates na F1 vão “na direção certa”, o italiano reforçou que a repercussão deste início de temporada da F1 entre o público é positiva. Ele ainda aproveitou para rebater as críticas sobre artificialidade nas ultrapassagens, proporcionadas muitas vezes pela disparidade na bateria de dois pilotos, e o uso de artifícios como o botão de potência extra e o modo ultrapassagem.
– Estou sempre atento; acho que vale a pena levar em conta todas as críticas construtivas que precisamos fazer. Mas o que é artificial? Ultrapassar é ultrapassar. As pessoas têm memória curta, porque na era dos motores turbo dos anos 80, era preciso economizar (combustível) durante a corrida, pois, caso contrário, o tanque era muito pequeno. E isso faz parte do jogo – afirmou.
Modo híbrido dos motores da Fórmula 1
Domenicali também garantiu que as opiniões dos pilotos tem lugar na F1 – embora tenha pontuado que recebe diferentes feedbacks e associado a divergência de opiniões ao desempenho de cada um:
– Minha conversa com eles é definitivamente muito aberta e eles sabem que eu realmente me importo com as opiniões deles. Quero que eles se envolvam. Mas, claro, às vezes há, digamos, uma espécie de dinâmica: se você falar com os pilotos que estão na liderança, sabe, eles estão sempre muito felizes porque estão vencendo. Os outros podem ficar frustrados também porque gostam de um estilo diferente de corrida, o que eu respeito muito. Mas o que eu disse a eles: “Ouçam, pessoal, não se esqueçam de que tudo o que estamos fazendo é porque fizemos a coisa certa juntos. Portanto, respeitem um esporte que deu a todos nós uma oportunidade incrível de crescer, de ganhar muito dinheiro e de construir uma reputação no mundo”.
A F1 retorna em 3 de maio com o GP de Miami, válido como a quarta rodada desta temporada. Veja o calendário. geRead More


